Publicado em 05/12/2016 às 16h10.

Quatro fatores podem afetar a criatividade. Descubra quais são

Para estimular a expressão criativa é importante não ficar tentando pensar e agir de forma criativa; é preciso se permitir "pensar fora da caixa"

Priscila Almeida

 

Criatividade (Imagem ilustrativa)
Criatividade (Imagem ilustrativa)

 

O interesse pela criatividade tem crescido cada vez mais. Na escola, no trabalho, na nossa vida pessoal, todos temos falado mais sobre este assunto. Quem não quer ser criativo? Ter soluções brilhantes? Se destacar? Ainda mais em tempo de crise econômica.

Todos queremos e todos podemos ser criativos segundo os estudos mais recentes. Ainda bem! Claro que algumas pessoas têm mais facilidades e outras mais dificuldades, como em todos os aspectos da nossa vida. No geral, quando pensamos em criatividade logo nos lembramos dos artistas. Mas se você acha que criatividade é só para pintores, escritores, artistas está muito enganado.

Ser criativo é olhar para o desafio de frente e torná-lo sublime.  É o poder de tornar bonito o que lhe parece feio. É empreender na vida pessoal e profissional. Existem diferentes abordagens sobre a criatividade, mas grande parte delas enfatiza que o indivíduo tem um papel ativo junto com a influência dos fatores sociais, culturais e históricos na produção criativa e na avaliação do trabalho criativo.

Devemos levar em consideração a interação entre características individuais e ambientais, as rápidas transformações na sociedade e o impacto do produto criativo na sociedade. Porque algo é criativo se outra pessoa também o acha. O olhar da sociedade tem papel importante no jogo da criação.

Para estimular a expressão criativa na escola, no trabalho ou em casa, é importante que você não fique tentando pensar e agir de forma criativa, o modo criativo de lidar com as situações vai ocorrendo quando você se permite “pensar fora da caixa”, pensar de maneira diferente as situações.

É bom planejar intervenções nos contextos em que você vive, estabelecendo condições favoráveis ao desenvolvimento da criatividade, mas o essencial é poder olhar para as situações com domínio de competências (ter informações relevantes dos assuntos envolvidos) e estar aberto às inovações sem ficar preso às crenças que lhe deixam paralisado.  Aprenda a trilhar novos caminhos, porque o mesmo caminho sempre deixa tudo no automático e por consequência menos criativo.

 

 

Todos temos potencial para

trilhar o caminho criativo

 

Vamos lá. Vou destrinchar tudo para você saber o caminho da criatividade:

Então, para sermos criativos precisamos estar de olho em quatro fatores centrais: autoconhecimento + motivação + ambiente + domínio de informação.

Autoconhecimento – Bem, esta palavrinha já é sua conhecida por sempre ganhar espaço em meus textos. E se ela aparece tanto é porque tem grau elevado de importância. Conhecer a si mesmo, seus desejos, suas paixões, aquilo que faz você brilhar o olho e aquilo que lhe deixa de cabelo em pé, é essencial para sua vida. Com o autoconhecimento você saberá o que lhe motiva.

Segundo Amabile (1996), traços de personalidade podem contribuir para o desenvolvimento dos processos criativos relevantes. Citarei alguns para você ficar de olho: a autodisciplina, persistência, independência, tolerância por ambiguidades, não conformismo, automotivação e desejo de correr riscos. Para Amabile, esses estilos e traços podem ser desenvolvidos na infância e mesmo na vida adulta.

Motivação – Os recursos motivacionais dizem respeito àquilo que impulsiona a performance criativa. A motivação intrínseca, centrada na tarefa, é de inestimável importância para a criatividade, pois ficamos muito mais propensos a responder criativamente a uma tarefa, quando estamos mobilizados pelo prazer de realizá-la. Este aspecto foi observado em vários estudos revistos por Sternberg e Lubart (1995) com profissionais que vinham realizando trabalhos altamente criativos em diversas áreas. Os dois tipos de motivação – intrínseca e extrínseca – caminham em interação, combinando-se mutuamente para fortalecer a criatividade.

Ambiente favorável – Lembra aquele ditado que todos os pais falam para os filhos adolescentes? É uma boa hora para relembrar: “Quem anda com porcos, farelos comem”. Então, não adianta querer ser supercriativo e estar em um lugar ou com pessoas que não incentivem sua criatividade. Calma, não estou falando para sair de casa e trocar todos os amigos! Mas se aproxime de pessoas e conteúdos que despertem a sua relação com o criativo. Mantenha um ambiente que propicie a você uma liberdade de escolha e de ação, com reconhecimento e estimulação do potencial para criar.

Domínio de informação – Uma resposta criativa tem mais probabilidade de ocorrer quando você tem amplo acesso à informação sobre o assunto em questão e quando as informações pertinentes são conectadas entre si, relevantes, aprofundadas, assim despertam o seu interesse e impulsionam o seu engajamento na área. Seja por meio de livros, revistas, internet, relatórios, vídeos o que importa é ter informação de qualidade na área em que precisa atuar de maneira criativa. O processo criativo não é apenas o resultado de ações individuais, mas é cocriado pela sua competência diante do assunto em questão.

A criatividade é importante em todos os setores da nossa vida. Engana-se aquela pessoa que acha que não precisa utilizá-la e que não pode ser criativo. Todos temos potencial, uns foram mais estimulados que outros para trilhar o caminho criativo. Mas agora ficou mais fácil, não? Espero ter ajudado a clarear, quer dizer a colorir, seus caminhos para o processo criativo. Agora, mexa-se!

Priscila Almeida

Priscila Almeida é psicóloga clínica especialista em saúde mental, psicanálise e em trânsito. Escritora e editora do Blog Papos de Psico.

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