Publicado em 10/10/2017 às 20h20.

Baiano participará de maior regata transatlântica do mundo

Léo, como é mais conhecido, competirá em dupla com o angolano José Guilherme, radicado em São Paulo

Redação
Foto: Bruno Concha/Secom
Foto: Bruno Concha/Secom

 

Quem conheceu Leonardo Chicoureu na infância, em meio a uma plantação de cacau em Itabuna, interior da Bahia, não imaginava que ele navegaria tão longe. Hoje, com 33 anos, será o primeiro baiano a disputar a Transat Jacques Vabre, maior regata transatlântica do mundo, cuja chegada em novembro contará com o patrocínio da prefeitura de Salvador.

Chicoureu se apaixonou pela vela desde que subiu pela primeira vez numa embarcação do tipo, aos dez anos. Em poucas palavras, explica o motivo que o levou a se dedicar ao esporte: “Ser velejador é um estilo de vida”.

“Eu cursei três anos de Arquitetura, cheguei a trabalhar na área, num escritório, mas não me via fazendo isso. Então, para viabilizar esse meu sonho [de ser velejador], tive que me dedicar muito e abrir mão de muita coisa. Hoje sou muito feliz com o que faço”, conta.

Léo, como é mais conhecido, competirá em dupla com o angolano José Guilherme, radicado em São Paulo. Juntos, já quebraram um recorde na categoria Double Hand, na regata Cape2Rio 2017. No entanto, a Transat Jacques Vabre tem um percurso maior que a Cape2Rio. São 4.350 milhas náuticas, o equivalente a 8.056 quilômetros, em oposição às 3,5 mil milhas da Cape2Rio.

Léo e José Guilherme sairão de Le Havre, na França, no dia 5 de novembro, e cruzarão o Atlântico em direção a Salvador. É um percurso difícil que envolve a exposição a ventos mais fortes no Canal da Mancha, logo na saída, e a instabilidade climática da região da linha do Equador, que costuma ter pouco vento.

O baiano vai competir com um Class 40, um veleiro com 40 pés e sem muito conforto, mas muito forte e ideal para ser conduzido em dupla. “Esse veleiro só comporta o que é essencial. Não tem ar-condicionado, cama aconchegante, mas tem um piloto automático muito bom, é insubmergível, além de ser preparado para velejar em dupla”, explica.

Em relação à posição que espera ocupar, ele é categórico. “O resultado é uma incógnita, mas o nosso objetivo é completar o percurso e dar o nosso máximo”. Além das dificuldades do trajeto, os skippers (velejadores) precisam encontrar um equilíbrio entre velocidade e segurança, tentar encontrar o melhor caminho e prever as condições dos ventos.

Chegar à cidade onde vive, após participar da maior regata de sua vida, será um desafio marcante para o jovem velejador. Afinal de contas, Salvador está entre os melhores lugares para velejar, por ser banhada pela Baía de Todos-os-Santos, que tem incidência de ventos e águas quentes. Aliado ao potencial geográfico, Léo ressalta a energia e a receptividade dos baianos. “A mistura de tudo isso confere um clima mágico ao local”, opina. Para o skipper, que também trabalha com negócios náuticos, a escolha da capital como destino beneficia muito o setor, pois a coloca, novamente, no roteiro de turismo e esporte náutico.

Competição – Esta será a quinta vez que a capital baiana vai receber a Transat Jacques Vabre, que já foi recepcionada aqui entre 2001 e 2007, a cada dois anos. A escolha de Salvador como destino foi possível graças à mobilização da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), em parceria com a Secretaria de Cultura da Bahia, o Yacht Clube da Bahia e a Socicam Náutica e Turismo, empresa que administra o Terminal Turístico Náutico da Bahia.

Como patrocinadora da competição, a prefeitura vai montar e operar a Vila da Regata, que estará localizada próxima à rampa do Mercado Modelo, no Cais da Baiana, entre os dias 12 e 24 de novembro. A estrutura servirá para recepcionar os skippers, as delegações, jornalistas e o público que poderá fazer visitação ao espaço para acompanhar e interagir com os participantes do evento. Ao todo, 41 barcos participarão da competição, com velejadores de dez diferentes nacionalidades: França, Japão, Reino Unido, Espanha, Suíça, Alemanha, Brasil, Angola, Itália e Omã.

Além do caráter esportivo e cultural, o evento também trará impactos positivos para a economia. Apenas com a equipe da Transat Jacques Vabre, haverá mais de 750 diárias em hotéis de Salvador – o que representa uma movimentação de mais de 60 mil dólares – além das diárias de familiares e demais personalidades.

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