Publicado em 22/03/2018 às 10h50.

No dia Mundial da Água, governo decreta emergência em mais duas cidades

Enquanto os moradores de Santana padecem das enxurradas, São Félix do Coribe enfrenta longo período de estiagem; Defesa Civil reavalia municípios em emergência e o número pode ser reduzido

Luís Filipe Veloso
Foto: Alberto Coutinho/ GOVBA
Foto: Alberto Coutinho/ GOVBA

 

Eles estão localizados em uma mesma região, a Oeste, e são a prova dos impactos provocados pelos extremos climáticos comuns ao território baiano. Em pleno “Dia Mundial da Água”, os decretos de emergência dos municípios de Santana e São Félix do Coribe foram reconhecidos nesta quinta-feira (22) pelo Governo estadual, o primeiro devido aos prejuízos gerados pelas enxurradas, o seguinte alvo de longo período de estiagem.

O retrato desta dicotomia, destas realidades tão polarizadas, é a má distribuição das chuvas que, segundo Paulo Luz, superintendente de Defesa Civil da Bahia, “estão em redução contínua, caindo em menor quantidade no estado ao longo dos últimos seis anos, mas têm causado estragos enormes nos locais onde ainda atuam devido à intensidade das ocorrências, em curto espaço de tempo”.

O chefe da Sudec destaca, por exemplo, que a região de Irecê, no Centro Norte, tradicional produtora de feijão, perdeu o protagonismo, a capacidade produtiva e a liderança da cultura no estado, pela incapacidade de irrigar as lavouras.

Por outro lado, o município de Lajedinho, também na área central da Bahia, foi alvo de trombas d’água em 2013 e 2017. Em 2013, uma chuva de 120 milímetros em poucas horas devastou a cidade e deixou um saldo de 17 mortos e mais de 30 famílias desabrigadas.

Com a desapropriação das casas nas áreas de “planície de inundação”, região vulnerável ao acúmulo de água, algo ainda pior foi evitado no ano passado.

Em abril de 2017, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontou precipitação de 150 milímetros no mesmo local em apenas três horas e durante a madrugada (o que compromete a mobilização de resgate), provocando inundação que alcançou os dois metros de altura.

Foram 90 famílias desabrigadas, embora a prevenção tenha reduzido a zero o número de óbitos. A ação está muito longe de ser a ideal e atender aos quatros cantos da Bahia, considerando o tamanho do estado.

Emergência – Dos 211 municípios baianos sob decreto de emergência, o equivalente a mais da metade das 417 cidades baianas, 173 estão prestes a perder os efeitos das determinações como dispensa de licitação, suporte de carros pipa e outras providências de urgência para minimizar os danos.

É que o prazo de duração dos decretos, em média 180 dias, está prestes a expirar e a Defesa Civil já realiza um levantamento para avaliar quantos destes municípios ainda necessitam de assistência emergencial.

Informações preliminares apontam que apenas 140 cidades devem ter os decretos renovados.