Publicado em 16/03/2018 às 22h00.

Conselho dos Direitos Humanos pede proteção a familiares e amigos de Marielle

"Não transfiram o peso da investigação para os familiares e pessoas mais próximas. O caso teve muita repercussão e muita gente tem procurado falar com as pessoas próximas, que estão em um momento de luto e também com medo"

Redação
Foto: Reprodução
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Integrantes do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) estiveram nesta sexta-feira (16) no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para discutir desdobramentos das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados a tiros na noite de quarta-feira (14). Eles se reuniram com o procurador-geral Eduardo Gussem e com outros procuradores. Entre os assuntos tratados estava a proteção de pessoas próximas às vítimas.

“Não transfiram o peso da investigação para os familiares e pessoas mais próximas. O caso teve muita repercussão e muita gente tem procurado falar com as pessoas próximas, que estão em um momento de luto e também com medo. Às vezes, alguém consegue um número de celular e liga. Mas não podemos expô-las. Esse é o pedido que recebemos delas e estamos externando”, disse Fabiana Severo, presidente da CNDH.

Segundo ela, é um pedido para que a sociedade em geral, e não apenas a mídia e os veículos de imprensa, lidem de forma humanizada com a situação e ajudem a preservar a integridade dessas pessoas, não apenas física, mas também psíquica.

A reunião com o MPRJ fez parte de uma missão emergencial aprovada pelo CNDH. Na sequência, os conselheiros seguiram para uma reunião na Defensoria Pública do Rio de Janeiro e para um encontro com o delegado Rivaldo Barbosa, chefe da Polícia Civil.

Discurso de ódio – A CNDH também está preocupada com os discursos que associam defensores de direitos humanos com “defensores de bandidos” e que, por isso, criticam a comoção relacionada à morte de Marielle. Segundo Fabiana Severo, são mensagens de ódio, muitas vezes reproduzidas em massa e impulsionadas pelo espaço proporcionado pelas redes sociais e pela internet.

“É uma preocupação nossa o esclarecimento. O que são os direitos humanos? Existe uma confusão. Estamos num momento de muita tensão política, que gera um tensionamento na própria sociedade. E alguns setores respondem muitas vezes com esse discurso de ódio sem conhecer o que são os direitos humanos. E trata-se dos direitos de todas e de todos. A preocupação com a segurança e com a vida é exatamente a mesma em relação a qualquer pessoa. Esse discurso deturpado serve a quem? Só a quem tem interesse em acirrar esse ambiente e essa situação de violência que vem se agravando”.

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