Publicado em 27/02/2017 às 13h55.

Comcar: em desfile com morte, Broder não comunicou que La Fúria era atração

Presidente do Conselho Municipal do Carnaval, Pedro Costa, prometeu apurar caso; tumulto começou quando cordeiros abandonaram bloco e foliões se misturaram

Evilasio Junior / Rebeca Bastos / Fernanda Lima
Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba
Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba

 

O bloco Broder não comunicou ao Conselho Municipal do Carnaval a alteração na sua grade de atrações, informou o presidente do Comcar, Pedro Costa, ao bahia.ba. O desfile culminou na morte de uma pessoa atingida por um caco de vidro na madrugada desta segunda (27). Originalmente, a programação oficial informava que o trio seria puxado pela banda Oz Bambaz, mas a La Fúria foi colocada para substituí-la por um motivo não informado.

A reportagem apurou que o tumulto foi iniciado em Ondina, na altura da passarela instalada pela Trident, quando os cordeiros contratados pela instituição abandonaram os postos, em função de um boato de que não receberiam pagamento. A partir daí, milhares de foliões se misturaram aos associados (veja o vídeo abaixo).

A Polícia Militar tentou intervir e parar o caminhão, uma vez que o bloco não tinha autorização da prefeitura para desfilar como pipoca, o que não foi obedecido pela banda, que seguiu o percurso até Ondina. Apesar de a corporação empreender uma proteção extra, Jailton dos Santos, de 34 anos, morreu na confusão, atingido por um adolescente de 16 anos, já no final do Circuito Dodô.

Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba
Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba

 

De acordo com o presidente do Comcar, que participou pela manhã de uma reunião no Quartel dos Aflitos, com instituições envolvidas na organização da festa, inclusive a PM, o caso será apurado, mas uma infração já está diagnosticada, que é a troca de atrações sem a devida comunicação antecipada.

“Eu não sabia que a La Fúria ia sair ontem. A informação que eu tenho é que a La Fúria não estava programada com esse bloco. A atração original foi substituída e nós não fomos comunicados. Isso aí, seguramente o conselho vai ser notificado e nós vamos apurar o que aconteceu. Se eles começaram a desfilar como bloco e no meio do caminho abandonaram, aí é preciso apurar para ver. Seria outra infração”, afirmou Costa.

Perguntado se o caso não seria mais grave do que o ato político da Baiana System, ele negou que tivesse ameaçado expulsar a banda de Russo Passapusso da folia de 2018, e explicou o trâmite para ambos os casos.

“Quando a gente fala no código de ética é para regular a atuação do artista com o público, para que não haja excesso. Qualquer artista tem que obedecer às regras. A festa é democrática e popular, mas nós não podemos permitir, por exemplo, que um artista faça apologia à violência contra as mulheres, a favor da exploração infantil, da homofobia etc. Ser impedida de desfilar é o extremo. Você tem advertência, suspensão, até chegar ao extremo que é a expulsão, mas tudo isso discutido e com amplo direito de defesa. Não tem nada de expulsão assim, diretamente. É o bom senso que tem que imperar”, disse o presidente.

Sobre o caso específico do Bróder e da banda La Fúria, que ainda espera se apresentar financiada pelo governo, Pedro Costa afirmou que a comissão de ética do Comcar vai fazer um relatório, convocar uma reunião e comunicar ao bloco para que ele se explique. “Logo depois do carnaval nós faremos isso”, avisou.

Este não é o primeiro caso de morte associada a uma apresentação da La Fúria. Pouco antes do carnaval, um show do grupo no bairro de Periperi, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana, culminou em uma pessoa assassinada, além de cinco baleados. A assessoria da banda diz, no entanto, que o show da banda foi cancelado na oportunidade.

Veja o vídeo do tumulto da madrugada desta segunda: