Publicado em 27/02/2017 às 18h28.

Kannário não se retrata e cola com Neto: ‘Se for pro ralo vou com ele’

"Antes de o prefeito deixar eu tocar, eu passava fome. Não tinha um ovo na geladeira. Sabe o que está me ajudando a sair no carnaval? O meu salário de vereador", desabafou

Fernanda Lima
Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba
Foto: Roberto Viana/ Ag. Haack/ bahia.ba

 

Uma das atrações mais esperadas desta segunda-feira (27), no circuito Osmar (Campo Grande), o cantor-vereador Igor Kannario (PHS) pediu um momento de atenção para justificar a sua fala durante show na Liberdade – em que associou o Legislativo municipal ao crime organizado –, neste domingo (26). O Príncipe do Gueto disse que foi “mal interpretado”, contudo, não pediu desculpas pelo que afirmou, como esperava alguns aliados.

“Atenção, meus edis, vossas excelências, eu nem sei como chama. Quando eu nasci já existia oposição, esquerda e direta. Mas eu não sou nem esquerda, nem direita. Deixa eu contar uma coisa, antes de o prefeito deixar eu tocar, eu passava fome. Eu não tinha um ovo na geladeira. Porque eu estava preso a um contrato diamante bruto da favela e eu não entendia nada de cláusulas contratuais. Foi o prefeito ACM Neto quem me deu essa oportunidade. Sabe o que está me ajudando a sair aqui no carnaval? O meu salário de vereador, porque sozinho tava foda”, desabafou.

Recém-eleito vereador de Salvador, ele citou nomes, ainda, sobre quem o trata bem na Câmara Municipal. “Kiki, Alfredo Mangueira, Lorena Brandão, Suíca, Ricardo Almeida. Eles estão aprendendo muito comigo, porque eu tenho opinião própria. Favelado não puxa saco, favelado é pelo certo. Precisamos juntar os sábios, com as ideias do novo, e fazer história com isso”, afirmou.

Kannario perguntou diversas vezes pelo prefeito ACM Neto, que não estava no local, mas mesmo assim fez uma declaração e deu um recado ao aliado. “Diga que eu fiquei chateado porque ele não está aqui, ele tinha que estar aqui. Vários artistas passaram aqui, já precisaram dele, e nem olharam para a cara dele. Eu sou o prefeito, se ele for pro ralo, eu vou com ele, se ele for para o céu, eu vou com ele. Na favela, quem é parceiro tem que ser até a morte”, confessou, ao emendar: “Estou aproveitando para desabafar, porque pode ser que ano que vem eu não toque”.

Após o desabafo, o cantor seguiu com um dos hinos da sua trajetória, “Tudo nosso, nada deles”.