Publicado em 03/03/2017 às 19h12.

Limpurb diz que espuma na Barra é biodegradável: ‘Fórmula é segredo’

O fabricante segue o mistério, não revela a composição do produto e aponta como solução vir a Salvador para provar a biodegradabilidade – em caso de eventuais problemas

Clara Rellstab / Fernanda Lima
Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

 

Registros de uma espuma descartada no mar do Farol da Barra por um caminhão da Empresa de Limpeza Urbana (Limpurb), na manhã desta sexta-feira (3), foram divulgadas na página do Facebook da AmaBarra, associação de moradores do bairro.

Segundo os residentes, o carro fazia a higienização no local, por causa da sujeira deixada pelos foliões no Carnaval de Salvador. Procurada pelo bahia.ba, a Limpurb informou, por meio de nota, que a proporção tomada nas redes sociais “não tem nenhum fundamento porque o produto utilizado pela Prefeitura é biodegradável e não prejudica o meio ambiente”.

Em release divulgado à imprensa no último domingo (26), a companhia revelou que “na quantia de 1,2 milhão de litros de água utilizados diariamente pelos caminhões-pipa que limpam os circuitos, são adicionados quatro mil litros de detergente bactericida e aromatizantes” – as aspas são atribuídas ao presidente da Limpurb, Kaio Moraes.

Contatado pelo bahia.ba, o gestor ressaltou que o produto ao qual o texto divulgado à imprensa fazia referência era, na verdade, utilizado exclusivamente para a limpeza dos circuitos. Ele acrescentou que o detergente possui índice de biodegradabilidade de 97,6% e que a composição exata do produto é “um segredo do fabricante” – a empresa G. Limp Industria e Comércio de Desengraxantes, localizada em São Sebastião do Passé, na Região Metropolitana de Salvador.

Fabricante – O mistério é tamanho que um funcionário da empresa fabricante do produto, contatada pela reportagem, até defende que o material não “contém ácido ou álcali e é um produto literalmente biodegradável”, mas diz não “saber especificamente se foi esse produto que foi utilizado na Barra”. A espuma do detergente, ainda segundo a fonte, tem espumabilidade neutra.

Sem revelar o nome ou composição química do produto – fator que é ignorado também no laudo divulgado pela administração da capital baiana –, o servidor diz que a empresa “pode vir a Salvador para provar o que diz”.

Foto: Reprodução/Ecolyzer
Foto: Reprodução/Ecolyzer

 

Impacto ambiental – O professor e mestre em Biologia pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) Ricardo Faria Filho explicou à reportagem que o problema está além da biodegradabilidade do material. “Isso não indica o nível de toxicidade do produto. Porque, mesmo biodegradável, pode causar problemas como impedir a passagem do sol e, assim, matar seres que necessitam de oxigênio para respirar. O grande perigo, afinal, é se ele interferir no ecossistema. Se os produtos forem ricos em nitrato e fosfato, por exemplo, podem estimular a proliferação anormal de algas”, detalhou.

Ainda conforme o especialista, “quando o aspecto visual causa choque, algo de errado provavelmente está acontecendo. Se for o caso, devem aparecer formas de vida mortas amanhã no local. Se apareceu essa espuma, é um indicativo de excesso de sal, o que é bastante prejudicial à vida no mar”.

Confira vídeo que mostra a quantidade de produto na praia da Barra:

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