Publicado em 13/02/2018 às 23h49.

Gil confessa que prefere ‘Que tiro foi esse’ a ‘Popa da bunda’

Compositor falou sobre a ópera que faz com o maestro Aldo Brizzi e avaliou a diversidade cultural da música nacional dentro do carnaval

Fernando Valverde / James Martins
Foto: Reprodução / Instagram: @camexpresso2222
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Se o Carnaval de 2018 foi dominado pelos trios sem cordas, Gilberto Gil já fazia isso em outras eras no comando do Expresso 2222. Para o cantor, em conversa com o bahia.ba, o seu trio pode ter sido um pioneiro, mas a música anda bem representada em questões de diversidade dentro da folia.

“Nesse sentido musical e no gosto pela variedade, isso tudo tá basicamente coberto por tudo que tem emergido. Você tem hoje isso. Aqui hoje eu tive três ou quatro demonstrações disso. Vi o Armadinho, depois um rapaz tocando funk, depois a Margareth. Então acho que nesse aspecto estamos bem”, avaliou.

Apesar dessa visão, Gil não caiu de amores por uma das mais fortes postulantes ao título de música do carnaval, o sucesso “Popa da Bunda” do grupo ATTOXXA. Para Gil, um outra música, um pouco mais polêmica, lhe chamou mais atenção. “Popa da Bunda eu conheço. Razoável. Gosto mais de Que tiro foi esse?”, afirmou em menção ao sucesso de Jojo Toddynho. “É mais vigorosa”.

Alta cultura, baixa cultura – Trabalhando com o maestro Aldo Brizzi na ópera “Negro Amor”, Gil valorizou a mistura que o trabalho promove e que vem sendo recebido na Europa após uma turnê por Londres.

Segundo ele, que foi um dos expoentes da Tropicália, que acabou por embaralhar os conceitos de alta e baixa cultura no Brasil, a troca que se fará entre os conceitos é um desafio que o motiva.

“Ao mesmo tempo que estou lá, estou levando pra lá aquilo que eu posso. Que é a dimensão da música popular. Como é que isso chega, se adapta e é um desafio. Então estamos diante desse desafio e vamos ver onde podemos chegar”, ponderou.