Publicado em 13/02/2018 às 00h29.

‘O Axé é a maior revolução rítmica do século passado’, diz Brown

Frente à possibilidade de ser seu último carnaval por um tempo, o artista falou sobre os blocos sem corda, o legado do Axé Music e elogiou Pablo Vittar

Fernando Valverde / Aline Valadares
Foto: Rodrigo Veloso / bahia.ba
Foto: Rodrigo Veloso / bahia.ba

 

Um dos grandes showmans da folia baiana, Carlinhos Brown pode ter feito o seu último carnaval durante um bom tempo. Em entrevista que foi ao ar no Fantástico ontem, o cantor e compositor afirmou que irá dar um tempo das ruas para encontrar novos formatos para projetos que quer tocar.

Enquanto isso não ocorre, Brown pondera sobre o papel do Axé Music na música atual. Para ele, o axé tem difundido suas bases na música do mundo inteiro e o discurso de que o carnaval e o modelo musical dele estariam enfraquecidos, é um erro.

“É um equívoco falar que o Axé Music está enfraquecido. Quando falamos isso, falamos que o MPB está enfraquecido. O axé pelo nome da força, não é um pertence da Bahia. O axé está espalhado em todos os conceitos e não só no Brasil. O reggaeton é Axé Music. A música cubana, pra quem entende de clave vai entender o que tô dizendo aqui”, afirmou.

Após uma demonstração cantarolada de semelhanças rítmicas entre os países, Brown continuou: “Isso a Bahia faz, muito baseado com o rei do xote e por aí vai. Isso revolucionou as rítmicas mundiais. Pelo fato de a gente não falar inglês ou espanhol as pessoas se assustam, mas o Axé Music é a maior revolução rítmica e frenética do século passado e vai continuar assim”, avaliou.

E segundo Brown, as influências vão muito além do ritmo. “Olha quando eu gritei a namorada, tem namorada, eu sabia que viria Pablo Vittar? E depois ainda cantei o amor me pegou, puro e verdadeiro, essa frase é minha hein?”, comparando aos versos de K.O. de Pablo. “Mas sem dúvidas o Pablo é um gênio do momento e merece esse sucesso”, elogiou.

Carnaval sem cordas – Brown comentou ainda sobre a avaliação, feita pelos órgãos que fiscalizam a folia, de que o aumento dos blocos sem cordas contribuíram para a redução da violência no carnaval. Mas segundo ele, isso não precisa necessariamente significar o fim dos blocos privados e sim uma busca por equilíbrio nos modelos.

“Lutei muito por isso e pela questão das cordas. Mas houve um pouco de confusão porque o povo confunde baixar as cordas com o fim dos blocos. Não precisa acabar com o segmento. O equívoco é que os blocos ainda não encontraram os seus dias de desfilar. Seria bom dividir o dia do bloco, o dia do afoxé, o dia do ijexá. Não adianta o Filhos de Gandhy passar com 10 mil pessoas e as Filhas passarem com 200 pessoas. Precisamos dividir o carnaval dentro da diversidade dele”, ponderou.