Publicado em 05/12/2018 às 20h40.

Indústria do aço deve fechar ano com alta de 8,9% nas vendas internas

Foram comercializadas neste ano no mercado brasileiro 18,8 milhões de toneladas de aço; a previsão para 2019 é alcançar 19,9 milhões de toneladas

Agência Brasil
Foto: Wikimedia Commons
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A indústria do aço no Brasil deve fechar o ano com crescimento de 8,9% nas vendas internas na comparação com 2017. A estimativa, divulgada nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Aço Brasil, mostra que o percentual é maior do que a projeção da entidade, apresentada em julho, que apontava alta de 5,5%.

Foram comercializadas neste ano no mercado brasileiro 18,8 milhões de toneladas de aço. Para 2019, a previsão é que as vendas cresçam 5,8%, alcançando 19,9 milhões de toneladas.

O ano também deve encerrar em alta no consumo aparente (soma que inclui vendas internas e importação por distribuidores e consumidores). A projeção subiu de 5,3% para 8,2%, puxada pelo crescimento do comércio interno. O volume consumido deve superar 21,1 milhões de toneladas.

Considerando apenas as importações, o volume é 2,3 milhões de toneladas, alta de 2,6%. O percentual, no entanto, é menor que a projeção do instituto, que estimava crescimento de 5,3%. A oscilação do dólar explica o menor volume importado, diz o Aço Brasil.

Já as exportações, cuja previsão era de queda de 0,6% na estimativa de julho, devem fechar o ano com retração ainda maior: 7,2%.

“Apesar da apreciação do dólar e da alta do preço do aço no mercado internacional, isso é fruto do quadro mundial de protecionismo. [Com] vários países se fechando, passa-se a ter maior dificuldade na competição pelo nível de turbulência no mercado internacional e práticas consideradas não ortodoxas”, disse o presidente executivo do instituto, Marco Polo de Mello Lopes.

A produção de aço também teve desempenho inferior ao estimado pelo setor, de 36,3 milhões de toneladas para cerca de 36,1 milhões de toneladas, o que, ainda assim, representa crescimento de 3,8% na comparação com 2017.

Uma das razões apontadas pelo instituto foi o desligamento de fornos durante a greve dos caminhoneiros, em maio. Os empresários estimam perda de R$ 1,1 bilhão no período de paralisação.

Apesar de a produção ter sido mais baixa do que o estimado, o volume é recorde para a cadeia do aço. Uma das justificativas apresentadas pelo instituto é o surgimento de novas empresas, além de a Companhia Siderúrgica de Pecém, no Ceará,  começar a atingir seu nível normal de operação. Os demais indicadores – vendas internas, exportações e consumo aparente – têm desempenho próximo ao verificado no ano de 2015.

Exportação – Uma nova rodada de negociações sobre os termos da importação do aço brasileiro deve ocorrer nos Estados Unidos. Por meio da Seção 232, o governo norte-americano impôs tarifas de 25% ao aço importado. Após negociação, o aço brasileiro ficou livre de taxação, mas entrou em um acordo de cotas, com um limite do volume que poderia ser exportado.

“Aconteceu aquilo que já tínhamos antecipado. A indústria americana precisa de material, e o importador começou a fazer uma pressão monumental. Houve um momento em que havia 30 mil pedidos no Departamento de Comércio”, lembrou Marco Polo.

Para ele, esse cenário levou a uma nova flexibilização do governo Trump. “Foi além até do que se esperava. Nós tínhamos o sistema hard cota, pelo qual, se se atingisse a cota, não entrava nem um quilo a mais. A nossa expectativa era que conseguíssemos, atingindo a cota, exportar pagando a taxação de 25%. Conseguimos a soft cota, na qual pode-se exportar sem pagar 25%, mas o importador tem que fazer solicitação. A dificuldade agora é que está lenta”, explicou o executivo.

A reunião nos Estados Unidos, ainda sem data marcada, tratará desse tema. “Deverão participar integrantes do atual governo brasileiro e também do governo de transição”, acrescentou Marco Polo.

Camila Maciel