Publicado em 24/10/2018 às 12h27.

Artistas baianos assinam livro-manifesto contra candidatura de Bolsonaro

Guilherme Boulos, que concorreu ao Palácio do Planalto pelo PSOL, é um dos autores dos 24 textos da obra distribuída pelo coletivo Poecrática

Alexandre Santos
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Artistas baianos e nomes do cenário político-cultural nacional —como Daniela Mercury, Margareth Menezes, Paulinho Boca de Cantor, Leonardo Boff e Zélia Duncan— lançaram um livro-manifesto intitulado “#EleNão – Poéticas combativas ao inominável”, no qual repudiam a candidatura do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e afirmam clamar pela democracia.

Guilherme Boulos, que concorreu ao Planalto pelo PSOL, assina um dos 24 textos da obra —distribuída em formato digital pelo coletivo Poecrática. Para a sua contribuição, o coordenador nacional do MTST  escolheu o discurso evocado contra a ditadura durante debate promovido pela TV Globo no primeiro turno das eleições.

“Este livro-manifesto é, sobretudo, um grito de coragem, uma fala de um grupo diverso que abarca as minorias atacadas pelo inominável. Clamamos por democracia, clamamos pelo Estado verdadeiramente laico, clamamos por respeito. Os nossos direitos não estão estabelecidos se não usufruímos deles. Este livro é um uso completo da liberdade de expressão, tacitamente calada nestes tempos sombrios”, diz trecho de apresentação.

Outro três autores que integram a publicação, Sandra Simões, Gabriel Póvoas e Alfredo Moura compuseram a letra da música “Mestre Moa”, gravada por Caetano Veloso em homenagem ao capoeirista e ativista Moa do Katendê, assassinado aos 63 anos após receber 12 facadas dentro de um bar próximo ao Dique do Tororó, no dia 7 de outubro. Segundo inquérito concluído pela Polícia Civil, o crime teve motivação política, uma vez que o mestre de capoeira foi atacado por se posicionar contra as ideias defendidas pelo militar da reserva.

“Esse coletivo de poetas me inspira respirar nesse momento de total asfixia. Descobri que meu pulmão não estava sendo usado, quando comecei a ler esses escritos. Dei um suspiro infinito, junto com um quase grito e enquanto recebia oxigênio e transfusão dessas palavras de ordem e amor urgente, fui voltando à vida.  Não estamos sozinhos enquanto tivermos o impulso vital pra estarmos juntos. Amando esse jorro de diversidade, tirando dele o alimento, aprendendo uns com os outros a drenar coragem e rastrear poesia. Palavra-antídoto mais usada e útil aqui, contra a palavra-ódio”, assinala a cantora Zélia Duncan sobre a sua participação no volume.

Também subscrevem o manifesto Elisa Lucinda, Malu Verçosa Mercury, Chicco Assis, Márcia Tiburi, Isadora Salomão, Lenno Sacramento, Valeska Zanello, Manno Góes, Coletivo de Cinema pela Democracia, Gil Vicente Tavares, Marcos Rezende, Pastor Henrique Vieira e Rone Dum Dum.

 

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