Publicado em 29/10/2018 às 16h40.

Em carta a Lula, Gabrielli diz que Bolsonaro retoma ‘velha retórica da Guerra Fria’

Ele recordou primeiro discurso do presidente eleito, que prometeu o combate ao socialismo e comunismo

Juliana Almirante
Foto: Izis Moacyr / bahia.ba
Foto: Izis Moacyr / bahia.ba

 

O ex-presidente da Petrobras e um dos coordenadores da campanha de Fernando Haddad (PT) à Presidência, José Sérgio Gabrielli, afirmou, em carta aberta ao ex-presidente Lula, publicada nas redes sociais, neste segunda-feira (29), que o primeiro discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) retoma “uma velha retórica da Guerra Fria”, ao prometer o combate ao socialismo e comunismo.

Ele cita ainda que o capitão reformado prometeu cumprir a Constituição, que em seu terceiro artigo prevê a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; além de promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

“Não pode predominar o preconceito, a apologia da desigualdade, o desrespeito as diferenças, a falta de liberdade, a perseguição aos divergentes. Não pode. Foi isto que motivou os milhões de brasileiros que, apesar de perderem as eleições, votaram em Haddad e Manuela”, diz a carta. Ele acredita ainda que Haddad surge como uma liderança da oposição, depois de ter conseguido 15,7 milhões de votos a mais do que no primeiro turno.

A carta ainda avalia que, após o resultado eleitoral, o PT vai precisar continuar aliado com partidos como PCdoB, PSB, PDT e PROS. “Um dos maiores desafios para o PT é manter este apoio. Ser mais propositivo em questões concretas e adotar um processo de organização e convencimento amplo de suas posições será um caminho importante nesta reconquista de liderança. Não há como pensar numa política hegemônica neste momento”, escreveu.

Gabrielli esteve em Salvador na última sexta-feira (26), para acompanhar ato de apoio a Haddad. No domingo (28), ele foi visto na Faculdade de Administração da Ufba, onde chegou a ser hostilizado por um grupo de apoiadores de Jair Bolsonaro. Gabrielli se manteve recluso e não falou com a imprensa.

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