Publicado em 25/12/2018 às 16h10.

Caetano faz reflexão sobre política: ‘Que o Brasil esteja mesmo acima de tudo’

"Que 2019 traga a superação desses embates simplistas", escreveu o cantor, que já se posicionou publicamente contra a eleição de Jair Bolsonaro

Redação
Foto: Arquivo Pessoal/Instagram
Foto: Arquivo Pessoal/Instagram

 

O cantor e compositor baiano Caetano Veloso fez uma reflexão sobre o contexto político do ano de 2018  e também escreveu sobre os desejos para o próximo ano, em artigo na Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (25).

“Que 2019 traga a superação desses embates simplistas. Que o Brasil esteja mesmo acima de tudo”, escreveu o cantor, que já se posicionou publicamente contra a eleição de Jair Bolsonaro.

Ele lembrou uma entrevista em que o General Heleno sugeriu, no programa Conversa com Bial, que a revelação do Coaf sobre movimentações atípicas do assessor Queiroz é como que meio suspeita, ao se dizer ironicamente feliz pela eficácia do órgão.

“Bial falou no Mensalão. Mas o general fez cara de riso desconfiado, como se o Coaf só tivesse feito isso por tratar-se de Bolsonaro. O que pode levar um petista a achar confirmação de que toda a Lava Jato está cheia de lances e timings que só rolaram porque era Lula”, opinou Caetano.

O cantor espera ainda que “o ano de 2019 seja bom e que possamos extrair da maluquice algo que nos faça mais capazes”. “Mudança houve. Passadas as eleições, torço para que muitos brasileiros encontrem o estímulo que buscavam e possam empreender. Fui e sou contra praticamente tudo o que os vitoriosos vêm dizendo há muito tempo. Mas que antagonistas ideológicos vençam é parte do jogo. E pode ser parte saudável. Nada de paralisar o andamento. Desistir do Brasil, não desisto”, avaliou o músico.

No texto, o cantor baiano também avalia que o ano de 2018 foi difícil e recorda que assistiu, na última sexta-feira (21), Roberto Carlos cantar na TV “Como Dois e Dois” na TV. “Fiquei surpreso e profundamente emocionado. Canção que escrevi no exílio e que agora soa tão violentamente atual”, escreveu.

“Principalmente ouvi Roberto frisar ‘Tudo vai mal, tudo/Tudo é igual quando eu canto e sou mudo’. Isso fechou o ano para mim. A gente precisa saber quem a gente chama de rei”, completou.