Publicado em 27/08/2016 às 11h00.

Após romper com Neto, Célia diz que apoio de Rui seria ‘maravilhoso’

Vice-prefeita diz que governador foi uma das pessoas que a “assediaram” em busca de aliança para as eleições em Salvador

Evilasio Junior / Rodrigo Aguiar / Fernando Valverde
Foto: Mateus Soares/ bahia.ba
Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

 

Depois de ficar de fora da chapa do prefeito ACM Neto (DEM), romper com o gestor e anunciar a sua candidatura ao Palácio Thomé de Souza, a vice-prefeita Célia Sacramento (PPL) diz que o governador Rui Costa (PT) foi uma das pessoas que a “assediaram” em busca de uma aliança para as eleições.

“Por várias vezes, o governador, o vice-governador, a Rede, os meus amigos todos, né? Sempre me perguntaram: ‘Célia, como vai ser a política, porque todo mundo está sabendo que vai ser Bruno [Reis, o vice]’. Graças a Deus eu sempre fui muito bem assediada em busca de coligações, né? E sempre fiquei na minha esperando o momento oportuno para acontecer. Só que dessa vez ficou em cima, tanto que estou coligada com o povo”, afirma Célia.

Além de confirmar um encontro recente com o chefe do Executivo estadual, Célia diz que não recusaria o apoio de Rui, ao responder se pode ser considerada “a quarta candidata da base do governador”. “Eu não sei. Eu sou a candidata do povo. Os candidatos do governador fizeram coligação com ele, entendeu? Agora, eu estou aceitando todos os apoios e, se o governador me apoiar, será uma coisa maravilhosa. Se o vice me apoiar vai ser nota 10. Deputados me apoiando? Ótimo. Quem puder me apoiar, me apoie, gente”, diz.

Sobre as insinuações feitas anteriormente de que a prefeitura teria superfaturado obras, a vice-prefeita tenta adotar um tom conciliador e nega que tenha partido para o ataque. “Eu falei sobre a minha condição de que, quando prefeita, farei obras com custo menores”, desconversa.

Apesar disso, Célia refuta temer o processo anunciado pelo prefeito. “Eu acho que o prefeito pode dizer o que ele quiser, como eu também. É um direito, assim como me processar é um direito que ele tem também. E se eu receber o processo, eu vou fazer o quê? Me defender do processo e provar lá na Justiça que eu vou ser prefeita de Salvador e vou fazer essas obras a custo menores”, afirma. Confira a entrevista na íntegra:

Foto: Mateus Soares/ bahia.ba
Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

 

bahia.ba – Um assunto que movimentou bastante o meio político durante a semana foi a sua fala sobre um suposto caso de superfaturamento de obras da prefeitura, em entrevista ao jornal A Tarde…

Célia Sacramento – Eu não.

.ba – Não?

CS – Eu falei sobre a minha condição de que, quando prefeita, farei obras com custo menores. Leia o jornal lá que você vai ver.

.ba – O repórter que fez a entrevista pergunta se houve obras que foram feitas acima do preço, a senhora diz que sim e dá exemplo…

CS – [interrompe a pergunta] Não tem isso não. Não tem isso não. Cadê o jornal? Está aí?

.ba – Não temos um exemplar aqui agora…

CS – Se tiver, você vai ver que não é essa a pergunta…

.ba – Então, o que foi exatamente…

CS – A pergunta foi que, quando eu for prefeita, eu farei as obras a custo menores.

.ba – A senhora acha então que os custos da prefeitura são altos?

CS – De novo. Eu sou especialista em análise de custo. Sou formada pela USP e fiz mestrado em contabilidade e controladoria. Quando eu for prefeita, eu vou implementar o artigo 50 da Lei de Responsabilidade Fiscal, onde eu terei toda a condição de periodicamente fazer e implantar sistemas de custos, então eu vou produzir todas as atividades da prefeitura a custos menores. Eu tenho essa competência entende? Eu tenho essa competência técnica de fazer isso.

Foto: Reprodução/ Jornal A Tarde
Foto: Reprodução/ Jornal A Tarde

 

.ba – O prefeito, inclusive, devido à repercussão do que saiu na imprensa nos últimos dias falou que vai processá-la e que a senhora quer apenas aparecer. A senhora já foi interpelada em relação ao processo? O que acha de o prefeito dizer que a senhora quer apenas aparecer?

CS – Eu acho que o prefeito pode dizer o que ele quiser, como eu também. É um direito, assim como me processar é um direito que ele tem também. E se eu receber o processo, eu vou fazer o quê? Me defender do processo e provar lá na Justiça que eu vou ser prefeita de Salvador e vou fazer essas obras a custo menores.

.ba – Mas caso chegue a interpelação judicial questionando se a senhora fez a acusação de superfaturamento ou não, a senhora vai esclarecer isso? Pelo que estamos entendendo, a senhora está negando que fez uma acusação de superfaturamento, correto?

CS – Eu estou dizendo que, quando for prefeita, eu farei as obras a custos menores… (A entrevista é interrompida para a declaração ao jornal A Tarde ser lida)

.ba – “Com essa expertise posso dizer que tivemos uma série de obras que foram feitas na prefeitura com custo muito maior do que deveria”…

CS – Sim. Continue. Leia o resto.

.ba – O repórter então pergunta: “A senhora se refere às obras da Barra e do Rio Vermelho?” e a senhora responde: “Sim. Também a aquela ciclovia do Subúrbio Ferroviário. Quem já construiu casa tem noção do preço de materiais. Ver milhões aplicados em certas reformas estremece as pessoas”. Vamos aproveitar e refazer a pergunta, então. Porque essas obras foram feitas acima dos custos, em sua opinião?

CS – Eu, enquanto analista, sou uma pessoa que entendo de análise de custo. Então, eu faço tudo em custos menores. É uma questão de expertise técnica. Eu tenho essa competência, de fazer tudo a custos menores.

.ba – Ok. Mas, tecnicamente, como é que a senhora avalia que o custo foi mais elevado do que deveria ser?

CS – Porque é importante você implantar sistemas de custos. Então, quando você implanta um sistema de custos, você tem essa competência e consegue fazer essas obras com um custo menor.

.ba – Então, a senhora afirma que essas obras foram feitas sem a implantação desse sistema?

CS – Isso.

Foto: Mateus Soares/ bahia.ba
Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

 

.ba – Já que a senhora esclareceu esse ponto, eu queria saber. Logo depois que saiu o anúncio do vice da chapa do prefeito, a senhora disse que se sentiu traída por ele e desde então…

CS – (interrompe a pergunta) Eu não. Toda a população soteropolitana já vinha me falando ‘olha, o prefeito vai lhe trair. Olha, o prefeito vai lhe dar o golpe’. Então, já vinham comentando isso. Eu nunca imaginei que o prefeito só viria me avisar que eu não seria mais vice doze horas antes, um pouco mais ou menos de doze horas antes da convenção. Eu me senti decepcionada. A traição são as pessoas que ficam me dizendo toda hora. No Vale da Pedrinhas o pessoal foi solidário: ‘Poxa professora. A senhora foi apunhalada pelas costas’…

.ba – Mas, ao bahia.ba, a senhora verbalizou traição…

CS – Se todo mundo me disse que ele iria me trair, entende?

.ba – Desde então, a senhora fez algumas críticas à administração municipal, inclusive disse que, se for eleita prefeita, faria obras a custo menor. A senhora não teme que o eleitorado veja isso como um comportamento oportunista e que, porque a não foi escolhida como vice, partiu para o ataque?

CS – Não vejo não. Primeiro porque eu não parti para o ataque, né? Vocês que acompanham meu Facebook sabem que eu, durante os quatro anos, sempre fiz os meus esclarecimentos e declarações mostrando as questões muito mais no sentido de trazer a prefeitura para próximo dos problemas, nunca nesse tom de críticas. Então, quando eu digo que eu quando for prefeita farei tudo a custos menores é porque eu tenho essa expertise para fazer. Eu entendo dessa área. É em função disso.

.ba – Mas além de fazer as críticas, tem uma mudança de comportamento que a gente percebe, já que a senhora sempre estava presente em todos os eventos com o prefeito durante três anos e meio aproximadamente…

CS – (interrompe a pergunta) Até o dia da convenção. Até o dia 4 de setembro.

Foto: Mateus Soares/ bahia.ba
Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

 

.ba – Então, o que mudou a partir do momento em que a senhora não foi confirmada como vice? Por que as críticas e o comportamento combativo contra a atual administração que a senhora não demonstrava anteriormente?

CS – Primeiro que eu não vejo que eu tenha um comportamento combativo. Eu faço parte do Partido Pátria Livre (PPL) e o Partido Pátria Livre é um partido que pensa no desenvolvimento do país a partir da aplicação de uma política desenvolvimentista. Nesse sentido, o meu partido é um partido ficha limpa que contribui e muito para que a democracia seja feita na sua essência, que é o governo do povo, pelo povo e para o povo. Por isso que é pátria livre, onde todos os benefícios são para a população. Então, o PPL parte da necessidade de se fazer parcerias com a população, envolver a população em uma visão muito participativa para que, a partir da educação, nós possamos elevar um ser humano à sua condição de dignidade. No PPL você não considera um desnível de miseráveis, de pessoas que vivem em extrema pobreza, para uma condição dos bilionários. Você tem uma coisa intermediária. É normal na sociedade você ter as pessoas milionárias, de classe média e pobres, Anormal é encontrar pessoas em condição de miséria humana, como encontramos em vários bairros de Salvador por ausência do poder público. E é isso que o PPL aponta. Ele fala sempre nessa necessidade de, a partir da educação, investindo muito nessa educação, com todas as crianças dentro das unidades escolares, quem está em idade de creche, dentro da creche… Quem está em idade de educação fundamental, na escola. E, paralelo a isso, educação em tempo integral. Não temos todas as escolas com educação em tempo integral, não temos parceria com as entidades que estão envolvidas em ações de cultura, de arte, de dança, de atividades esportivas. Vamos ver a geração de emprego e renda nos bairros. Porque vai estar todo mundo envolvido e o principal seguro nesse sistema desenvolvimentista são os jovens, a juventude e as mulheres. Nesta condição, as mulheres vão ter toda a condição de sair para trabalhar e estudar, porque vão saber que seu filho está bem cuidado. Todo mundo na comunidade estará envolvido para o seu desenvolvimento. Os recursos na prefeitura são muito curtos, muito escassos. Então, quando eles são bem utilizados temos todas as condições para viabilizar o crescimento e desenvolvimento dos bairros.

.ba – A senhora não respondeu à pergunta. Antes a senhora não falava disso. A senhora acabou de falar em condições subumanas, em falta de ação do poder público e em falta de parceria com entidades. Por que isso tudo que a senhora tem como diagnóstico hoje…

CS – (interrompe a pergunta) Eu não falei isso, você tá enganado. Essa é a grande questão. Vocês das mídias, às vezes estão [nos eventos], mas não atentam. Peguem as gravações do último evento, não sei se foi no final do ano ou se foi no inicio desse ano, mas peguem as fitas que vocês têm gravado. Vocês estavam lá, o prefeito apresentando a composição do Conselho Municipal do Turismo. E o que é o Turismo para Salvador? Segundo pesquisas, é a vocação natural para a cidade. A partir do Turismo pode se fomentar emprego e renda e eu estava lá quando vi a composição do conselho e falei em alto e bom som: ‘Gente, está tudo maravilhoso, sucesso total. Agora, será que não existe na cidade uma entidade negra para fazer parte desse conselho?’. Vocês não publicaram uma vírgula. Vocês estavam lá e é só pegar as gravações para ver. É isso que estou falando. Se as entidades que estão lá nos guetos não estão participando? Eu sempre falei isso. Eu lembro que vocês estavam, por exemplo, no dia que inauguramos um Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), não se foi o geral ou o da Vasco da Gama, e vocês estavam lá. Eu falei que estávamos enxugando gelo. Usei esses termos e no outro dia não saiu uma vírgula. Eu sempre falei. Ou no meu momento vocês desligam as câmeras ou eu não sei mais falar. Eu sempre falei, nunca deixei de falar. Agora, é claro, com educação e com a elegância que aprendi em minha casa. Agora, como é o momento da política, vocês conseguem captar as informações no mesmo tom que eu sempre falei, não mudou em nada, nada. Quantas vezes vocês mesmos já pegaram no Facebook quando eu estava lá na Estrada Velha e estava lá tudo esburacado e eu lá: ‘Olha gente, obrigado pela confiança, os técnicos da prefeitura vão vir consertar’. Eu lembro de uma cratera que certa feita foi aberta lá em cima e eu falei que estava faltando pessoal para trabalhar, mas que não se preocupassem. Isso eu sempre fiz. Eu não mudei o tom, só que agora é o momento da política e fica todo mundo mais atento. E eu tenho que agradecer e não tenho nenhuma preocupação de que tudo reverbere contra mim, porque a minha ideia não é o poder pelo poder. A minha ideia é mostrar para a população que tudo pode ter uma terceira via. Que eu não preciso de política para viver, graças a Deus. Sou funcionária pública federal concursada no Estado há mais de 20 anos. Eu tenho empresa de auditoria há mais de 23 anos, a qual parei as atividades para me dedicar à prefeitura. Então, eu vivo exclusivamente da prefeitura. Quando acabar meu atual mandato, se eu não for eleita prefeita da cidade de Salvador, vou voltar a dar minhas aulas, as minhas consultorias, voltar a fazer tudo direitinho. Então, eu não estou preocupada. Não é essa a questão. A questão é mostrar que existe outro caminho e agora felizmente, graças a Deus, a mídia está atenta. E por isso que estou vindo. Venho, respondo numa boa e tenho certeza que não vai se reverberar não, muito pelo contrário. Porque hoje a nossa população soteropolitana é muito crítica e não é aquela população de um tempo atrás, que terminava sendo levada por aparências. Hoje ela tem um senso crítico relacionado à ausência do poder público dos bairros periféricos e isso não é novidade, poxa. Vocês viram o vídeo que eu fiz no Facebook do bairro que morei [Praia Grande] quando reclamei que estava faltando. Fiz um vídeo falando ‘olha gente, tá faltando uma parte’. Quer dizer, tudo meu é bem claro e transparente, mas como agora é o momento da política não tem problema nenhum. Obrigado por estar aqui com vocês, só tenho a agradecer mesmo, entendendo como vai sair depois da matéria, mas enfim.

Foto: Mateus Soares/ bahia.ba
Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

 

.ba – Só para pontuar, o site não existia nessa época […] Já que é uma crítica que a senhora vinha fazendo há bastante tempo e que não teve a visibilidade devida pela imprensa, por que a senhora quis renovar a participação nessa gestão? Por que ficar até os 45 minutos do segundo tempo para se manter vice?

CS – Nós pegamos a cidade completamente destruída. O atual prefeito fez a opção de estar com um partido ficha suja [PMDB], um partido que fez parte do Lava Jato e tantas outras coisas que estão aí colocadas na mídia, portanto não são palavras minhas. E eu acreditei que ele não fosse fazer isso enquanto todo mundo dizia: ‘é claro que o prefeito vai preferir estar com esse partido’ e eu dizia que era claro que isso não iria acontecer.

.ba – Mas ele é aliado do PMDB desde 2012…

CS – Mas antes de ele ser aliado do PMDB, ele estava aliado ao PV. E eu, quando saí do PV, a primeira coisa que fiz foi falar ao prefeito que iria buscar um partido ficha limpa: ‘um partido que nós possamos trabalhar sem prejudicar o seu processo, mas, ó, eu não quero atrapalhar, eu vou seguir o meu caminho político’. Vocês nunca me viram dizendo que lançaria candidatura a prefeita. Se eu quisesse me lançar candidata a prefeita, teria feito isso antes, mas nunca fiz. Porque eu queria ficar na boa, ajudando a administrar, visto que acredito que tudo tem o seu momento. Quando a cidade foi governada pelo PMDB foi um caos. Todo mundo sabe e isso é publico e notório. Logo, eu imaginei que o prefeito não iria deixar que o PMDB tivesse esse espaço para governar a cidade. Foi isso que imaginei. Então, para mim, estar nessa condição de manter a vice é uma condição natural que a cidade espera. A cidade gostou do que fizemos juntos e nós trabalhamos juntos pela cidade. Claro que o prefeito deu as prioridades que ele quis dar. Ele, como líder… Eu não faço parte do time que acha que, quando trabalhamos em grupo, temos que boicotar o outro. Eu não concordo. Acho que, quando estamos no grupo, temos que estar no grupo até o fim. Então, eu fiquei no grupo até o fim, desenvolvendo o trabalho, fazendo as minhas críticas, mas defendendo a gestão até os últimos momentos. Eu não sou incoerente nesses posicionamentos. Apenas estou dizendo o que eu faria se eu tivesse a caneta. Desde o início eu falei que eu não tinha a caneta, pois se tivesse a caneta tudo seria diferente, porque, graças a Deus, eu abri as portas do gabinete para a população. Eu atendi em média mais de 300 pessoas dentro de um relatório de atividades. Eu visitei todos os bairros de Salvador. Poucas pessoas conhecem detalhes dos bairros de Salvador como eu conheço. Eu entro em qualquer bairro da cidade em qualquer hora. Quantas pessoas você conhece que vão na Baixa do Camurujipe às dez, onze horas da noite ? Essa semana eu estava lá, tem fotos no meu Facebook. Quem vocês conhecem que entra e sai a qualquer hora do Boqueirão, do Areal e desses bairros? Eu faço isso sem policiamento e sem nada. Porque tenho meus alunos lá. Eu tenho parentes nesses bairros. Os guetos, vielas, ladeiras e ruas são o meu cotidiano e eu venho dessa base. Então, para mim, não é novidade nenhuma. A ideia era dar continuidade ao trabalho, porém com um olhar maior para a periferia. O que é muito melhor do que o outro gestor, antes da nossa gestão, fez com a cidade. Esse foi o meu modelo de comparação e para mim é conveniente continuar a desenvolver esse trabalho.

Foto: Mateus Soares/ bahia.ba
Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

 

.ba – Houve uma declaração do governador Rui Costa afirmando que se encontrou com a senhora recentemente. Como foi essa conversa?

CS – Ah, essa pergunta é diferente da que estavam especulando por aí, de que assim que o prefeito disse que eu não ia mais ser vice, eu teria me encontrado com o governador, de que na semana passada, na sexta-feira (19), eu fui à Governadoria, e claro que não foi verdade. Na sexta-feira em questão, eu saí 4h da manhã e estava lá reunida no PPL. Se vocês olharem no Facebook, eu saí de São Paulo às 8h. Ainda bem que eu tenho essa mania de, tudo que faço, publicar no Facebook. Eu fiquei no PPL da manhã até a noite… Aliás, hoje [quinta, 25] eu tenho uma reunião lá para tentar me aproximar da Governadoria, para resolver esse problema que a mídia está querendo tanto criar. Então, você tem essa notícia em primeira mão, de que tenho uma reunião marcada hoje à tarde na Governadoria para tentar uma aproximação.

.ba – Mas a senhora já encontrou o governador ?

CS – Eu encontrei o governador porque o encontro sempre. No 2 de julho falamos sobre política, [tivemos] vários momentos de conversa… Eu fui procurada por vários partidos para fazer coligação. Mas eu fiquei: ‘Poxa se eu sair do grupo, sem ser uma coisa combinada com o prefeito, pode parecer uma traição’. E meu pai e minha mãe me ensinaram que até que se prove o contrário, todo mundo é honesto e por isso temos que honrar quem te honra. Temos que estar sempre no diálogo, pois o diálogo é a arma de sábios. Talvez tenha sido um erro meu ter confiado, mas eu sou assim.

.ba – Mas Rui foi uma dessas pessoas que procuraram a senhora para fazer coligação?

CS – Por várias vezes, o governador, o vice-governador, a Rede, os meus amigos todos, né? Sempre me perguntaram: ‘Célia, como vai ser a política, porque todo mundo está sabendo que vai ser Bruno [Reis, o vice]’. Graças a Deus eu sempre fui muito bem assediada em busca de coligações, né ? E sempre fiquei na minha esperando o momento oportuno para acontecer. Só que dessa vez ficou em cima, tanto que estou coligada com o povo.

.ba – A senhora poderia, então, ser uma das candidatas do governador contra o prefeito ACM Neto nesta eleição?

CS – Eu não sei. Eu sou a candidata do povo. Os candidatos do governador fizeram coligação com ele, entendeu? Agora, eu estou aceitando todos os apoios e, se o governador me apoiar, será uma coisa maravilhosa. Se o vice me apoiar vai ser nota 10. Deputados me apoiando? Ótimo. Quem puder me apoiar, me apoie, gente. Porque eu não tive tempo de fazer coligação e estou aceitando os apoios, porque eu tenho propostas reais e concretas para a cidade. A cidade ainda não sabe que eu estou candidata. Quando a cidade souber que eu estou candidata, aí sim vocês vão ver a representatividade do povo. Eu represento o povo, eu trabalhei com o povo e o povo me conhece como liderança. O que falta é essa divulgação. E olhe que eu não me utilizei, como todo mundo fala, do fato de ter sido traída para viabilizar todo o desenrolar político. Eu estou apenas preocupada em dizer o que pretendo fazer. Eu estou focada nisso, enquanto para a mídia eu estou preocupada em querer atacar a gestão do prefeito. Na verdade, o meu foco não é esse. Meu foco é mostrar o que eu pretendo fazer e eu tenho ido nos bairros, conversado com a pessoas e estou sendo muito bem recepcionada, graças a Deus.

Foto: Mateus Soares/ bahia.ba
Foto: Mateus Soares/ bahia.ba

 

.ba – A senhora disse que a cidade ainda não sabe que a senhora é candidata a prefeita…

CS – (interrompe pergunta) A cidade não sabe ainda e isso se deu em decorrência de o prefeito ter me avisado muito em cima da hora. Porque, imagine, eu tendo a ideia de que eu não vou ser vice-prefeita, claro que eu tinha feito [o lançamento de candidatura]. Eu já estava candidata a prefeita no PV quando o prefeito me chamou para ser vice, não sei se vocês sabem disso. Eu já era candidata. Então, era natural que quando o prefeito me dissesse: ‘Olha Célia, não dá. Vamos fazer uma entrevista coletiva e informar para as pessoas entenderem bem o que foi o processo’… Até porque a gente não brigou não, apesar de a mídia insinuar que eu estava brigada com o prefeito e tal, eu fiz questão de mostrar a estabilidade da nossa gestão. E foi real mesmo, visto que nunca tivemos problema nenhum, conseguimos realizar nossos trabalhos numa boa e só está se dando isso agora.

.ba – Só para completar, com oito segundos de tempo televisão, qual vai ser a sua estratégia no horário eleitoral ?

CS – Olha, a minha estratégia, eu vou ter 8 minutos em alguns momentos e 30 minutos em outros. [uma assessora corrige a candidata e informa que são 8 e 30 segundos] Aliás, oito segundos e 30 segundos. Então, eu vou falar dos pontos específicos relacionados ao meu plano de governo. Eu vou estar falando em um momento com oito segundos e nas inserções com 30 segundos, em que eu estarei falando dos projetos. Vou falar das mulheres, como eu vou trabalhar a questão das obras da cidade, que tipo de obras eu irei priorizar, mostrando e fazendo uma gestão com transparência. Como é uma gestão com transparência ? É fazer ‘olha professora, o orçamento é esse aqui. E aí o que vocês acham? Vamos resolver o problema do canal da Baixa do Camurujipe, que quando chove acontece isso e isso, ou vamos fazer aquilo e aquilo outro?’. Para depois não dizerem que eu deixei de fazer aquilo, então eu vou fazer um diálogo com as pessoas, que nem em casa. Na família, quando o orçamento é curto e um dos dois do casal sai do emprego, o que os dois fazem? Qual a prioridade ? Deixar de ir para o cinema? Dá para pagar Netflix ou precisaremos ficar com a televisão normal? E aí você começa e é isso que vou fazer. Vou priorizar a falar as coisas que pretendo fazer, como pretendo fazer e, principalmente, que vou trabalhar para aqueles que mais precisam. Meu foco é nas pessoas.

.ba – A senhora pensa em renunciar ao cargo de vice-prefeita até o final do ano?

CS – Então, eu pretendo manter o meu mandato até cumpri-lo no dia 31 de dezembro, pois foi um mandato que me foi concedido pelo povo e eu não tenho esse direito de abandoná-lo. O povo ainda bate na minha porta me perguntando sobre os problemas, querendo soluções e eu dou os encaminhamentos devidos. Pretendo fazer isso até dezembro no meu papel de vice-prefeita, que é substituir o prefeito nos seus impedimentos. E, graças a Deus, eu fui além. Eu estive próxima das pessoas, levando as demandas para as secretarias, onde fui muito bem recebida sempre. O que foi possível de resolver, eles resolveram e, o que não foi, foi encaminhado para o prefeito. Muitas [demandas] foram resolvidas. As que não foram, aí já não dá mesmo, até porque o prefeito é muito assim ‘olha isso aqui não dá, aquilo ali não dá’. Aí é uma questão do gestor. Quando eu for prefeita da cidade de Salvador, eu vou estar focando nas pessoas. Abrindo o orçamento com transparência e cumprindo a legislação. Vamos colocar periodicamente todos os dados sem mudá-los no Portal da Transparência, deixando tudo detalhado e conversando com as pessoas. Conversando com toda a cidade de Salvador, que tem, na sua maioria, pessoas excluídas da condição humana. Tenho que conversar com todos e, qualquer pessoa sensata que more em uma condição melhor, quando verificar que existe a possibilidade de ajudar o outro, vai estar ajudando. Portanto, vou fazer uma gestão no diálogo, mas de forma bem transparente, pois sei que os recursos são muito curtos.

.ba – Por que o povo da cidade deve votar em Célia Sacramento?

CS – Poxa, que pergunta legal. Se houver confiança do povo, e o povo confia em mim pelos quatro anos de trabalho, serei prefeita da cidade de Salvador para cuidar das pessoas, dos seres humanos, dos que mais precisam. Por isso, vote em Célia Sacramento, 54.

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