Publicado em 09/01/2017 às 11h11.

Luiz Augusto alerta Nilo: ‘É mais fácil ser traído quem está no poder’

Candidato do PP à presidência da AL-BA diz contar com ala da minoria: “Se a oposição diz que um dos pontos é não ter reeleição, ela não vai votar na quinta reeleição dele”

Rodrigo Aguiar / Evilasio Junior
Foto: Sandra Travassos/ AL-BA
Foto: Sandra Travassos/ AL-BA

 

Aliado do deputado Ângelo Coronel (PSD) em uma disputa contra a quinta reeleição de Marcelo Nilo (PSL) para o comando da Assembleia Legislativa da Bahia, o deputado Luiz Augusto (PP) aposta no apoio da oposição ao seu bloco, prega uma “perspectiva real” de derrota do atual presidente, diz que o adversário preferiu “ir para o confronto” a indicar um sucessor e, assim, “pacificar” a base aliada do governador Rui Costa (PT).

“Nós tentamos fazer um acordo, para que o próprio Marcelo indicasse alguém ligado a ele. Falei para ele indicar Nelson Leal, que é do partido dele e amigo dele. Ele não topou. Depois falei para indicar Adolfo [Menezes], que também é muito amigo dele. Ele também não topou”, diz Luiz Augusto.

Candidato a presidente da AL-BA, o pepista reconhece o favoritismo de Coronel na disputa interna que trava com o colega para enfrentar Nilo posteriormente. “Ele já sai com dois deputados a mais do que eu. Não adianta tentar tapar o sol com a peneira. Cabe a mim convencer mais gente que prefira o meu nome ao dele”, afirma.

O parlamentar admite também a possibilidade de traição dentro do próprio grupo na eleição, mas acredita que, Nilo leva desvantagem no quesito. “É mais fácil ser traído quem está no poder”, defende.

Sobre as reivindicações do PP por mais espaço no governo estadual, Luiz Augusto assegura que o partido está satisfeito com os cargos que ocupa. No entanto, ele afirma que o governador tem um débito com os deputados federais da legenda – e de outras siglas aliadas – que votaram contra o impeachment de Dilma Rousseff.

“O que houve foi uma promessa, acho que do governador, junto a alguns deputados federais que votaram a favor da presidente Dilma. Ele ficou de fazer alguma compensação, porque os deputados federais perderam todos os cargos que tinham na Bahia”, revela.

Foto: Sandra Travassos/ AL-BA
Foto: Sandra Travassos/ AL-BA

 

bahia.ba – Foi feito um acordo entre o seu partido, o PP, e o PSD para que apenas um candidato a presidente da Assembleia, ou o senhor ou Ângelo Coronel, enfrente Marcelo Nilo em 1º de fevereiro. Objetivamente, qual será o critério de escolha?

Luiz Augusto – Nós não discutimos ainda qual será o critério, um deles pode ser o número de votos. Não existe um critério pré-determinado. A única certeza que temos é que só sairá um. Eu fui o primeiro a entrar contra Marcelo. Queria dar uma oxigenada na Casa, queria mudança. Eu sentia que havia a possibilidade real de ganhar a eleição. Ângelo Coronel entrou e passou a ser importante. Se eu não tivesse ele do meu lado, não fazia sentido ir para uma eleição sabendo que tinha grandes chances de perder a eleição. E a mesma coisa ele. Se ele não tivesse o meu apoio, do PP, também teria grandes chances de perder. Não tinha sentido entrar só para falar que era candidato. Nós conversamos e, já que o nosso interesse era um só, achamos por bem nos unir. Claro que cada um tem suas características próprias, mas nossa intenção principal é acabar com a reeleição. Para mudar, tinha que unir. E para unir, não podia haver a vaidade pessoal de ser um ou outro. Eu não tenho essa vaidade e senti que ele também não tinha. Outro dia sentamos eu, Coronel, Leão e Otto para dizer que temos candidato até o final. A fase de aparecer um terceiro, quarto ou quinto nome já passou. Nós tentamos fazer um acordo, para que o próprio Marcelo indicasse alguém ligado a ele. Falei para ele indicar Nelson Leal, que é do partido dele e amigo dele. Ele não topou. Depois falei para indicar Adolfo [Menezes], que também é muito amigo dele. Ele também não topou. Havia um sentimento dentro da Casa, com as pessoas falando a mesma língua, que queriam uma oxigenação, que a sociedade está cobrando da gente, que só tem Marcelo Nilo para dirigir a Casa.

.ba – Por que a Casa demorou tanto tempo para buscar essa oxigenação? O que mudou?

LA – A perspectiva de vitória. Uma vez, teve Elmar [Nascimento] candidato, a oposição só tinha 16 deputados. Se eu não me engano, Elmar teve entre 24 e 27 votos [foram 22]. Nas outras vezes, Marcelo chegava e dizia ‘ó, já estou com 35 nomes, 40 nomes’. Aí não aparecia ninguém para concorrer. Dessa vez, foi um pouco diferente. Você via um sentimento na Casa, as pessoas falavam ‘se você for, eu vou com você’. Fazendo as contas, havia a possibilidade real de ganhar a eleição, isso até antes de Coronel sair candidato. Na época, eu procurei até Otto, que disse que talvez não fosse interferir, como o governador disse que não ia interferir na disputa. Aí surgiu o nome de Coronel, e Otto abraçou, porque é do partido dele. E nós fizemos esse compromisso de renovação. Como houve a possibilidade real de ganhar a eleição, nós fomos para a frente.

.ba – Marcelo Nilo diz o contrário. Segundo ele, essa talvez seja a eleição mais fácil de ganhar. O que o senhor acha disso?

LA – Ah, vai ser a mais fácil de ganhar se ele conseguir os votos da oposição, não é? Aí é fácil de ganhar. Só que a oposição tem dito que vai soltar uma carta para negociar com os candidatos. O único ponto que já foi divulgado é não ter reeleição. Se a oposição diz que um dos pontos é não ter reeleição, ela não vai votar na quinta reeleição dele. É empírico. Então, eles devem escolher Luiz Augusto ou Coronel.

.ba – Com menos de um mês para as eleições, qual o limite para definição do candidato?

LA – A oposição ficou de lançar um documento com alguns pontos. A gente tem que sentar para conversar e tentar convergir, se for possível. Se a oposição resolver escolher, por exemplo, coisas impossíveis de serem cumpridas, a gente também não vai topar. Mas se for algo possível de se cumprir e bom para a Casa de modo geral, eu tenho certeza que a gente vai topar. Parece que eles querem fazer esse documento até o dia 20 [de janeiro]. Aí vamos sentar e ver um acordo para ou eu ou Coronel aceitar os pontos e, a partir daí, resolver o critério. Chegando a esse denominador comum, se o critério for voto, a gente faz uma pré-votação, alguma coisa nesse sentido. Nós não vamos mudar de uma hora para outra o nosso pensamento.

“Quer unificar? Unifique no meu nome, ou no de Coronel. Se o governador quiser unificar no nome do Coronel, eu aceito.”

.ba – Concorda que Coronel leva uma vantagem em relação ao senhor, pelo menos ligeira, já que a bancada do partido dele é maior do que a sua?

LA – Em termos de vantagem, claro que é. Claro que sete [deputados] é maior do que cinco. Ele já sai com dois deputados a mais do que eu. Não adianta tentar tapar o sol com a peneira. Cabe a mim convencer mais gente que prefira o meu nome ao dele. Vamos tentar identificar quem as pessoas preferem mais.

.ba – Com o voto secreto, como é que vocês podem ter certeza de que não haverá traição alguma dentro da bancada de vocês?

LA – Isso não existe, né.

.ba – Marcelo Nilo tem dito que conta com votos nas bancadas de vocês.

LA – Marcelo está jogando muito. Não tenho nada contra a pessoa dele, mas ele tem jogado dessa forma. Tem dia que ele fala que tem [o apoio de] 51 deputados, tem dia que fala que tem 32, tem dia que ele fala que tem 29 assinaturas. Tem dia que ele fala que, se não for presidente da Assembleia, não vai ser candidato a senador nem participar da chapa majoritária. Tem dia que ele fala que não quer mais chapa majoritária e é candidato a deputado federal. Outro dia ele já disse que se aliou a Lídice para poder decidir lá na frente quem vai ser o candidato. Então, eu não sei o que é. A única coisa que eu sei é que estou concorrendo à presidência da Assembleia. Eu e Coronel estaremos juntos pela mudança. Se a oposição ficar conosco, e a oposição já disse que vai sair unida, eles têm entre 20 a 21 pessoas. Com 12 votos meus e de Coronel, só aí daria 32. Claro que pode ter traição, ou alguém querer colocar a sua opinião no voto secreto. Mas isso tanto tem de um lado quanto tem do outro. É mais fácil ser traído quem está no poder.

.ba – O governador já disse que irá a campo para tentar ‘pacificar’ a disputa na base.

LA – Ele até me ligou ontem para a gente marcar.

.ba – O governador ligou para o senhor?

LA – Josias [Gomes, secretário de Relações Institucionais] ligou dizendo que o governador pediu para marcar para conversar. Mas aí eu disse que ia com Coronel. Na semana que vem, vamos conversar.

.ba – E se o governador pessoalmente pedir a vocês para retirarem as candidaturas?

LA – Já passou essa fase, inclusive João Leão, no dia da reunião comigo, com Coronel e Otto, ligou para o governador. E Otto também. E eles falaram que nós vamos até o fim. Essa fase de tirar, para aparecer um quarto nome, acho que não tem sentido. Quer unificar? Unifique no meu nome, ou no de Coronel. Se o governador quiser unificar no nome do Coronel, eu aceito.

Foto: Sandra Travassos/ AL-BA
Foto: Sandra Travassos/ AL-BA

 

.ba – E se for Marcelo?

LA – Marcelo, não. Eu sou contra a reeleição. Passou a fase de botar outro nome.

.ba – Marcelo Nilo diz que por ter o apoio do PT, Rui Costa optará por ele. O PP pode rachar com o governo caso essa hipótese se confirme?

LA – Nós não vamos rachar com o governo. A minha conta é a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia. Não estou rachando com o governo. Primeiro, eu não acredito que o governador vá fazer isso. Porque seria querer brigar sabendo que já tem 32 votos do outro lado, teoricamente. Se a oposição diz que é contra a reeleição, só tem duas possibilidades: eles lançarem candidato ou apoiarem um candidato. Eu não vi a oposição dizendo que vai lançar candidato para concorrer para perder. Não vi nenhum deputado falando. Se não estão falando, é porque não estão cogitando isso. Tanto é que Marcell [Moraes] ia sair candidato, lançou o nome e depois recuou. Nós não estamos brigando, para colocar o governo em risco. Não estamos fazendo pré-eleição, para daqui a dois anos. Estamos em uma eleição para presidente da Assembleia. Porque se a gente começar a pensar que isso vai interferir na eleição para governador, vai acabar ficando Marcelo. Porque ninguém vai querer brigar, nem Otto, nem Leão. Não é isso. Vai haver uma disputa entre eu ou Coronel contra Marcelo. A não ser que Marcelo resolva sair. Se ele quiser me apoiar, não tem problema nenhum. Eu aceito o apoio de Marcelo Nilo. Eu já apoiei ele quantas vezes? O meu voto só serve para votar nele e o dele não serve para votar em mim?

.ba – O deputado Sandro Régis já fez uma despedida da liderança da oposição. Quem está conduzindo as negociações com os candidatos?

LA – Não existe ainda uma pessoa conduzindo as conversas. Eu tenho conversado com cada deputado. Se eu não me engano, eles fizeram uma comissão de quatro deputados para fazer o documento e tentar negociar esse documento. Um dos pontos seria a não reeleição. Por isso eu acho que a oposição não fica com Marcelo. Não fariam um documento defendendo a não reeleição e votariam na reeleição. Seria a incoerência da incoerência. Se Marcelo apresentar um nome e a oposição resolver ficar com ele, aí é outra coisa. Seria a renovação também. Marcelo perdeu a oportunidade de sair da presidência fazendo uma negociação e unificando a Assembleia. Ele preferiu ir para o confronto. Estou dando o meu nome como opção caso os deputados queiram renovar.

.ba – O PP já deu demonstrações de querer mais espaços no governo. O partido já definiu nomes na reforma administrativa de Rui?

LA – Nós, do PP, estamos satisfeitos com o que temos. O que houve foi uma promessa, acho que do governador, junto a alguns deputados federais que votaram a favor da presidente Dilma. Ele ficou de fazer alguma compensação, porque os deputados federais perderam todos os cargos que tinham na Bahia.

.ba – Mas para deputados de todos os partidos?

LA – Olha, se ele falou com os deputados nosso partido, pode ser que tenha falado com todos os outros.

“Nunca ouvi ninguém falar em rompimento ou mudança de lado. Agora, em política você não pode dizer que daqui a dois anos vai ser a mesma coisa de hoje.”

.ba – O que seria essa contrapartida?

LA – Não sei. Teria que falar com os deputados federais. No caso do PP, os quatro deputados e o senador votaram a favor de Dilma. Acho que, se o governador quiser compensar o partido que foi fiel a ele em Brasília, isso não quer dizer que a gente está procurando mais espaço no governo.

.ba – Atualmente, o vice-governador é do PP. Já dá para cravar que vocês estarão aliados ao PT em 2018 ou ainda é cedo?

LA – Ninguém sentou para discutir isso, mas a tendência é que sim. O vice-governador se dá muito bem com o governador. Nunca ouvi ninguém falar em rompimento ou mudança de lado. Agora, em política você não pode dizer que daqui a dois anos vai ser a mesma coisa de hoje. Política é como nuvem: você olha para o céu, está de um jeito, daqui a pouco está de outro jeito. Seria prematuro eu falar ou garantir qualquer coisa daqui a dois anos.

.ba – Ainda mais se acontecesse de João Leão ficar fora da chapa majoritária…

LA – É isso que eu estou falando. Tem muita água para passar debaixo da ponte. Ninguém sabe o que pode ocorrer, mas eu acredito que o nosso partido vai estar junto. Somos o segundo partido em eleger prefeitos no interior. Dificilmente não estaríamos participando da chapa majoritária. Acho muito difícil que haja alguma alteração nesse sentido.

Mais notícias