Publicado em 24/09/2016 às 11h00.

Pentacandidato, Da Luz diz que deixa de ganhar dinheiro com política

Presidente do PRTB afirma que sua equipe “está na campanha porque quer” e defende tese de que quem vota em ACM Neto elege "Bruno Reis para Geddel mandar”

Evilasio Junior / Rodrigo Aguiar / Rebeca Bastos
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

 

Em sua terceira tentativa de se alçar prefeito de Salvador (já aspirou o governo do Estado em outras duas oportunidades), o candidato a prefeito de Salvador, Rogério Tadeu Da Luz (PRTB), rejeita os resultados das pesquisas de intenção de votos, em que não chega a pontuar, e diz que estará, sim, presente no segundo turno da eleição de 2016. Presidente estadual e municipal da sigla, ele garante que faz política por “gostar”, mas que sua carreira pública, “pelo contrário”, não lhe rende benefícios monetários.

Conforme o postulante, seus recursos são provenientes de sua atuação como corretor de imóveis e quem trabalha na eleição com ele “está na campanha porque quer”. “O PRTB não tem cargos em lugar nenhum, nem no governo estadual, nem no municipal, nem no espacial. Então, a gente poderia sim lucrar, se eu tivesse essa maneira de agir. […] Se fosse para ser um secretário, aí sim, porque eu teria a opção de fazer com que a aquela secretaria desse certo”, sugeriu.

Sobre a participação do humorista Chiquinho em sua campanha, ele assegura que o ator é voluntário e, aspirante ao Legislativo, pretende ser um vereador diferenciado. “A Câmara tem hoje pessoas que trabalham com cachorrinho, com gatinho, gente que cuida das empresas de ônibus, taxista também tem um, tem gente que cuida de tudo. Mas não tem nenhum vereador que se colocou para ser o guardião das crianças”, cutucou.

Último entrevistado da série especial do bahia.ba com os prefeituráveis da capital baiana, Da Luz alfineta ACM Neto (DEM) e diz que, quem apoiar a sua reeleição, “está votando em Bruno Reis para Geddel mandar”. Ele também se autointitula “doido por Salvador” e flerta com o Pastor Sargento Isidório (PDT), por quem diz nutrir amizade. “Se ele fosse para o segundo turno, e eu não estivesse lá, com certeza eu o apoiaria, porque sou doido junto com ele”, admite.

O concorrente ao Palácio Thomé de Souza afirma ainda que, se eleito, vai economizar R$ 2 bilhões com a extinção de 30% dos postos comissionados e terceirizados na prefeitura e aplicar todo o recurso em educação e saúde, setor em que ele propõe que os prefeitos e seus familiares usem os serviços públicos.

Em relação à polêmica que envolveu o comandante nacional da sua sigla, Levy Fidelix, na última corrida presidencial, o candidato confessou concordar com a afirmação do aliado, de que “aparelho excretor não reproduz”. Considerada homofóbica, a declaração no debate da TV Record rendeu ao chefe do PRTB uma condenação a pagamento de R$ 1 milhão.

“Não podemos esconder uma situação biológica dessas. Porque, contra a biologia, ninguém vai trabalhar e ele não falou nada mais do que o óbvio. Estranha é a reação da candidata [Luciana Genro, PSOL] na hora que polemizou em cima de uma afirmação tão óbvia. E ela, a mesma candidata que se horrorizou com essa declaração, foi lá apoiar Nicolás Maduro [presidente da Venezuela], que fala exatamente, sabe o quê? Chama de ‘maricon’ o adversário dele”, comparou.

Confira a entrevista na íntegra:

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

 

bahia.ba: É a terceira vez que o senhor tenta chegar à prefeitura e outras duas vezes já se candidatou ao governo. Por que não tentar um cargo legislativo, como vereador ou deputado?

Da Luz: Olhe, é uma ótima pergunta. Eu sou presidente do PRTB da Bahia e eu gosto de formar lideranças e dar oportunidades para aqueles candidatos que não são ditos os ‘tubarões’, candidatos já com mandatos, para que a gente renove a Câmara levando pessoas da comunidade, pessoas que realmente têm essa luta como bandeira. E oportunidade para aqueles que não vão ter tantos votos para disputar. Então, o que eu peço, e aproveito aqui, é para que as pessoas coloquem o PRTB na Câmara dos Vereadores. É importante que o nosso partido faça parte da Câmara dos Vereadores. Votem 28 para vereador para que a gente tenha candidatos do povo, pessoas honestas, trabalhadoras. A gente precisa ter esse tipo de renovação. Para prefeito, como eu falei, a gente tem um projeto, o partido tem um projeto, sua particularidade, o seu ideal, que, às vezes, nem sempre bate com a atuação dos outros partidos, na forma da ação, da correção, do pensamento. Então, a gente lança, como São Paulo também lançou, um candidato a prefeito para ter essa bandeira do partido, mostrar a que veio, quais os projetos e a suas propostas. Eu sou o presidente municipal e estadual. É importante fazer vereador, mas não necessariamente precisa ser eu, porque será um gabinete do PRTB na Câmara dos Vereadores, do qual, com certeza, estaremos ajudando enquanto prefeito, mas com todos os partidos, porque eu não quero trabalhar com base governista. Eu quero trabalhar. Eu já vou começar por aí, até porque, essa é a principal bandeira do meu projeto, que vai tornar tudo possível. Daqui para frente, tudo o que a gente vai tratar só vai se tornar possível porque eu vou cortar os cargos de indicação política, aqueles cargos que a gente chama de políticos – os comissionados. Eu acho até estranho o nome, parece que vai para receber uma comissão por estar apoiando a tal da governabilidade. Eu venho batendo nessa governabilidade e digo que é o maior veneno do país hoje, não só em Salvador, mas em todos os lugares. E está provado aí o preço governabilidade. É dar cargos em lugares estratégicos a partidos que estão ali para arrecadar. Então, eu quero administrar com todos os vereadores, sem exceção, com todos os 43 que o povo colocar lá. Eu não vou ter nenhum projeto polêmico, nem projeto que seja contra a população, para precisar de base governista para ser votado. Eu quero fazer coisas simples, como creches para todas as crianças e fazer a saúde funcionar, porque eu uso o serviço público e eu acredito também que deveria ser obrigatório a todo prefeito utilizar o serviço público, tanto para seus filhos, quanto para eles mesmos.

.ba: Esse botom que está usando hoje, o senhor comentou que ganhou na eleição municipal anterior. O senhor não mudou, inclusive, a inscrição que aparece aí, mas chegou a pensar em colocar ‘Da Luz Governador’, mas não colocou. Se não for eleito agora, vai sair candidato a governador de novo em 2018?

DL: Não, isso aí foi em 2012, que eu saí a prefeito e guardei [o botom]. Quando concluiu a eleição, a gente já tinha essa intenção de, caso a gente não conseguisse lograr êxito para governador, a gente iria se candidatar a prefeito. O que não é o caso agora. Eu peço para o eleitor não votar pelo Ibope porque, senão, o Ibope estaria elegendo pessoas, né? Foram três eleições seguidas que o Ibope disse quem ganharia era Paulo Solto.

.ba: Fora a presidência do PRTB, o senhor tem alguma outra atividade? O senhor vive com o dinheiro que ganha do partido?

DL: Eu trabalho com imóveis. Me formei em corretor em 1996 e, desde lá, virei um consultor. Mas um consultor de áreas. Coisas grandes ‘assim’ eu não trabalho não, não gosto. Mas já trabalhei muito. Já trabalhei com imóveis lá em Porto Seguro, tive parceria com um condomínio. Mas eu, minha função, eu sou analista de sistemas. Aqui na Bahia eu exerço essas duas funções, das quais a política me leva muito tempo.

.ba: Rende algum dinheiro para o senhor ser presidente estadual do partido?

DL: Nada. Aliás, pelo contrário. Deixo de ganhar dinheiro, né? Porque eu deixo de ganhar dinheiro dentro da minha atividade porque eu ocupo tempo com a política e deixo de fazer atividades dentro do meu trabalho. Mas é uma coisa que a gente gosta de fazer e a gente tem que tentar balancear para sobreviver.

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

 

.ba: O senhor lucra alguma coisa em ser presidente do partido como, por exemplo, cargos?

DL: Rapaz, esse é que é o negócio. O PRTB não tem cargos em lugar nenhum, nem no governo estadual, nem no municipal, nem no espacial. Então, a gente poderia sim lucrar, se eu tivesse essa maneira de agir. Mas como eu sou contra cargos comissionados… Foi uma vez só que eu trabalhei dessa maneira aqui em Salvador [na gestão de João Henrique], e trabalhei muito, por sinal, mas eu não achei legal. Se fosse para ser um secretário, aí sim, porque eu teria a opção de fazer com que a aquela secretaria desse certo. Eu, com certeza, faria que aquela secretaria desse certo. Se o prefeito não desse certo, eu com certeza faria aquela secretaria funcionar. Por exemplo, me dê a Secretaria de Educação e tenha certeza que se teria a melhor secretaria da cidade ou do Estado. É esse o desafio. Então, se tem um cargo que eu realmente sou a favor, é o de secretário. Vou manter o cargo de secretário e uns quatro ou cinco assessores próximos para ele poder desenvolver o trabalho dele. Mas, fora isso, trabalhar com os funcionários públicos, que para mim são a essência para desenvolver um serviço público de qualidade, porque eles devem ter plano de cargo e carreira. Já esses nomeados chegam ocupando diretorias, superintendências, espaços que deveriam ser de um funcionário público que, neste modelo, nunca vai ser promovido. Imagina o que é você trabalhar em um lugar e saber que você nunca vai ser promovido. A pessoa fica naquela situação, que não vai nem para trás, nem para frente, que é a pior situação que você pode ficar em nível de desmotivação total do seu desempenho de trabalho. Então, a gente está propondo essa forma nova de fazer. Quando eu vier com mil creches, eu quero ver quem é o vereador que vai votar contra. Quando eu propuser colocar as UPAs e os PSFs para funcionarem 24h, quero ver quem é que vai ser contra. A gente não tem nada de maldade para fazer. Vamos derrubar esse PDDU da forma que foi feito. Para aprovar coisa ruim, como aumento do IPTU, essas coisas aí, você precisa de base governista. Mas a governabilidade, na verdade, é exatamente o contrário que está se mostrando e vira a ingovernabilidade.

.ba: Até o momento, a sua campanha não tem receitas nem despesas registradas no TSE.

DL: Mas se eu não tive ainda!

.ba: O senhor não tem nenhum custo eleitoral, nem doações: Nada?

DL: Não tive nenhuma doação ainda. Nada. Inclusive, se alguém quiser doar, ainda está em tempo. Rapaz, é o que eu estou dizendo, a gente não trabalha com algumas coisas. Eu não tenho nem santinho. Então, já dá para explicar. Pretendo fazer? Pretendo. Mas como é que eu vou fazer se a gente não tem apoio de nada? Trabalhamos com as armas que temos. Na internet, que é gratuita, eu estou trabalhando a questão do marketing pensado. E vamos ver daqui para frente como é que a gente vai fazer. Se pudermos disponibilizar com alguns amigos, porque eu não dou nada em troca. Aí fica difícil você ter empreiteiras como você vê lá com os outros. Antes eram as empreiteiras, agora são os donos.

.ba: Mas não tem despesa? O senhor não tem profissionais que trabalham na campanha, como assessores?

DL: Não. Quem está na campanha está porque quer.

.ba: Mas o senhor não gasta com a propaganda eleitoral da televisão? Chiquinho, por exemplo?

DL: Não. Chiquinho não cobra para fazer. Ele é candidato também. Entendeu? Então não existe isso. Um grava aqui, edita ali, posta lá, como todos os anos. Cada um ajuda com o que pode e aí depois nós vamos fazer a prestação de contas com o que temos. Mas, ressalto, não tive ajuda nenhuma. Nenhum recurso. Inclusive, vou aproveitar e pegar uma ajuda aqui com vocês, com Evilásio, pessoa física (risos).

.ba: Sobre Chiquinho, como é que ele veio para cá para ser candidato? Ele é também o marqueteiro da campanha?

DL: Olha, o Chiquinho é uma grata surpresa. É uma pessoa que eu conheci há dois anos e é uma pessoa evangélica, uma pessoa séria. Essa personagem que ele faz não tem aquelas piadas de duplo sentido. Ele nunca ofendeu ninguém. Sempre foi uma personagem ingênua, digna dos gênios. Eu considero essa personagem, Chiquinho, uma dádiva de Deus, fazer assim do jeito que ele fez. Mas aí, o que é que acontece? Ele sempre teve esses shows beneficentes, sempre ajudou as crianças. Ele não tem essa coisa voltada para o capitalismo. Aí eu o chamei para participar da política, porque ele tem esse carinho todo do público. Aí viemos conversando, e ele sempre pensando como é que poderia trabalhar. Na Câmara tem hoje pessoas que trabalham com cachorrinho, com gatinho, gente que cuida das empresas de ônibus, taxista também tem um, tem gente que cuida de tudo. Mas não tem nenhum vereador que se colocou para ser o guardião das crianças. E ele tem esse projeto. Inclusive, no gabinete dele, só vai entrar adulto que esteja acompanhado de criança, porque vai ser um gabinete para criança, para atender às necessidades da criança. Então, como tem lugares onde a criança só entra se estiver acompanhada de adulto, no gabinete dele, caso ele venha a ganhar, só vai entrar se tiver acompanhado de crianças. Eu achei esse projeto legal. Infelizmente, a gente não tem o tempo ideal para poder mostrar quem ele é, nem o tempo nem a estrutura, mas eu confio em Deus e acredito que o povo vai entender que colocar uma pessoa do PRTB na Câmara vai ser importante para poder fazer um contraponto com os que estão lá e só balançam a cabeça, que nem calango expiador, dizendo sim para tudo, ou não. Tipo, se é da governabilidade diz sim, se é da oposição diz não, sem analisar o conteúdo das coisas. Vamos ter essa independência de analisar o que é o melhor para a cidade e não ser sempre do contra. Temos que ser equilibrados.

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

 

.ba: Na última eleição, no segundo turno, o senhor anunciou apoio ao candidato do PT Nelson Pelegrino. O senhor tem uma identificação maior com o PT do que com os outros partidos? Este ano, pode-se dizer que o seu nome é mais alinhado ao governador Rui Costa do que ao prefeito ACM Neto?

DL: Veja bem, em 2012, nós tínhamos a seguinte situação: existia um grupo de candidatos no qual entrei e, em reunião conjunta, decidiu que iria apoiar Pelegrino. Eu, como sou democrático, aceitei. Eu assumi o partido em abril de 2012, faltando um mês e pouco para começar a eleição, e já existia uma situação anterior. Quando eu entrei, respeitei as pessoas que já estavam lá, ouvi e respeitei exatamente o que estava sendo programado. Porque, na verdade, não ia ter candidatura própria. Aí, quando saiu a aprovação da candidatura própria em Salvador, eu conversei que a decisão ia sair de uma reunião sobre o segundo turno. Aí, no segundo turno, isso foi decidido novamente, mas acabou que não influenciou em nada, porque ele [Pelegrino] não chegou a ter êxito.

.ba: Caso o senhor não obtenha votação suficiente para um possível segundo turno, entre Alice Portugal e ACM Neto, a tendência seria de o senhor apoiar quem?

DL: Não tem tendência nenhuma. Mas, já que você perguntou isso ai, eu aproveito para falar para as pessoas que o projeto de ACM Neto é ser candidato a governador da Bahia. Eu fiz até um documento, no qual ele se comprometeria a não sair do cargo antes de quatro anos, mas ele falou que não assina documento nenhum. Por que eu estou falando isso? Porque se não for assim, se ele ganhar a eleição e daqui a um ano renunciar, ele vai passar dois anos e nove meses para Bruno Reis, que é do PMDB, que tem Geddel Vieira Lima como líder aqui na Bahia. Então, eu queria falar assim, de forma mais clara, para que as pessoas saibam. Quem está votando em Neto está votando em Bruno Reis para Geddel mandar, que é de um partido que assumiu a Presidência [da República] sem voto. Estão querendo assumir sem voto também aqui em Salvador. Eu gostaria de disputar com o Bruno Reis, pois eu queria disputar honestamente com quem realmente está na disputa. Eu quero que as pessoas parem e analisem qual é o tom dessa campanha.

.ba: Partindo desse pressuposto, o seu principal adversário é ACM Neto?

DL: Não, não estou com pressuposto nenhum. Só estou dizendo que eu gostaria de disputar com o candidato real do negócio. E não estou nem desmerecendo o Bruno Reis, pelo contrário, tenho simpatia, sempre foi muito educado comigo nas oportunidades em que conversamos. Só estou questionando que em uma campanha… Eu tenho muita amizade com o ‘Doido’ [Sargento Isidório]. Se ele fosse para o segundo turno, e eu não estivesse lá, com certeza eu o apoiaria, porque sou doido junto com ele, “Doido por Salvador”. E a gente vê muitas divergências de forma de trabalhar em relação ao governo atual. Arrecada de forma pesada. Não é a minha maneira de trabalhar. Eu quero é aliviar e ver o povo com dinheiro. Porque, uma multa que a gente dá para a pessoa, já são quatro pizzas que a pessoa deixa de comer no mês, né? Estou só transformando essa conversa em pizza. Uma multa de R$ 100 são quatro pizzas mesmo que a pizzaria deixa de vender, o motoboy deixa de levar, o pizzaiolo deixa de fazer e aí vai criando problemas. Eu estou dando exemplo de todos os segmentos: é loja, é bar, restaurante, todos os segmentos perdem quando você tira dinheiro do bolso da pessoa. Eu sou a favor do dinheiro na mão do povo. E para que isso? A minha forma de governar vai ser economizar, vou cortar 30% de gastos. A maioria, quase 100% disso, vai vir do corte desse pessoal terceirizado. ACM Neto, se você for lá em 2013, ele disse que iria cortar 20% dos gastos com os terceirizados e nomeados e, com isso, economizaria R$ 600 milhões. Só que ele acabou aumentando o gasto em 1.180% com os cargos nos gabinetes. Quem diz isso é o TCM [Tribunal de Contas dos Municípios]. Cargos em gabinetes de R$ 16 mil, R$ 17 mil, 19 mil, coisas que não cabem em uma cidade em que você tem professores e agentes de saúde ganhando bem menos. Então, essa forma não é a forma que eu pretendo governar.

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
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.ba: O senhor é o candidato com o maior índice de rejeição, segundo os institutos de pesquisa. A que o senhor atribui o fato? É a sua forma de se comunicar com o eleitorado?

AL: Atribuo à mentira de Ibope, né? É um instituto que não tem credibilidade nenhuma. Eu saio na rua e vejo o contrário.

.ba: O senhor até ironizou quando saiu o resultado e “comemorou” estar em “primeiro lugar”…

DL: É. Fico feliz quando o Ibope me coloca em primeiro lugar [de rejeição]. Só não quero que me coloque em primeiro lugar positivamente, porque as três últimas eleições em que ele colocou o Paulo Souto em primeiro lugar ele perdeu em primeiro turno. Tenho o maior medo de estar em primeiro lugar e perder no primeiro turno. Vamos deixar que a população entenda que é hora de mudança, porque não adianta trocar seis por meia dúzia. O político tem carimbo na testa se ele é honesto ou não. Quanto mais material ele tiver, você sabe que ele teve mais doações de campanha. E quanto mais doações de campanha, mais vínculos com as empresas. Hoje, os diretores dessas empresas estão todos presos. Olha só a relação promíscua que tem esses políticos com esses empreiteiros. E estou generalizando mesmo, em todos os segmentos, em todos os partidos, menos o PRTB, que não teve essa movimentação. Isso muito dignifica o partido, que não se envolveu com nada disso. Eu não tenho vergonha de não ter recebido doação, pelo contrário, eu teria vergonha se tivesse recebido doação de pessoas que eu não quero que me deem um real.

.ba: O presidente nacional do seu partido, Levy Fidelix, foi condenado, em março do ano passado, a pagar R$ 1 milhão por declarações consideradas homofóbicas no debate da TV Record, durante a campanha presidencial de 2014. O senhor concorda com a afirmação de que “aparelho excretor não reproduz”? Defende o presidente?

DL: Rapaz, 100%, porque aparelho excretor não reproduz. Não podemos esconder uma situação biológica dessas. Porque, contra a biologia, ninguém vai trabalhar e ele não falou nada mais do que o óbvio. Estranha é a reação da candidata [Luciana Genro, PSOL] na hora que polemizou em cima de uma afirmação tão óbvia. E ela, a mesma candidata que se horrorizou com essa declaração, foi lá apoiar Nicolás Maduro [presidente da Venezuela], que fala exatamente, sabe o quê? Chama de ‘maricon’ o adversário dele. E fala outras coisas que eu não posso nem falar aqui porque eu teria vergonha das coisas que o Nicolás fala do adversário dele. São dois pesos, duas medidas. Para mim, todos são iguais, não tem diferença de preto para branco, de pobre para rico, de homossexual para heterossexual, ou qualquer tipo de religião. Eu não tenho preconceito com nada. Essas divisões que estão sendo feitas na sociedade são para poder enganar a própria sociedade. Eu acredito que é o decálogo de Lenin [os dez mandamentos da esquerda] que prega, exatamente, dividir, porque a maneira correta é que a sociedade esteja unida em torno de um mesmo ideal. Eu não acho isso bom pra ninguém, a não ser para quem quer enganar os otários que somos nós. Não acho interessante esse tipo de divisão não. Sou a favor de que todos somos iguais perante a Deus e perante a Justiça, até porque na Constituição está escrito isso.

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

 

.ba: A proposta de militarização da educação é também um alinhamento partidário?

DL: É uma questão de lógica, até porque, o problema todo é a situação que se encontra a segurança pública. Ou a gente coloca uma meta para que essas crianças tenham disciplina e possam ter um futuro melhor, ou aquela criança que não está pegando o lápis, ela mesma vai pegar uma arma e virar bandida. A criança que a gente não dá o lápis, estamos propiciando esse tipo de situação, deixando ela em situação vulnerável. Nós somos a favor que, assim como acontece nos Dendezeiros, no Colégio da Polícia Militar, a gente possa ter escolas funcionando com o mesmo grau de disciplina e mesmo grau de educação. De lá saem muitos alunos que conseguem passar na Ufba. Então, eu acho isso importante, que a gente possa ter uma educação de qualidade.

.ba: O senhor tem um minuto para pedir o voto do eleitorado de Salvador.

DL: Peço para o eleitor me ajudar nessa cruzada. Você que já vota em mim, vote no meu vereador também. Não precisa citar o Chiquinho, nem outros vereadores, mas o 28 é importante para que a gente tenha um gabinete lá dentro da Câmara para poder representar as nossas propostas. Outra coisa é que o Ibope não elege ninguém, para você não ficar achando que eleição é corrida de cavalo. Para não ficar achando que vai votar no que vai ganhar. Se você sempre votou no que ia ganhar e você continua na fila do hospital, ou continua tendo problemas na segurança pública em geral, então não está funcionando e ganhar está significando perder. E pedir que as pessoas analisem as propostas, os projetos, porque nós temos condição de, com os R$ 2 bilhões que vamos economizar, que são esses 30% dos cargos, realmente fazer uma transformação. Creches para 100% das crianças e saúde 24h em todos os bairros. É 28 na cabeça. É 28 vereador e 28 prefeito!

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