Publicado em 12/05/2018 às 18h30.

Com foro restrito, STF baixa de instância ao menos 65 processos

Ministros do Supremo Tribunal Federal enviaram pelo menos 65 processos a instâncias inferiores, dos quais no mínimo cinco são relacionados à Lava Jato

Agência Brasil
Foto: Arquivo/Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Arquivo/Antonio Cruz/Agência Brasil

 

Menos de dez dias depois que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu restringir o alcance do foro privilegiado de deputados e senadores, no último dia 3, ao menos 65 processos foram baixados para instâncias inferiores, dos quais no mínimo cinco estão relacionados à Lava Jato e seus desdobramentos.

Com isso, começa a ser reduzido o número de inquéritos e ações penais contra pessoas com foro especial que tramitam no Supremo. Antes, o total chegava a 540 processos, sendo cerca de 100 relacionados à Lava Jato.

Segundo o novo entendimento do STF, só devem permanecer na Corte processos contra parlamentares que apurem fatos ocorridos durante e em razão do mandato.

Pente-fino – O primeiro ministro a remeter processos para a primeira instância após o julgamento foi Dias Toffoli, que assinou despachos declinando ações e inquéritos ainda no mesmo dia da decisão em plenário.

 

Entre os inquéritos declinados estão investigações como a que apura a participação do senador Aécio Neves (PSDB) em desvios de cerca de R$ 5 milhões nas obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais, entre 2007 e 2009, quando foi governador.

Critérios – A grande maioria dos processos remetidos a outras instâncias se enquadra na tese de que o parlamentar não ocupava o cargo na época em que os supostos delitos teriam ocorrido.

É o caso do inquérito enviado por Fachin ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato no primeiro grau, no qual o senador Fernando Bezerra (MDB-PE) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção, ainda em 2016.

Ele foi acusado de ter recebido ao menos R$ 41,5 milhões em propina de empreiteiras que atuaram nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Alguns processos, porém, dizem respeito a crimes que teriam ocorrido quando o parlamentar já havia assumido o cargo, mas que não tem relação com o exercício do mandato.

É o caso do inquérito em que o deputado Tiririca (PR-SP) é investigado por assédio sexual, e que foi remetido à Justiça de São Paulo pelo ministro Celso de Mello. Não há detalhes sobre a investigação, que corre em sigilo.

Confira abaixo os demais parlamentares que tiveram processos remetidos a outras instâncias

Senador Ivo Cassol (PP-RO) – Justiça Eleitoral de Rondônia

Deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR) – Justiça estadual do Paraná

Deputado Alberto Fraga (DEM-DF) – Justiça do Distrito Federal

Senador Dário Berger (PMDB-SC) – Justiça estadual de Santa Catarina

Deputado Marcos Reátegui (PSD-AP) [duas ações penais] – Justiça Federal do Amapá e Justiça estadual do Amapá

Deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG) – Tribunal Regional Federal da 1ª Região

Deputado Cícero Almeida (PHS-AL) – Justiça estadual de Alagoas

Senador Cidinho Santos (PR-MT/licenciado) – Justiça estadual do Mato Grosso

Deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL) – Não divulgado

Deputado Helder Ignácio Salomão (PT-ES) – Justiça estadual do Espírito Santo

Deputado Roberto Góes (PDT-AP) – Justiça Estadual do Amapá [5 ações penais]

Deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) – Justiça Federal de Alagoas

Senador Jader Barbalho (MDB-PA) – Justiça Federal do Pará

Deputado Wladimir Costa – não divulgado

Deputado Roberto Marinho – Justiça Federal do Rio Grande do Norte

Deputado Marco Tebaldi (PSDB-SC) – não divulgado

Deputado Alceu Moreira (MDB-RS) – Justiça estadual do Rio Grande do Sul

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