Publicado em 08/06/2019 às 16h26.

“Me sinto agredido como advogado e cidadão”

Advogado envolvido em discussão no Fórum do Imbuí espera punição a magistrada

Marcus Murillo

Foto: divulgação

Não demorou muito e a Associação de Magistrados da Bahia (AMAB) saiu em defesa da juíza Isabela Kruschewsky, titular da 32ª Vara dos Juizados Especiais e da 2ª Turma Recursal da Comarca de Salvador. Na última quinta (6) a juíza se envolveu em uma discussão com o advogado Paulo Kleber Carneiro Filho, o que gerou tumulto no Fórum do Imbuí, envolvendo até a Polícia Militar. O site da entidade publicou nota de desagravo por causa das agressões verbais e a tentativa de intimidação que a magistrada teria sofrido por parte do advogado.

A nota assinada pela presidente Elbia Araújo informa que “inconformado com o rumo da reunião, lamentavelmente, o Bacharel optou por exercer o seu inconformismo através da truculência e arbitrariedade, infringindo os limites de urbanidade e respeito, chegando a insinuar que a Magistrada recebia vantagens indevidas, ante a inexistência de argumentação jurídica válida e relevante”.

“A minha acusação foi simples: nós consideramos que a doutora Isabela julga apenas e tão somente a favor dos bancos, a favor dos grandes conglomerados. O que eu disse é que o entendimento dela é sempre em prejuízo do consumidor. Não sei informar qual a relação da juíza com sistema bancário”, rebate o advogado, que complementa: “me sinto agredido como advogado. Me sinto agredido como cidadão. Alguns juízes que desrespeitam a advocacia de forma constante, de forma violenta, porque nada mais violento do que agredir um advogado no meio de juízes durante uma sessão. Me sinto vilipendiado, me sinto violado, não só nas minhas prerrogativas, mas nos meus sentimentos mais internos”.

A entidade representativa da classe dos advogados no estado também assumiu a defesa de seu representado. A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Bahia (OAB-BA), através da Comissão de Defesa das Prerrogativas, acompanhou Paulo Kleber Carneiro Filho até a delegacia onde foi registrada a ocorrência do fato. Com o apoio da entidade, o advogado acredita que devidas providências serão tomadas contra a magistrada. “Eu aguardo a OAB, que já vem me apoiando, me apoiou na delegacia, através da comissão de prerrogativas. Espero que agora o Tribunal de Justiça tome medidas fortes, firmes, enérgicas contra essa juíza e contra qualquer juiz que atente contra o advogado, contra princípios gerais de cordialidade e urbanidade. O que eu quero agora é que a justiça seja feita. Não é porque ela é juíza que deve ser tratada como semi-Deusa. Ela é juíza e, se errou, cometeu o crime que cometeu, contra minha honra, tem que arcar e cumprir o que a legislação determina”, declarou o advogado.

A confusão no Fórum do Imbuí é mais um capítulo do embate entre advogados e juízes. No final de abril o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) aprovou a Resolução Nº 8, que permitiria aos magistrados atender advogados somente com autorização prévia. A medida foi proposta pela Associação dos Magistrados da Bahia (Amab).

Após recurso da OAB-BA, o corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, determinou que a Resolução Nº 8, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), não pode proibir o atendimento a advogados. A decisão teve atuação do vice-presidente da OAB Nacional, Luiz Viana, que despachou com o corregedor.

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