Publicado em 18/10/2018 às 16h18.

Moro diz que não tentou influenciar eleição com delação de Palocci

Juiz federal afirmou que "não pode interromper os seus trabalhos apenas porque há uma eleição em curso"

Redação
Foto: CGTN America
Foto: CGTN America

Após ser provocado para dar explicações ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o juiz federal Sérgio Moro afirmou que não ‘inventou’ o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci e que não houve de sua parte “qualquer intenção de influenciar as eleições gerais de 2018”. O pedido de justificativa foi feito pelo PT ao CNJ.

Moro afirmou que “não pode interromper os seus trabalhos apenas porque há uma eleição em curso”. Ele defendeu que tirar o sigilo de parte da delação era uma medida “necessária pois caso haja condenação terá este Juízo, na sentença, que dimensionar benefícios decorrentes da colaboração para Antônio Palocci Filho”.

“Foi promovida a juntada apenas de cópia do acordo, da decisão de homologação e do termo de depoimento da colaboração n.º 1, uma vez que, após análise, constatou este Juízo que a sua publicidade não prejudicaria as investigações em curso. Há outros depoimentos, alguns mais contundentes”, apontou.

Moro diz ainda que as peças não haviam sido juntadas anteriormente, porque “apenas em 24 de setembro de 2018, a autoridade policial peticionou ao Juízo apresentando elementos de corroboração acerca das declarações de Antônio Palocci Filho”.

“Então, este julgador aguardou esse momento processual para prevenir que a divulgação prematura do depoimento comprometesse a colheita da prova de corroboração. Apesar do alegado pelos Requerentes, o Partido dos Trabalhadores e os Deputados Federais Paulo Roberto Severo Pimenta, Wadih Damous e Luiz Paulo Teixeira Ferreira, não houve da parte deste juiz qualquer intenção de influenciar as eleições gerais de 2018”, escreve.

O juiz da Lava Jato afirmou ainda ao CNJ que “caso fosse intenção influenciar nas eleições teria divulgado a gravação em vídeo do depoimento, muito mais contundente do que as declarações escritas e que seria muito mais amplamente aproveitada para divulgação na imprensa televisiva ou na rede mundial de computadores”.

“Antecipando-se a um desejado ‘controle social da Administração da Justiça’, o que quer que isso signifique, buscam, estes mesmos agentes políticos, através de provocação ao Conselho Nacional de Justiça (cuja composição desejam, aliás, alterar), cercear decisões da Justiça que contrariam os seus
interesses partidários, mesmo às custas da aplicação da lei a crimes de corrupção”, assinala o magistrado.