Publicado em 01/11/2018 às 19h00.

Moro no governo compromete ‘imagem social’ do Judiciário, diz Ayres Britto

"Os magistrados devem manter o máximo de distância dos outros dois poderes [Executivo e Legislativo]", defendeu

Redação
Brasília - O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Brito participa do seminário sobre a subtração internacional de crianças e às exceções estabelecidas pela Convenção de Haia de 1980. (José Cruz/Agência Brasil)
Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto avalia que a saída do juiz Sergio Moro do Poder Judiciário para se tornar ministro da Justiça no futuro governo de Jair Bolsonaro compromete “a boa imagem social do próprio Judiciário”, que deve zelar pela separação e independência dos poderes.

“O Judiciário se define pelo desfrute de uma independência que não pode ser colocada em xeque. Os magistrados devem manter o máximo de distância dos outros dois poderes. Isso não parece rimar com o ‘espírito da coisa’ de um membro do Judiciário pedir exoneração e já se transportar, com mala e bagagens, para um cargo do Poder Executivo”, declarou, segundo O Globo.

Ele afirma que deve prevalecer nesse caso uma “cautela”.  “Esse tipo de mudança de camisa, tão rapidamente, projeta no inconsciente coletivo, no seio da coletividade, uma imagem pouco favorável dos membros do Poder Judiciário. Ele poderia se candidatar e entrar no Legislativo, mas aí não seria uma coisa tão instantânea. Ele se desligaria voluntariamente do Judiciário e iria disputar no Legislativo”, sustentou.

Ayres Britto afirma, ainda, que a circunstância de Moro estar à frente da Lava Jato é um agravante. “O juiz Sergio Moro está à frente de um dos processos penais mais simbolicamente relevantes da história do Brasil, porque alusivo ao gravíssimo tema da corrupção serial organizada às custas do patrimônio público. Isso significa que, no imaginário coletivo, essa migração imediata do principal condutor desses processos para o Executivo redundará em prejuízo para a mais eficiente continuidade da apuração e julgamento do que ocorre no ‘andar de cima’ da sociedade”, disse.