Publicado em 28/12/2018 às 19h00.

OAB-BA se manifesta por transferência do corpo de Mãe Stella a Salvador

Transferência foi solicitada pelos integrantes do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, para realização de rituais religiosos

Redação
Foto: Antonelo Veneri / Divulgação
Foto: Antonelo Veneri / Divulgação

 

A Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA) se manifestou, em nota, pela transferência do corpo de Mãe Stella de Oxóssi a Salvador, como determinou a Justiça, nesta sexta-feira.

A transferência foi solicitada pelos integrantes do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, considerando que a sucessão espiritual que culminará na substituição da sacerdotisa prescinde da liturgia que envolve o sepultamento seguida do axexê, sob pena da inviabilização das atividades da casa e realização das obrigações.

Em nota, a Comissão Especial de Combate à Intolerância Religiosa da OAB-BA defendeu que “diante de toda uma vida dedicada ao Candomblé, mediante entrega voluntária ao sacerdócio, promovendo e defendendo a fé, além da longeva atuação na preservação da religião e da religiosidade como elementos identitários da cultura brasileira, a menos que exista disposição de última vontade (o que é desconhecido) de Mãe Stella de Oxóssi, como testamento ou codicilo, em sentido divergente, ou seja, que aponte a recusa ou negativa do ritual religioso de passagem previsto, dever-se-ia assegurar-lhe a realização, em consonância com o art. 5º, inciso VI da CF no qual verifica a inviolabilidade da ‘liberdade de crença’ e a garantia ‘na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas liturgias'”.

“Mãe Stella de Oxóssi faz jus a todas as honras reservadas a uma sacerdotisa de sua grandeza, de acordo com a tradição que durante tantos anos observou, ensinou e conferiu ampla publicidade. Assim, a prima facie, o conjunto de elementos próprios ao cerimonial fúnebre nos termos da profissão de fé da liderança religiosa deve ser rigorosamente respeitado, em consideração à memória e empenho sobre-humano da religiosa em testemunhar da religião de matriz africana de forma sensível e translúcida”, conclui a nota da OAB-BA.

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