Publicado em 08/11/2018 às 12h12.

TSE apura possível invasão de hackers no sistema interno da Justiça Eleitoral

Invasão teria acontecido no período pré-eleitoral, com possível acesso a dados sigilosos do Tribunal

Marcus Murillo
Foto: Reprodução TSE
Foto: Reprodução TSE

 

Os invasores teriam entrado de maneira remota em equipamentos ligados à rede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acessando, entre outras informações, a documentos sigilosos e ao login do ministro substituto Sérgio Banhos e do chefe da tecnologia da informação do TSE, responsável pelas urnas eletrônicas, Giuseppe Janino. As informações são do site Jota.

O assunto surgiu no tribunal após o site TecMundo, especializado em tecnologia, receber códigos sigilosos e perguntar à Corte se isso realmente violaria o sistema interno. O questionamento mobilizou a Presidência e a área técnica do TSE.

Os hackers teriam invadido o sistema Gedai-EU, que, segundo o site do TSE, é o “gerenciador de dados, aplicativos e interface com a urna, que fornece às equipes dos cartórios eleitorais e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs)”. Apesar disso, técnicos e ex-ministros da Corte garantem que essa invasão não representa nenhum risco à inviolabilidade da urna eletrônica. O acesso teria acontecido por meio de vulnerabilidades em aplicações desenvolvidas pelo próprio Tribunal. Assim, foi possível um acesso remoto a um dos equipamentos ligados à rede.

Por meio de nota, o TSE disse que recebeu um e-mail indagando sobre a ocorrência de um eventual vazamento” e que, em “decorrência disso, a Presidência do TSE está tomando todas as medidas possíveis”.

 

Bahia

A urna eletrônica foi um dos principais temas desta eleição. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, reiteradas vezes levantou suspeitas sobre os equipamentos e chegou a afirmar que o sistema de votação podia favorecer uma vitória do PT, o que levou a equipe jurídica de Bolsonaro a fazer petição ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), solicitando envio de informações sobre os equipamentos.

A coligação pediu as atas da geração de mídias das urnas; atas da cerimônia de Verificação Pré-Pós Eleição (VPP), que é parte integrante dos programas da urna, para conferir os sistemas nela instalados; as atas de carga das urnas, ou seja, sobre o processo de inseminação dos equipamentos com as informações sobre os candidatos que serão votados; e os logs do gerador de mídias (GM) de todos os computadores usados para gerar mídia no primeiro turno.

Em resposta ao pedido, o TRE-BA informou que providenciou as informações junto às zonas eleitorais, que foram gravadas em mídia digital. Elas serão repassadas à equipe via CD.