Publicado em 07/12/2017 às 08h00.

Especialistas discutem relação entre política austera e desempenho da saúde

O ressurgimento de doenças erradicadas como o Sarampo está ligado diretamente às politicas de austeridade adotadas

Redação

Especialistas do mundo inteiro se reunirão em Salvador, nesta quinta-feira (7), a partir das 8h30, para participar do VII Seminário de Gestão de Tecnologias e Inovação em Saúde. O evento será realizado na sede do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/Ufba), no bairro do Canela, em Salvador e terá como tema “Crise e impactos de medidas de austeridade na Saúde”.

Além da discussão do assunto central, também serão debatidas as possibilidades de investigações acadêmicas a partir da situação do Brasil, que recentemente aprovou uma Proposta de Emenda Constitucional que prevê o congelamento dos investimentos públicos por um período de 20 anos, apenas com a correção feita através do índice oficial de inflação.

O encontro é coordenado pelos professores Jairnilson Paim, pesquisador do ISC e uma das lideranças do movimento da Reforma Sanitária Brasileira; Maurício Barreto, Mestre em Saúde Comunitária (Ufba) e Ph.D. em Epidemiologia (Universidade de Londres) e Sebastião Loureiro, também do ISC e integrante da Academia de Medicina da Bahia, dentre outros títulos.

Na oportunidade, pesquisadores da Escócia e Reino Unido apresentarão os resultados de estudos realizados na Europa, a partir das medidas de aperto fiscal decretadas em países como Espanha e Grécia e os impactos ocasionados na Saúde.

É consenso entre os estudiosos brasileiros e estrangeiros, que tais medidas se implantadas sem estudos de possíveis variáveis de efeitos adversos que atuem negativamente e ou sinergicamente, podem comprometer uma série de direitos sociais, o desenvolvimento científico e tecnológico, e indicadores de saúde, como têm apontado pesquisas realizadas em países de diferentes continentes, inclusive no Brasil.

Maurício Barreto pontua que tais políticas tendem a ter impactos negativos, com a redução no acesso aos sistemas de saúde, com aumento de incidência de doenças crônicas e também infecciosas, além de interferências diretas na qualidade de vida da população e aumento da pobreza. “Os convidados da Europa vão mostrar um estudo desenvolvido a partir das medidas adotadas após a crise econômica de 2008 e neles há dados importantes como o aumento de doenças mentais, taxas de suicídio e epidemias de tuberculose, que é uma doença diretamente ligada à condição social da população”, afirma Barreto.

O ressurgimento de doenças erradicadas como o Sarampo está ligado diretamente às politicas de austeridade adotadas em alguns países europeus.
Segundo ele, há a possibilidade de o Brasil sofrer, no curto prazo, um revés do que foi obtido de avanço nos últimos 15 anos.

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