Publicado em 11/01/2017 às 13h20.

Fórum Econômico Mundial aponta reforma do capitalismo entre prioridades

Relatório também indica retomada do crescimento como desafio do mundo em 2017; edição deste ano do Fórum promete ser a maior reunião de todos os tempos

Célia Froufe / Estadão Conteúdo
Foto: WORLD ECONOMIC FORUM/swiss-image.ch/Photo Nadja Simmen
Foto: WORLD ECONOMIC FORUM/swiss-image.ch/Photo Nadja Simmen

 

O Fórum Econômico Mundial lançou nesta quarta-feira (11) em Londres, o Relatório de Riscos Globais de 2017. O documento apresenta os cinco principais desafios que o mundo enfrentará este ano. Os dois primeiros estão na área econômica: retomada do crescimento e reforma do mercado capitalista. No primeiro caso, de acordo com os organizadores da instituição, o aumento do populismo “anti-establishment” sugere que a sociedade pode ter passado do estágio em que este tema, sozinho, poderia atenuar algumas “fraturas” na sociedade.

Com essa avaliação, o documento passa para o segundo ponto, que é o da necessidade de reforma do mercado capitalista. De acordo com o relatório, este é um assunto que precisa ser acrescentado à agenda. “Com as surpresas eleitorais de 2016 e o crescimento de partidos que colocam em risco a soberania nacional e os valores tradicionais da Europa e em outros lugares, tende a crescer na sociedade a polarização e a intensificação do nacionalismo”, trouxe o documento.

Com isso, o relatório chega ao terceiro ponto, que é o de enaltecer a importância da identidade e da comunidade. Rápidas mudanças de atitude e áreas como gênero, orientação sexual, raça, multiculturalismo, proteção ambiental e cooperação internacional têm levado muitos eleitores – particularmente os mais velhos e com menor instrução – se sentirem para trás em seus próprios países, conforme o documento. Estes pontos, de acordo com o relatório, estão testando a coesão social e política e podem ampliar alguns riscos ainda não solucionados.

O quarto ponto é o gerenciamento de mudanças tecnológicas, que é o maior desafio dentro do mercado de trabalho, ainda que a globalização venha sendo culpada pela deterioração dos empregos. Quando uma inovação é criada, historicamente se criam novos tipos de postos de trabalho e a adaptação a esse processo pode ser lenta, de acordo com os organizadores. De acordo com eles, não é coincidência que os desafios para a coesão social e formuladores de política têm levado em conta essa nova fase de desafio tecnológico.

O quinto ponto diz respeito à proteção e fortalecimento dos sistemas de cooperação internacional. O documento cita a crise na Síria e o crescimento do fluxo de imigração. Outro tema dentro deste ponto é sobre o meio ambiente.

De acordo com os participantes, 2016 foi um ano de cristalização dos riscos políticos que levaram à eleição de líderes populistas, a uma perda de fé nas instituições e um aumento da pressão sobre a cooperação internacional. “Não devemos nos surpreender com isso: na última década, o Relatório de Riscos Globais vem chamando a atenção para fatores econômicos, sociais e políticos persistentes que têm moldado nosso cenário de riscos”.

O Fórum Econômico Mundial será realizado em Davos (Suíça) entre os dias 17 a 20 de janeiro. A edição de 2017 do Fórum promete ser a maior reunião de todos os tempos desde o início da sua fundação, em 1971. De acordo com dados da organização, já se cadastraram mais de 3 mil participantes de 100 países diferentes, incluindo 1.200 presidentes de empresas. Há a expectativa também de participação de 300 agentes públicos e mais de 50 chefes de Estado e de governo. O presidente do Brasil, Michel Temer, no entanto, não comparecerá ao evento.

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