Publicado em 12/08/2017 às 14h00.

‘Sou nazista, sim’: EUA tem manifestação contra negros, gays e imigrantes

O evento ocorreu no Estado da Virgínia e, segundo os participantes, é um aquecimento para o "Unir a Direita", marcado para este sábado

James Martins
Foto: Reuters
Foto: Reuters

 

“Não sou racista, mas…”, “Não sou homofóbico, mas…”, no Brasil muitas declarações racistas, homofóbicas, machistas e similares começam com ressalvas como essas. Nos Estados Unidos da América, porém, grande parte dos descriminadores não fazem a menor questão de se esconder atrás de meias-palavras: “Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim”, afirmou um homem, em frente à reportagem BBC, durante uma manifestação na cidade universitaria de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia.

Centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus desfilaram pelas ruas do local na noite desta sexta-feira (11). A marcha, segundo os próprios participantes, foi apenas um aquecimento para o evento “Unir a Direita”, que acontece na tarde deste sábado (12) na cidade e promete reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.

A cidade, com pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas de Washington, foi escolhida como palco dos protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal. Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados, do sul americano, buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados – o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de outro.

Os participantes do protesto desta sexta carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: “Vocês não vão nos substituir”, em referência a imigrantes; “Vidas Brancas Importam”, em contraposição ao movimento negro “Black Lives Matter”; e “Morte aos Antifas”, abreviação de “antifascistas”, como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.

Estudantes negros do campus da universidade da Virginia e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma “parede-humana” para impedir a chegada dos manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson. “Fogo! Fogo! Fogo!”, gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.

Segundo a BBC, a polícia acompanhou todo o protesto de longe e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto movido a tochas de um lado e spray de pimenta do outro. “Esta manifestação é ilegal”, afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram.

A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. “Eu aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento para a minha filha”, disse o pai. “Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país”, reforçou a mãe.

Outro homem afirmou que estava ali porque “têm o direito de se expressar”. “Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?”, questionou o homem a um grupo de jornalistas.