Publicado em 17/12/2017 às 17h30.

ʹNão torço pela prisão de Lulaʹ, declara Aécio Neves

Denunciado por corrupção e obstrução da Justiça, o senador tucano alegou que o pagamento aos seus advogados tem sido feito com muita dificuldade financeira

Redação
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Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo

 

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) concedeu uma entrevista exclusiva ao Estadão onde fala, pela primeira vez, após ser denunciado por corrupção e obstrução da Justiça com base na delação do Grupo J&F. O tucano negou ter cometido crime e alegou ter sido gravado por Joesley Batista em “uma ação planejada com a participação de membros da Procuradoria-Geral da República”.

Após a Operação Patmos, Aécio chegou a ser afastado do mandato, teve prisão preventiva decretada e ficou em recolhimento domiciliar noturno. Ele admite apenas que cometeu “um erro” ao pedir R$ 2 milhões para o empresário.

Na oportunidade, o mineiro também emitiu opiniões a respeito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sobre o agendamento do julgamento do recurso de petista no TRF-4 para janeiro, comentou: “Eu não torço pela prisão do Lula. Não torço pelo que ele representou para o país. Mas ele tem de responder para a Justiça, que não pode ser seletiva”, declarou.

“O que o ex-presidente Fernando Henrique externou é um sentimento pessoal. Temos de resgatar na eleição a capacidade de discutir o país. Temos de sair da delegacia de polícia e voltar a falar ao coração das pessoas. Precisamos restabelecer um clima minimamente respeitoso”, disse à respeito da afirmação feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual afirma preferir enfrentar Lula nas urnas do que vê-lo preso.

Questionado sobre qual será seu projeto eleitoral para 2018 e se pretende volta à Câmara, Aécio negou a possibilidade. “Minha prioridade é responder de forma serena, mas muito firme, a todas essas denúncias que envolveram meu nome. Sou o primeiro a reconhecer que cometi um erro ao aceitar, de alguém que se dizia amigo, uma ajuda para pagar meus advogados. Mas não cometi crime”, garantiu.

Economista, Neves alegou que o pagamento aos seus advogados tem sido feito com muita dificuldade financeira. “Estou pagando com toda a dificuldade do mundo, vendendo parte do meu patrimônio com ajuda da minha família. Todos esses pagamentos são registrados com origem específica. E muito aquém das expectativas iniciais dos advogados”, relatou.

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