Publicado em 22/05/2019 às 10h56.

Bolsonaro recua com a ‘Lei do Fuzil’. A ficha caiu, mesmo na base da porrada

Armar o povo por decreto, sem ouvir ninguém, é um brutal retrocesso no caminho da civilidade almejada

Levi Vasconcelos
Foto: reprodução/YouTube
Foto: reprodução/YouTube

 

Com o decreto de Bolsonaro que libera para qualquer cidadão o direito de comprar armas, incluindo até o fuzil T4, o que seria mais provável de acontecer: a sociedade sentir-se mais segura ou os bandidos, que mesmo com a proibição já estão armados até os dentes, se armarem ainda mais?

Em síntese, a segunda hipótese foi a que prevaleceu em 13 governadores, entre eles Rui Costa. Eles divulgaram uma carta de protesto, e Bolsonaro retirou o fuzil do decreto, deixando só para produtores rurais, depois de uma tempestade de críticas. Recuou um pouco, na base da porrada.

É simples. Quando o Estado libera o direito de cada um se armar, está confessando o seu fracasso na missão de conter a criminalidade. Os governadores acham, com razão, que ao invés disso, o governo deveria propor políticas de segurança mais eficazes.

Retrocesso

Para além das questões objetivas, há as aspirações coletivas dos sensatos, no afã de promover atos e fatos para a construção de uma sociedade harmoniosa.

Alguns países, como Suécia e Finlândia, já deram avanços notáveis. Outros estão indo, como o Japão, que configura uma cultura de respeito humano, mas resiste em deixar de matar baleias, ou a Suíça, onde jogar uma baga de cigarro no chão significa receber uma multa em casa meia hora depois, mas acoita ladrões de alto coturno em seus bancos.

Claro que comparado a eles, o Brasil ainda tem uma longuíssima estrada a percorrer. Mas com certeza, não se combate desatinos com outros. Armar o povo por decreto, sem ouvir ninguém, é um brutal retrocesso no caminho da civilidade almejada.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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