Publicado em 03/04/2016 às 07h40.

Cunha rompe com tradição e vota no impeachment de Dilma

O regimento da Câmara estabelece que o presidente da Casa vota em escrutínios secretos ou para desempatar votações abertas

Redação
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pode renunciar ao cargo de presidente da Câmara (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pode renunciar ao cargo de presidente da Câmara (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu votar na sessão plenária em que será decidido o acolhimento ou não do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), segundo o jornal Folha de S.Paulo. Esse ato é rompimento de uma tradição de neutralidade inerente ao cargo dele.

Adversário declarado do governo, ele votará pela abertura do processo de impedimento e prepara, em reuniões fechadas com aliados, uma série de “arapucas” para o dia da votação com o objetivo de reduzir as chances de a petista escapar de uma derrota.

O regimento da Câmara estabelece que o presidente da Casa vota em escrutínios secretos ou para desempatar votações abertas –possibilidade inexistente no caso do impeachment, já que são necessários pelo menos 342 dos 513 votos para que o Senado seja autorizado a abrir o processo contra a presidente.

Cunha já fechou com sua área técnica, porém, a interpretação de que, como não há hipótese de empate no impeachment, ele não precisa manter a neutralidade para agir em eventual desempate.

O deputado irá recorrer também ao precedente de Ibsen Pinheiro, que presidiu a votação do impeachment de Fernando Collor de Mello em 1992. Na ocasião, Ibsen votou ao final, quando já havia larga margem pela destituição do então presidente.

Temas: cunha , impeachment