Publicado em 07/11/2018 às 22h45.

De velho no novo jogo político só ficou a velhacaria, dizem políticos

Muita coisa mudou nos novos tempos. Mas nem tudo

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“Se você quer algo novo, você precisa parar de fazer algo velho”

Peter Drucker, escritor austríaco (1909-2005)

Imagem: O Globo/reprodução
Imagem: O Globo/reprodução

 

Circulando ontem pela Assembleia alguém se bateu com o deputado Fabrício Falcão (PCdoB), reeleito, e o cumprimentou: ‘Como vai, deputado? tudo bem?’.

— Vou levando, tentando entender o jogo político destes tempos. Como é que um candidato morando nos EUA se elege em Brasília?

Ele referia-se a Luís Miranda (DEM), que em 2014 foi morar em Miami esbravejando contra o alto custo da Arena Mané Garrincha, o estádio mais caro da Copa. Lá fez a vida comprando e vendendo imóveis e carros, e virou youtuber, dando dicas de como empreender nos EUA.

Entre prefeitos

O maior exemplo de que os tempos mudaram é o próprio Bolsonaro, que se elegeu presidente sem partido, sem aliados e sem dinheiro, também apostando nas redes sociais. Mas entre os políticos, há o consenso de que o jogo também se diferenciou pelo interior afora.

Antigamente quem tinha o apoio do prefeito levava uma grande vantagem.

Hoje, nem tanto. Óbvio que onde o prefeito é bem avaliado o resultado foi bom, como Leo de Neco (PP), em Gandu, que deu 6.270 votos ao estadual Aderbal Caldas (PP), o equivalente a 42,60% dos votos. Mas na grande maioria dos casos, os prefeitos se saíram mal.

Deputados eleitos e derrotados dizem que ‘cada vereador virou uma entidade’. Ou seja, nada de apoio em bloco. E a tendência é piorar.

Aliás, como dizem alguns, no novo jogo político a velha velhacaria é a única coisa que não muda.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.