Publicado em 14/11/2015 às 11h57.

Do Ponta a Ponta – Resumo da Semana

Mapa político de Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e Jequié

Elieser Cesar / Levi Vasconcelos

A pouco menos de um ano das eleições municipais, publicaremos diariamente detalhes sobre os movimentos dos atores principais nos 50 mais influentes municípios baianos, além de acompanhar os fatos que julguemos relevantes no conjunto.

Dos 417 prefeitos baianos, segundo o TRE, 233 (55,8%) estão aptos a tentar a reeleição, entre eles, ACM Neto em Salvador e Zé Ronaldo em Feira de Santana, ambos do DEM. Já em Vitória da Conquista, o terceiro maior município do Estado, que junto com os dois primeiros são os únicos a terem dois turnos, o prefeito Guilherme Menezes (PT) já é reeleito.

Mas muitos dos atuais prefeitos aptos a disputar a reeleição já anunciaram que estão fora. A crise econômica fez a arrecadação desabar e complicou a situação políticas nos quatro cantos do estado.

Em 2012, sem crise, 288 prefeitos disputaram a reeleição e apenas 166 (57,6%) lograram êxito.

Na última semana cinco cidades baianas protagonizaram o “De Ponta a Ponta”: Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e Jequié.

SALVADOR (1.823.899 eleitores em 2014)

Prefeito é preferido nas pesquisas, governo tenta embaralhar o jogo
por Elieser Cesar 

Na capital do estado, o prefeito ACM Neto (DEM) voa em céu de brigadeiro e, no cenário atual, é favorito à reeleição. Líder absoluto nas pesquisas de popularidade até agora realizadas, Neto se deu ao luxo de abrigar seus principais auxiliares em partidos de sua base de sustentação, para a eventualidade de ele mesmo poder escolher um vice da própria “cozinha”.

Desse modo, numa jogada ensaiada que, mais tarde, pode se revelar de uma precisão milimétrica, o secretário de Educação Guilherme Bellintani foi para o PPS, o secretário de Governo Luiz Carreira para o PV, o de Mobilidade Social, Fábio Mota, já é do PMDB, como o deputado estadual Bruno Reis, o secretário de Promoção Social, o de Urbanismo, Silvio Pinheiro foi para o Solidariedade.

Numa palavra, se Neto puder tirar alguém do bolso do colete, já tem as cartas na manga.

O lugar de vice na chapa de ACM Neto é disputadíssimo e desperta a cobiça de partidos robustos como o PMDB, já que, entre as possibilidades que se desenham para 2018, Neto poderia disputar a sucessão estadual. Reeleito, terá que renunciar, deixando a Prefeitura mais cobiçada do estado nas mãos do vice, por dois anos. Uma tentação para todos os partidos da base aliada do prefeito.

(Foto: Divulgação Setur-Tatiana Azeviche)
(Foto: Divulgação Setur-Tatiana Azeviche)

Para enfrentar o favoritismo de ACM Neto e tentar levar a eleição para o segundo turno, a situação, capitaneada pelo PT do governador Rui Costa, aposta na entrada em cena de muitos candidatos, para embaralhar o jogo e pulverizar os votos, com isso tentar forçar um segundo turno e forjar a polarização que hoje não existe.

Neste caso, o PT apresentaria candidato próprio (o ideal para a legenda seria o reticente senador Walter Pinheiro, nome com maior densidade eleitoral no partido, que descarta a ideia), o PSB também (fala-se na senadora Lídice da Mata), o PCdoB disputaria com a deputada federal Alice Portugal e até o rocambolesco Sargento Isidório (sem partido, mas a caminho do Pros) está na briga.

Ou seja, a tática é quanto mais candidatos, melhor. Acrescente-se que o PT, sangrando na Operação Lava Jato, vive seu pior momento. Uma pesquisa recente do Instituto Dataqualy apontou que o partido ocupa o topo das legendas com o maior percentual de rejeição na capital baiana (43,8%), enquanto o PSDB aparece com 6,2%, o DEM com 5,7%, o PMDB com 4,9% e o PCdoB com 3,5%.

Por outro lado, o DEM surge como a sigla mais simpática (para 19,8% dos eleitores), seguido pelo próprio PT (17,3%). PMDB (8,7%), PSDB (4,9%), PV (3%) e PCdoB (2,7%). Apesar deste cenário, Rui Costa desponta como um governador bem avaliado, o que equivale a dizer: ACM Neto é favorito, mas o jogo ainda não foi jogado. Ou seja, tem jogo.

FEIRA DE SANTANA (387.768 eleitores EM 2014)

Prefeito é favorito à reeleição

A situação do maior colégio eleitoral do interior da Bahia, onde o prefeito José Ronaldo (DEM) é favorito à reeleição, se assemelha a de Salvador. Lá, a estratégia da oposição é também  apostar na pulverização, com muitos candidatos, para tentar levar o pleito ao segundo turno.

Prefeito pela terceira vez, Ronaldo agregou na eleição passada adversários históricos, como o ex-deputado federal Colbert Martins Filho (PMDB), que indicou o vice de sua chapa, Luciano Ribeiro.

A incógnita é se Colbert Filho sairá candidato a prefeito contra José Ronaldo. Colbert é citado como um dos possíveis candidatos a vice, mas lá também a questão ainda está em aberto.

Para observadores da política feirense, disputar a eleição seria uma questão de sobrevivência do ex-deputado, já que, nas eleições de 2014, o prefeito não lhe deu os votos necessários para se eleger deputado federal, apoiando também outro candidato, o Zé Pinto (genérico) e dividindo os votos, o que liquidou as pretensões dos dois.

O principal adversário de Ronaldo é o deputado estadual Zé Neto, do PT, que acaba de perder para o PSB de Lídice da Matta, Ângelo Almeida. A novidade é Jônatas, do PSOL. O deputado federal  Fernando Torres corre por fora, também postulando a candidatura, pelo PSD.

 

VITÓRIA DA CONQUISTA  (224.637 eleitores )

Eleição caminha polarizada

No terceiro maior colégio eleitoral da Bahia, a eleição caminha para ficar polarizada entre o ex-prefeito e atual deputado estadual, José Raimundo (PT), e o deputado estadual Herzem Gusmão (PMDB).

O prefeito petista Guilherme Menezes (PT) não poderá ser candidato à reeleição, por cumprir o segundo mandato consecutivo, mas é tido como o fiel da balança.

Dizem que ele não engole Zé Raimundo, até porque em 2018 quer ser candidato a deputado federal, mandato que já exerceu, e o federal Valdenor Pereira integra o time de adversários entre os petistas. Mas aliados de Guilherme garantem que no frigir dos ovos, o PT se entenderá. Ou então, perderão todos.

E Herzem Gusmão, o líder das pesquisas, não só reza por isso, como admite publicamente que afastar Zé Raimundo é o melhor cenário para ele. Por uma razão elementar: lá tem dois turnos e o petista tem mais condições de agregar aliados no segundo round.

Correndo por fora, na banda governista, está o deputado Fabrício Falcão, do PCdoB, que pretende ser a terceira via. É o caso típico. Ele é governista e potencial aliado do PT num eventual segundo round, para dar ou receber apoio.

Um deputado da situação na Assembleia define o provável embate de José Raimundo e Herzem Gusmão como um “BA-VI”, o clássico Bahia e Vitória, ou seja polarizado de véspera.

ITABUNA

Amargando uma impopularidade que chega a 70%, o prefeito Claudevane Leite, o Vane do Renascer, do PRB, anunciou que não se candidatará à reeleição. E justificou:

– Eu não tenho R$ 5 milhões para gastar.

Bem o fez. Até porque, se tratando de Itabuna, o gastar aí pode significar jogar fora. Vane governa um município que virou raridade no Brasil: lá, desde que a reeleição foi instituída, em 1998, nunca um prefeito foi reeleito.

Em 2000, no poder, Fernando Gomes enfrentou Geraldo Simões. Perdeu. Em 2006, foi a vez de Geraldo perder para o próprio Fernando. E por último em 2012, Nilton Azevedo, o Capitão Azevedo, perdeu para Vane, que agora vislumbra a realidade: o cenário não é propício para quebrar a regra.

Por enquanto, os dois pré-candidatos tidos como mais competitivos são o deputado estadual Augusto Castro (PSDB) e o ex-deputado federal e ex-prefeito Geraldo Simões, com Davidson Magalhães (PCdoB), deputado federal, que já recebeu declarações de amor do prefeito Vane, correndo por fora.

Em 2012, Simões lançou a mulher dele, Juçara Feitosa (PT), que obteve 15,3% dos votos, ficando num modesto terceiro lugar, atrás de Vane e Azevedo. Como no ano passado ele também candidatou o filho, Tiago, a deputado estadual, criou um cisma político, o do ‘projeto familiar’, na banda governista.

É nessa brecha que Davidson entra. Ele e Geraldo disputam as simpatias da banda governista. Se unir, em torno de qualquer um, fica competitivo. Se não, um oposicionista, mais provavelmente o deputado Augusto Castro (PSDB), que lidera as pesquisas, pode encomendar o paletó da posse.

Augusto tem na cola a sombra dos ex-prefeitos Capitão Azevedo (DEM) e Fernando Gomes (PMDB), ambos com problemas na justiça, embaraçados na Lei da Ficha Limpa, mas apoios importantes.

Faltam 11 meses para as eleições e até lá muita água vai rolar, mas no conjunto da obra, uma coisa é certa: Augusto Castro vai fechar 2015 na posição mais confortável.

JEQUIÉ

Com a prefeita Tânia Brito (PP) amargando um dos maiores índices de rejeição da atual safra de prefeitos, Jequié está na espera.

Não dela, que já está fora por vontade própria, e se assim não agir, sairá pela vontade do povo. Todos esperam o deputado federal Antonio Brito (PTB).

Num gesto de quem quer ser candidato, Brito transferiu o título de eleitor de Salvador para lá, onde obteve mais de 30 mil dos quase 160 mil votos que o fizeram o quarto mais votado para a Câmara Federal na Bahia. Se resolver encarar, não tem para ninguém.

Fernando do PV, Yan de Petyan, do PDT, Sérgio da Gameleira (PSB) e o ex-prefeito Reinaldo Pinheiro,também do PDT, colocaram os seus nomes.

Já o deputado estadual Euclides Fernandes (PDT), em princípio não quer, mas admite que também poderá sair candidato, mas pondera que, por enquanto, não tem posição fechada.

– Lá todo mundo quer saber o que Brito vai dizer.

E afinal de contas, o que é que Brito diz?

– Estou pensando, avaliando bem. De um lado, tem a pressão do povo de Jequié. De outro, das Santas Casas de Misericórdia da Bahia, que não querem que eu abandone a causa. Estou avaliando.