Publicado em 19/05/2017 às 09h45.

Joesley diz que Geddel queria saber de Cunha: ‘Passarinho está calmo?’

Ex-ministro de Temer, o baiano inaugurou um canal de interlocução com o empresário dentro do Planalto, de acordo com a investigação

João Brandão
Foto: Marcelo Camargo /Agencia Brasil
Foto: Marcelo Camargo /Agencia Brasil

 

Em documentos entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR), divulgados pelo site O Antagonista, o proprietário do grupo JBS, Joesley Batista, descreveu a sua relação com o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Segundo a investigação, logo após Michel Temer (PMDB) assumir a Presidência, o baiano inaugurou um canal de interlocução com o empresário. “Por esse canal, JB [Joesley Batista] enviava pedidos a Temer, podendo lembrar, em especial, de pedido para que ele interviesse no BNDES, a fim de que o banco não vetasse a mudança na sede da JBS no exterior”, diz um trecho da delação.

Pelo canal, Geddel buscava atualização constante sobre a situação de Eduardo Cunha (PMDB) e Lucio Funaro – por supostamente saber que o empresário sustentava os presos. “Geddel era explícito quanto ao temor de que eles se tornassem colaboradores. Em sua comunicação frequente, Geddel sempre perguntava a JB: ‘e o passarinho? Está calmo?’”, aponta outra parte da documentação.