Publicado em 14/05/2019 às 10h26.

Jogos: Mega-Sena pode. Mas e o resto, onde o é que o bicho pega?

"Quanta gente sai para jogar fora do Brasil... E o jogo do bicho? Os funcionários não podem ser legalizados, o governo nada ganha"

Levi Vasconcelos
Foto: Gilmar Felix / Câmara dos Deputados
Foto: Gilmar Felix / Câmara dos Deputados

 

O Brasil é mesmo um país engraçado num ponto. A proibição de jogos como cassinos e o nosso velho conhecido bicho. Por que se a intensa correria dos brasileiros para fazer a fé na Mega-Sena, semana passada, mostra que a prática só é aceita quando o Estado, via Caixa, é a banca?

Isso quer dizer que não há questões morais em jogo, como querem os evangélicos.

Na legislatura passada, o baiano Paulo Azi (DEM) – foto apresentou projeto de legalização na Câmara. Não andou. Outro projeto, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), morreu na CCJ do Senado. Ambos pretendiam legalizar os jogos de cabo a rabo, inclusive o bicho.

Caça-níqueis

Paulo Azi voltou a apresentar novo projeto, legalizando apenas cassinos, como tentou por meio de uma emenda na Lei Geral do Turismo, sem sucesso, graças à oposição da bancada evangélica:

— Não vejo sentido na proibição. Quanta gente sai para jogar fora do Brasil… E o jogo do bicho? Os funcionários não podem ser legalizados, o governo nada ganha.

Alguns deputados em Brasília dizem que os entraves se dão por dois motivos: a reação da bancada evangélica, que é contra; e a dos deputados que são favoráveis à liberação plena e total.

Neste caso, o temor que emerge não é do bicho, mas das máquinas caça-níqueis, que seriam instaladas por todos os cantos com escassas chances de uma fiscalização eficaz, o que criaria um prato cheio para fraudes. Enquanto isso, a Mega-Sena impera só.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.