Publicado em 04/04/2016 às 07h53.

Kátia Abreu conseguiu a proeza de unir a Bahia. Todos contra

A Ceplac, que vinha lutando para resistir ao processo de envelhecimento do seu quadro funcional, ao invés de socorro, recebeu uma paulada

Levi Vasconcelos

Frase

“O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta”.

Nicolau Maquiavel, historiador italiano, tido como fundador da ciência política (1469-1527)

 

Ministra Kátia Abreu (Foto Elza Fiuza ABr)
Ministra Kátia Abreu (Foto Elza Fiuza ABr)

 

Kátia Abreu conseguiu a proeza de unir a Bahia. Todos contra

Nestes tempos em que o Brasil está ostensivamente dividido, a ministra Kátia Abreu (Agricultura) conseguiu uma proeza. Uniu a Bahia, do PT ao DEM, todos numa só voz, chamando-a de traidora e golpista.

O xis da questão: a Ceplac, agora com ela, rebaixada à condição de departamento, para o conjunto da representação política baiana, um desserviço para a Bahia em geral, particularmente para a região do cacau.

Dita o consenso:  a Ceplac, que vinha lutando para resistir ao processo de envelhecimento do seu quadro funcional, hoje reduzido a 1.300, quando já foi mais de seis mil, ao invés de socorro, recebeu uma paulada.

Veja alguns depoimentos sobre o caso:

Águido Muniz, presidente do Instituto Pensar Cacau.
– É certo que a Ceplac perde orçamento e fica mais fraca. Vamos ver a posição que iremos tomar.

Eduardo Salles (PP), deputado estadual e ex-secretário da Agricultura da Bahia:
– Ela nos enganou. No dia 2 de março, em Brasília, se comprometeu que não tomaria uma decisão final antes de nos ouvir. Mas, naquele dia, ela já demonstrou o seu desconhecimento da causa. Falou para nós: “A Ceplac foi feita para cuidar do cacau e está criando peixe. Onde já se viu isso?”. Eu respondi que a Ceplac é um órgão de desenvolvimento regional. O certo é que a voz da Bahia não foi considerada.

Pedro Tavares (PMDB), deputado estadual, ligado ao cacau:
– A gente não sabe quem foi pior, se a vassoura de bruxa ou Kátia Abreu. Pensávamos que chegamos ao fundo do poço e agora estamos vendo que o fundo é mais embaixo.

Sandro Régis (DEM), líder da oposição na Assembleia:
– A Bahia mais uma vez mostra o tamanho do seu desprestígio no governo do PT. Isso só fortalece a nossa convicção de que o impeachment cada vez mais é uma necessidade.

Davidson Magalhães (PCdoB), ligado ao cacau:
– Ela nos traiu. Se comprometeu que iria nos ouvir e não ouviu.

Seria vingança?

Para além das brigas por causa da Ceplac, Kátia Abreu ganhou outro problema com os baianos. Geddel Vieira Lima, presidente do PMDB da Bahia, pediu a expulsão dela do partido por ter se recusado a deixar o governo após o anúncio do rompimento com Dilma.

Alguns dizem que Kátia precipitou a decisão para se vingar de Geddel.

 

Deputado Paulo Magalães (Foto reprodução Flickr)
Deputado Paulo Magalães (Foto reprodução Flickr)

 

Mudança turística

Nessa do governo de Dilma de repactuar o leque de alianças partidárias após o rompimento do PMDB, Paulo Magalhães (PSD), deputado federal baiano, está sendo sondado para assumir o Ministério do Turismo.

O assunto vai ser resolvido esta semana.

Placar do impeachment

Diz ACM Neto que, na contabilidade do impeachment hoje, a oposição tem 300 votos e o governo 100. Como o conjunto da Câmara é de 513, a briga é pelos 113.

Em tese, o governo precisa ganhar mais 71 e a oposição 42. Para a oposição é pior, embora não pareça. Segurar um conjunto tão grande é sempre mais complexo.

Perdas baianas

Definitivamente a Bahia sairá mais pobre depois da Lava Jato. Para além da desativação da exploração petrolífera em terra, já anunciada pela Petrobras, duas das suas maiores empresas, a Odebrecht e a OAS, estão seriamente avariadas.

A Odebrecht deve a bancos R$ 100 bilhões e tenta renegociar a dívida, enquanto faz um acordo de leniência. E a OAS deve R$ 10 bilhões. A única coisa certa é que jamais serão as mesmas.

Sem gás

As vendas de fogão na Bahia tem sido um dos termômetros da crise no varejo, segundo o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), Antoine Tawil:

— Antes, quando havia um lançamento de fogão de seis bocas, logo, logo, a gente via vários saindo para as casas, inclusive da classe C. Hoje, ficamos com o fogão de quatro bocas mesmo, até quando três delas não estão funcionando.

 

Foto reprodução blog papel de parede
Foto reprodução blog papel de parede

 

O leão e a leoa

Após Rui Costa anunciar a reabertura do Jardim Zoológico de Salvador, neste fim de semana, o deputado Marcell Moraes (PV), que é contra a existência de zoos, bradou:

— Até o leão sumiu!

Não sumiu. Há um acordo entre o zoológico baiano e o de São Paulo para, de tempos em tempos, levar o leão daqui para lá a fim de cruzar e ver se nasce um leãozinho.

Ou seja, o leão foi pegar uma leoa, que ele também não é de ferro.

Caso Marcus

Um grupo de entidades de usuários de saúde mental, professores e estudantes da Ufba, mais a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), estiveram com o secretário Maurício Barbosa (Segurança) para cobrar o esclarecimento do assassinato do professor Marcus Vinícius, o Marcus Matraga, ocorrida na quinta do carnaval no povoado de Pirajuia, em Jaguaripe.

O grupo saiu animado. O secretário Maurício explicou que há grandes chances do caso ser totalmente esclarecido.

 

Professor aposentado da Ufba, Marcus Viniciu foi morto no último dia 4 (Foto: Reprodução)
Professor aposentado da Ufba, Marcus Viniciu foi morto no último dia 4 (Foto: Reprodução)

 

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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