Publicado em 11/07/2018 às 11h45.

Nestes tempos de campanha curta e dinheiro idem, tempo de tevê é ouro

Os maiores tempos de televisão, definidos por número de deputados federais na Câmara, são do PT (171 minutos nos 35 dias de campanha na tevê), MDB (161 minutos) e PSDB (134); depois vêm o PP (96), o PSD (91) e o PSB

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“Tem coisas da gente que não são defeito nem erro: são só jeito da gente ser”

Caio Fernando Abreu, jornalista e escritor brasileiro (1948-1996)

Foto: Reprodução/Getty Images
Foto: Reprodução/Getty Images

 

Por que ACM Neto, Zé Ronaldo e seus aliados aceitam que o PSDB do deputado federal Jutahy Júnior esteja dificultando a entrada de Irmão Lázaro, do PSC, na segunda vaga ao Senado na chapa da oposição?

A pergunta aí é do leitor Otoni Francesco Silva, um admirador de Lázaro encucado.

Simples caro Otoni. Os maiores tempos de televisão, definidos por número de deputados federais na Câmara, são do PT (171 minutos nos 35 dias de campanha na tevê), MDB (161 minutos) e PSDB (134). Depois vem o PP de João Leão (96), o PSD de Otto Alencar (91) e o PSB de Lídice.

O DEM de Neto e Ronaldo sozinho tem apenas 56 minutos, o que dá, em miúdos, 1 minuto e 60 segundos por dia, muito abaixo dos 3.8 minutos do PSDB de Jutahy. Ou seja, a perda, seria um baque.

MDB, o Plano B

O PSC de Lázaro, que é artista, e quer ir para a chapa de Ronaldo porque engorda o seu leque de apoios e tempo de tevê, tem apenas um minuto por dia, em dois turnos, 30 segundos para cada. Como nas disputas majoritárias (governo e Senado) a propaganda é dia sim, dia não, os 35 dias caem para 16.

Se Lázaro sair só, como ameaça, ficaria quase só. É por isso que ele acena com a possibilidade aceitar o convite do MDB, que tem 4,3 minutos por dia, quatro vezes mais que o dele.

É por aí caro Otoni. Em tempo de campanha curta e dinheiro pouco, tempo de tevê é moeda poderosa.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.