Publicado em 17/03/2016 às 12h20.

Secretário critica divulgação de grampos: ‘Não compete a ele’

Maurício Barbosa, que é delegado licenciado da Polícia Federal, condenou a decisão de Moro em divulgar as conversas telefônicas

João Brandão / Rodrigo Aguiar
(Foto: Rodrigo Aguiar / bahia.ba)
(Foto: Rodrigo Aguiar / bahia.ba)

 

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Mauricio Barbosa, durante a solenidade de formatura do curso de soldados da PM, na Vila Policial Militar, no bairro do Bonfim, em Salvador, nesta quinta-feira (17), opinou como delegado licenciado da Polícia Federal sobre a divulgação dos grampos feitos pela Operação Lava Jato que revelaram conversas do ex-presidente Lula com a presidente Dilma Rousseff.

O chefe da pasta condenou a decisão do juiz federal Sergio Moro em quebrar o sigilo telefônico e divulgar, em pouco tempo, as conversas por telefone do petista com membros do governo.

“Quem vai te dizer isso, primeiramente, é o Judiciário. Trabalho com interceptação telefônica há anos e, realmente, não vi uma situação como essa. Independentemente do conteúdo que se interpreta das conversas, nunca vi uma divulgação tão imediata e intensa como foi feita. Se forem relevantes, do ponto de vista jurídico-criminal, não poderiam ser expostas à população. Primeiro, a repercussão política disso não compete ao magistrado. Se as pessoas têm prerrogativa de foro, não cabe ao juiz federal de primeira instância fazer o julgamento. Se há ilegalidade, não compete a ele. Se não haveria repercussão criminal, para quê a veracidade do imediatismo? Olho com bastante preocupação. O direito está aí para ser respeitado. Cabe o Judiciário se posicionar. Hoje, no afã de fazer justiça, acabam atropelando as coisas, até os ritos processuais”, disse.

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Temas: mauricio barbosa , Moro , PF