Publicado em 11/02/2019 às 07h16.

‘Ninguém impôs roupa pra gente vestir’, diz baiana que trabalhou com diretora da Vogue

Em entrevista, Angelimar saiu em defesa de Donata e afirmou: 'Não foi isso que aconteceu'

Redação
Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

 

A polêmica envolvendo a festa de 50 anos da diretora da Vogue, Donata Meirelles, que está sendo acusada de racismo, ainda não acabou. Uma das baianas que trabalhou no receptivo, Angelimar Trindade Santos Sousa, de 62 anos, disse que a roupa utilizada por ela e pelas colegas na noite da festa de aniversário da socialite não faz referência à escravidão.

Em entrevista ao portal BNews, no domingo (10), saiu em defesa de Donata e afirmou que “não foi isso que aconteceu”.

“Nós somos mulheres, baianas de acarajés, baianas de receptivos, trabalhamos nisso, fazendo recepção em hotéis, em eventos, em vários locais, estamos sendo taxadas como mucamas, como escravas. Não somos escravas, somos trabalhadoras, isso não existiu, fomos contratadas para trabalhar no receptivo, não foi ninguém que impôs roupa para a gente vestir, não foi ninguém que disse que nós teríamos que ficar em pé uma de um lado, outra do outro, para o cara sentar e tirar foto, ocorreu a situações assim, mas não era isso que foi acertado, aconteceu, e as pessoas usam da maldade, da perversidade para denegrir a imagem dos outros. Nós estamos muito tristes com isso aí porque não foi isso que aconteceu. Jamais nós iriamos nos submeter a um papel desses”, disse Angelimar ao portal.

Na entrevista, ela ainda disse que a decoração não teve relação com o tempo da colônia . “Não foi nada referente aos escravos. Isso não aconteceu. As quatro cadeiras foram colocadas com a seguinte finalidade: como é um trabalho que você fica andando, nós chegamos para trabalhar lá no espaço por volta das 19h, ficamos até quase 23h, andando pra lá e pra cá, então as quatro cadeiras foram colocadas para que nós ficássemos sentadas quatro, enquanto seis ficavam circulando no salão e nós íamos revezando, para poder poupar todo mundo”, disse a mulher, que trabalha como baiana de receptivo há sete anos.