Publicado em 18/08/2022 às 11h17.

Empresários bolsonaristas defendem golpe de Estado em caso de vitória de Lula

‘O golpe teria que ter acontecido nos primeiros dias de governo. [Em] 2019 teríamos ganhado outros 10 anos’, disse um apoiador do presidente em grupo no WhatApp

Redação
Foto: Marcos Correa/PR
Foto: Marcos Correa/PR

 

Por meio de mensagens em um grupo de WhatsApp, empresários bolsonaristas defendem um golpe de Estado, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saia vencedor nas eleições de outubro. O caso foi revelado pela coluna de Guilherme Amado, no portal Metrópoles.

Segundo a publicação, em 31 de julho, o empresário José Koury, que é proprietário do shopping Barra World e tem grande atuação no mercado imobiliário do Rio de Janeiro afirmou preferir a ruptura ao retorno do PT ao poder. “Prefiro golpe do que a volta do PT. Um milhão de vezes. E com certeza ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil. Como fazem com várias ditaduras pelo mundo”, publicou.

Apontado pelo jornalista como um dos integrantes do grupo com visões mais extremistas, o médico gaúcho Marco Aurélio Raymundo, conhecido como Morongo e dono da rede de lojas Mormaii, respondeu à publicação com três mensagens seguidas: “Golpe foi soltar o presidiário!!! Golpe é o ‘supremo’ agir fora da constituição! Golpe é a velha mídia só falar merda”.

O proprietário do Grupo Coco Bambu, Afrânio Barreira, endossou a mensagem de Koury pró-golpe, mas foi econômico, tendo respondido apenas com uma figurinha de um rapaz aplaudindo. Outro empresário, André Tissot, do Grupo Sierra, especializado na venda de imóveis de luxo, foi mais enfático: “O golpe teria que ter acontecido nos primeiros dias de governo. [Em] 2019 teríamos ganhado outros 10 anos a mais”, afirmou.

Ainda de acordo com a coluna, o tema começou a ser discutido após Ivan Wrobel, proprietário da construtora W3 Engenharia se apresentar como eleitor antigo do presidente Jair Bolsonaro (PL) e comentar a organização dos festejos pelo 7 de Setembro, no Rio, quando o mandatário pretendia unir o tradicional desfile militar aos atos políticos de seus apoiadores. “Quero ver se o STF tem coragem de fraudar as eleições após um desfile militar na Av. Atlântica com as tropas aplaudidas pelo público”, disse ele.

“O 7 de setembro está sendo programado para unir o povo e o Exército e ao mesmo tempo deixar claro de que lado o Exército está. Estratégia top e o palco será o Rio. A cidade ícone brasileira no exterior. Vai deixar muito claro”, comentou Morongo, que, segundo a coluna, chegou a propor ações extremas para defender Bolsonaro.

“Se for vencedor o lado que defendemos, o sangue das vítimas se tornam [sic] sangue de heróis! A espécie humana SEMPRE foi muito violenta. Os ‘bonzinhos’ sempre foram dominados… É uma utopia pensar que sempre as coisas se resolvem ‘na boa’. Queremos todos a paz, a harmonia e mãos dadas num mesmo objetivo… masssss [sic] quando o mínimo das regras que nos foram impostas são chutadas para escanteio, aí passa a valer sem a mediação de um juiz. Uma pena, mas somente o tempo nos dirá se voltamos a jogar o jogo justo ou [se] vai valer pontapé no saco e dedo no olho”, escreveu ele, em maio.

Apesar de propor ruptura, o dono da Mormaii se mostrou cauteloso quando Koury sugeriu que os empresários pagassem bônus aos funcionários que votassem a favor de Bolsonaro. “Alguém aqui no grupo deu uma ótima ideia, mas temos que ver se não é proibido. Dar um bônus em dinheiro ou um prêmio legal pra todos os funcionários das nossas empresas”, disse Koury. “Acho que seria compra de votos… complicado”, respondeu Morongo, que meses depois contou ter encomendado “milhares de bandeirinhas para distribuir para os lojistas e clientes do Barra World Shopping a partir de setembro”.

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