Publicado em 16/04/2019 às 14h44.

Homem acusado de executar liderança Tupinambá é denunciado pelo MPF

De acordo com o órgão, o assassinato de Pinduca foi retaliação por suas atividades como liderança indígena e disputas por terras; o crime aconteceu em 2015

Redação
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

 

O homem acusado de matar com 13 tiros um índio Tupinambá, em Ilhéus (BA), foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) na última sexta-feira (12). De acordo com o órgão, Edivan Moreira da Silva, conhecido como “Van de Moreira”, foi o principal responsável pela morte do líder indígena Adenilson Silva Nascimento, chamado de Pinduca, e por ferir com dois tiros a esposa dele, Zenaildes Menezes Ferreira, em maio de 2015. Além de Moreira, participaram do crime duas outras pessoas que não foram identificadas.

As investigações apontaram que o crime foi motivado por desavenças do denunciado contra indígenas em razão de disputas por terras. Conforme o inquérito policial, no dia do crime, Pinduca e Zenaildes voltavam para a residência na zona rural da Serra das Trempes I, acompanhados de três filhos do casal. Após cerca de 20 minutos de caminhada, o índio foi atingindo por um disparo de arma de fogo, caindo de joelhos.

Em seguida, Van de Moreira se aproximou e voltou a disparar quatro ou cinco vezes contra Pinduca à queima-roupa. Durante o crime, Zenaildes observou que três pessoas encapuzadas participavam da emboscada, tendo reconhecido Moreira como um deles em razão do porte físico.

Ameaças – Em manifestações populares contra os indígenas da etnia Tupinambá de Olivença, realizadas em Buerarema em 2013, o denunciado – residente na cidade – já teria ameaçado Pinduca. A inimizade aumentou após o indígena ter sido responsável pela retomada da Fazenda Boa Esperança, causando a expulsão do antigo meeiro, amigo de Moreira e sogro de seu irmão. A partir daí, conforme testemunhas ouvidas, as ameaças passaram a ser de morte.

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