Publicado em 25/11/2015 às 21h59.

Falsa comunicação de crime mobiliza policiais

Trabalhadores demitidos exigem cumprimento de direitos e são confundidos intencionalmente com ladrões

Jaciara Santos

Por volta das  17h30h desta terça-feira (24), a Central de Telecomunicações da Secretaria de Segurança Pública (Centel) recebeu  uma denúncia que era também um pedido de socorro. Em tom de aflição, um homem que se identificou como Francisco Levita, dono da empresa  Nova Bossa Aluguel de som e Luz Ltda,  localizada no Largo da Boa Viagem, informava que acabara de chegar ao estabelecimento e, antes de saltar do carro,  visualizara seis desconhecidos no interior do imóvel.  Por medida de segurança, foi  orientado pelo atendente a permanecer dentro do veículo. O primeiro contato foi feito às 17h34. Minutos depois, o mesmo comunicante liga mais uma vez para a Centel, agora para confirmar a situação e passar detalhes de como chegar ao local.

A ocorrência levou o 2785478 e foi tipificada como “furto a estabelecimento comercial”. Numa tarde em que uma loja na avenida Luiz Viana Filho (a Paralela) já havia sido assaltada, a policia estava em alerta. Ante a aparente gravidade da situação, a coordenação da Centel acionou viaturas em ronda nas proximidades. Acorreram ao local as guarnições 9.1711 (da 17ª Companhia Independente da Polícia Militar/Uruguai), a 2.2210 (da Rondesp Baía de Todos os Santods) e até uma viatura não padronizada da Coordenação de Missões Especiais (serviço de investigação) da área.

Eram 17h59, exatos 25 minutos após o registro da ocorrência, quando a verdade veio à tona.  Nem furto, nem assalto: o suposto ataque à empresa era, na verdade, uma manifestação de trabalhadores demitidos pela Nova Bossa, conhecida pelo nome de fantasia Chico Som Produções. Os “ladrões” haviam ido ao local cobrar direitos trabahistas não honrados pelos sócios da empresa.

Pilhado em flagrante delito de comunicação falsa de crime, o comunicante se esquivou.  Negou ter sido o autor dos chamados, ignorando que as solicitações são gravadas. Os coordenadores do plantão registraram uma comunicação administrativa, que pode gerar algum tipo de sanção.

Indignação – A situação causou indignação entre policiais e plantonistas. Embora acionada, a 3ªDT (Bonfim) acabou não se envolvendo no episódio devido ao adiantado da hora. Ao bahia.ba, a delegada Ana Virginia Paim, titular da unidade, disse nesta quarta-feira (25),ter “ouvido falar dessa ligação” e que “o caso foi encaminhado à Central de Flagrantes”. Procurado no telefone fixo registrado na Junta Comercial do Estado, Levita não foi localizado. À polícia, ele nega ter sido o autor das ligações.

Em tempo: ao ligar para a polícia dizendo estar sendo vítima de um furto,quando queria apenas se livrar de um protesto de trabalhadores, a pessoa que se identificou com Francisco Levita, afrontou  o Artigo 340 do CPP (“Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado”). A pena para esse delito varia de um a seis meses de detenção, além de multa.