Publicado em 10/08/2018 às 21h00.

Fabrício Boliveira, o Roberval em Segundo Sol, critica falta de negros na TV

Ator revela que já foi confundido com Lázaro Ramos, Jonathan Azevedo e com Seu Jorge por ser negro

Redação

 

Reprodução: Divulgação
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Destaque em Segundo Sol como o vingativo Roberval, Fabrício Boliveira está longe de ser uma das novidades nas telinhas da Globo, mas para muitos o baiano ainda é desconhecido e até confundido com outras grandes estrelas da televisão.

São 12 anos desde a sua estreia nas novelas em ‘Sinhá Moça’, de lá pra cá o rapaz já participou de ‘A Favorita’, ‘Viver a Vida’, ‘Boogie Oogie’ além de outros trabalhos em séries e filmes, mas mesmo com um vasto currículo na TV, o ator afirma que seu nome ainda é trocado.

“Tenho uma lista de confusões, trato isso de duas formas: uma brincando que nós negros do Brasil são como chineses, as pessoas não conseguem distinguir quem é um e quem é outro. A falta de negros na televisão é algo muito sério. Agora estou fazendo o Roberval. No início, achavam que era o Sabiá [Jonathan Azevedo], que tinha saído da novela com o Emílio”, contou em entrevista ao site ‘TV e Famosos’.

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O ator ainda criticou a falta de representatividade negra na TV. “Por que não estamos três, quatro, cinco negros, não só nessa, mas em outras novelas? Por que não temos maiores contingentes negros na novela para que todo mundo saiba que o Fabrício Boliveira não parece com o Lázaro Ramos ou com o Jonathan Azevedo ou com o Seu Jorge? Somos totalmente diferentes, idades diferentes, pensamentos diferentes”, disse.

Interpretando um personagem para lá de problemático na trama, Boliveira espera que Roberval consiga resolver suas mágoas ao longo da novela e esqueça a história de vingança.

“Queria que a gente conseguisse entender quais foram as questões que levaram esse cara a todas essas ações. O Roberval traz uma questão muito delicada: sobre o trabalho servil, o lugar do negro no Brasil, coisas que a gente não conseguiu vencer ainda. Queria que a gente conseguisse pensar e refletir melhor sobre como a gente está tratando esse trabalho, que é resquício da escravidão dentro do Brasil”, afirmou.