Publicado em 13/11/2018 às 09h47.

Margareth Menezes fala sobre racismo e desigualdade: ‘É uma coisa danosa’

'Ninguém quer esmola, as pessoas querem oportunidade", disse a cantora ao defender políticas públicas no "Programa do Porchat", no Dia da Consciência Negra

Redação
Foto: Reprodução/RecordTV
Foto: Reprodução/RecordTV

 

A baiana Margareth Menezes falou sobre o racismo e a desigualdade social no Brasil, em entrevista ao “Programa do Porchat” desta segunda-feira (12), Dia da Consciência Negra. Para a cantora, a compreensão sobre miscigenação e pluralidade de culturas no país é um dos mais importantes passos para “facilitar a vida da gente”.

Ao ser provocada por Fábio Porchat, que relembrou uma fala do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) sobre “acabar com o coitadismo” da população negra, das mulheres e dos nordestinos, Margareth retrucou:

“É muito facil quando você liga a torneira e cai água da sua casa. É muito fácil quando você tem a possibilidade e estudar e ter tudo que precisa para se desenvolver. Quero vir ir lá no Nordeste onde não tem água, gerações e gerações que morrem, mãe ver o filho morrer, aí a condição é diferente”.

De volta no comando do bloco Os Mascarados no Carnaval 2019, a cantora defendeu “ninguém quer esmola”, mas sim “oportunidade”. Ela defendeu políticas públicas e lembrou que, muitas vezes, o Estado demanda parte do orçamento com ” subsídios para multinacionais”. “Ninguém quer poder, ninguém quer tomar o dinheiro de ninguém”, disse a artista.

Entre as ações defendidas por Margareth está o sistema de cotas. Segundo ela, políticas tais permitem que negros ascendam socialmente:e usou um exemplo dentro da própria família.

“Hoje eu tenho na minha família um sobrinho que está na universidade, é a primeira pessoa da minha família a entrar na universidade. Ele fez um teste na Marinha […] para um pai e uma mãe ver o filho galgar uma coisa dessa, é a perspectiva de ver a família melhorar”, contou a artista.