Publicado em 10/05/2019 às 14h50.

‘Eu acho que é uma consolidação ter um livro publicado’, afirma Edgard Abbehusen

Autor baiano conquistou as redes sociais e chegou a ser republicado pelo ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno em sua "despedida" do Governo Bolsonaro

Bianca Andrade
Foto: João Caldas
Foto: João Caldas

 

Os mais de 600 mil seguidores em seu perfil no Instagram não esconde: Edgard Abbehusen é uma das sensações das redes sociais.

Mas o destino do escritor poderia ser completamente diferente do que ele é hoje. O baiano, que já teve suas crônicas replicadas por celebridades como Marília Mendonça e Paola Oliveira, e até pelo ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno em sua “despedida” do Governo Bolsonaro, por pouco não seguiu a carreira política como vereador em Muritiba, sua cidade natal.

Mas a paixão pela literatura falou mais alto e desde 2016 o jornalista conforta os corações alheios com mensagens de amor, paz e superação, além de dar início a carreira como compositor ao lado de Ramon Cruz, que é conhecido por grandes sucessos como ‘Quando A Chuva Passar’ e ‘Bola de Sabão’.

Em um bate-papo com o bahia.ba o autor, que lança o seu segundo livro ‘O que tiver de ser, amar’, nesta sexta-feira (10) em um evento na Livraria Leitura, no Shopping Bela Vista, contou um pouco sobre a sua carreira, seu novo projeto e a literatura de um modo geral. Confira:

B: Ser escritor sempre foi um sonho?
E: Foi uma construção, na verdade. O jornalismo tem essa demanda. Todo jornalista ou estudante de jornalismo pensa nessa possibilidade um dia. Publicar um livro. Mas eu sempre gostei de contar histórias. Na escola eu escrevia as peças, o roteiro dos seminários. Era o empolgado nas aulas de redação. Eu me imaginava escrevendo o livro no futuro, mas as redes sociais acabaram trazendo essa realidade pro presente. 

B: O que te inspira a escrever suas crônicas? E o que te motiva a continuar escrevendo?
E: A inspiração vem do cotidiano. Da referência que tenho de vida e vivência na minha cidade, Muritiba, no recôncavo baiano. Toda história, conversa e assunto me inspira a escrever sobre algo. No Instagram, por exemplo, eu recebo muitos directs. E esses relatos, muitas vezes, viram textos. A motivação vem do sonho, que agora é real. Melhorar a minha escrita, ler mais, estudar mais. É o que eu quero pra minha vida, então tenho que me dedicar. 

B: Como você enxerga a literatura em tempos de mídias digitais?
E: Eu acho que democratizou a produção de conteúdo literário e facilitou a ponte entre escritor e editora. O mercado editorial, de inicio, não deu muita atenção, mas agora já temos escritores que tiveram os seus berços nas redes sócias batendo recorde de vendas de livros. A Ryanne Leão, por exemplo, já vendeu mais de 30 mil livros. É um número relevante pro mercado onde a gente ouve falar muito em crise. Eu acredito muito nas plataformas digitais como ponte. Divulgação do trabalho, contato direto com o leitor. Mas ainda assim eu sou fã dos livros físicos. Eu acho que é uma consolidação ter um livro publicado. Então eu enxergo as mídias digitais como mais uma ferramenta para quem tem esse propósito. E que nos exige um exercício diário de criatividade.  

B: A cada dia que passa é possível perceber que a digitalização vem tomando o espaço de algumas coisas que antes só era possível ter no formato físico como por exemplo os CDs e até mesmo os livros. Como foi para você idealizar ‘O que tiver de ser, amar’? Em algum momento você sentiu medo de colocar mais um livro “na rua”?”
E:  Foi mais tranquilo em relação ao primeiro livro. Idealizar “O que tiver de ser, amar” foi ter tempo para respirar, imaginar a capa do jeito que eu queria, da forma que imaginei. A minha primeira obra foi um teste meu para a editora e eu passei no teste. Vendeu bem e eles me deixaram à vontade para prosseguir com um projeto mais sólido. Estavam mais confiantes. Frio na barriga acho que terei do primeiro ao último livro, né? Natural. (risos)

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

 

B: O que ‘O que tiver de ser, amar’ tem de diferente do ‘Quem Tem Como Me Amar não Me Perde em Nada’?
E: ‘O que tiver de ser, amar’ são crônicas mais próximas do trabalho que desenvolvo nas redes sociais. Falam de sentimentos, de amor, de superação. Contam algumas histórias. Tem uma narrativa leve, sempre com a perspectiva positiva em relação aos machucados que podem aparecer em um casamento, namoro, noivado… O primeiro livro foi uma monografia. (risos) Tinha crônicas, contos, poemas. Quis ousar de primeira e também me provocar a pensar na versatilidade como escritor. Mas no segundo livro foquei nas crônicas. E está lindo. 

B: Você tem mais de 600 mil seguidores em seu perfil no Instagram, como surgiu o projeto nas redes sociais?
E:  Começou através de um trabalho acadêmico. Virou meu principal trabalho. É interessante pensar assim, foi algo despretensioso mesmo. Natural, pensado para ter inicio, meio e fim. E olha só onde estamos. (risos)

B: Quando você percebeu que o seu trabalho estava ganhando ainda mais espaço na mídia?
E: Depois de 10 meses. Quando surgiram milhares de seguidores através de uma repost da Marília Mendonça. Chegaram muitos em muito pouco tempo. E essa galera veio trazendo mais gente. Comecei a ser chamado pra falar do Instagram em escola, faculdade e eventos. Até que veio o convite da Editora carioca Villardo pra publicar o meu primeiro livro. Ali foi o susto e também o desafio. 

B: Qual foi a sensação de ver seu texto sendo replicado pelo ex-ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebiano, em meio a crise do governo Bolsonaro?
E:  Outro susto. (risos) Eu sou cria da política, né? Passei nove anos trabalhando com política de interior, fui candidato em Muritiba em 2012 a vereador… Gosto do assunto. Mas quando começou a ganhar força o projeto da literatura, muita gente ficou me aconselhando a não tratar desse assunto, por conta da polarização violenta que a política se tornou no Brasil. E de repente um texto, que não tem nada a ver com o assunto política, aparece  em uma das primeiras crises do governo que está aí. Foi engraçado, em um primeiro momento, explicar a minha mãe, por exemplo, que eu não tinha feito nada. Apenas o ministro pegou um texto que tinha postado sobre lealdade e repostou em suas redes. Tive que sentar, mostrar a ela. Dona Marlene ficou preocupada. 


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Faça dessa lealdade a sua mais forte referência. Texto: Edgard Abbehusen @oxenteed

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B: Qual você acha que é o principal desafio de um escritor nos dias de hoje?
E: Vender livro. Pois escrever você escreve todo dia. Quem gosta, quem ama escrever, vai escrever vendendo livro ou não. Na internet pro mundo inteiro ou no caderno pra guardar na gaveta em casa. Vender livro, atualmente, é o grande desafio. Na internet, porém, eu apontaria outro: Ser capaz de fazer diferente, de se reinventar, de criar uma identidade própria. 

B: Nos dias de hoje o hábito de leitura vem ficando cada vez mais para trás, principalmente no Brasil. O que você acha que vem causando esse efeito?
E: Eu acho que é preciso mais políticas publicas de incentivo a leitura. É preciso pegar a criança e expor ela a leituras prazerosas. O adolescente também. A escola tem um papel fundamental e os pais mais ainda. O leitor precisa ser formado. Precisa enxergar exemplos. Outro dia, um pai chegou pra mim e disse que passa horas lendo na frente do filho de três anos. Querendo ou não, esse bombardeio de informações que recebemos diariamente através do celular, nos deixa  no automático. Preguiçosos. Só queremos ler o título e dali já tiramos conclusões. Enfim, acho que é um conjunto de fatores. Social, político, cultural, familiar. Mas eu sou um entusiasta. Acredito que as coisas vão melhorar. 

B: Como é a sua relação com seus admiradores? Você recebe muita mensagem de pessoas que se identificaram com seus textos?
E: Muitas. É uma relação bacana, principalmente de confiança. Pessoas que contam segredos de suas vidas, pois foram tocadas de alguma forma por um texto publicado. Que se identificaram com o eulirico. Eu acho bacana isso. Todo mundo sente a mesma coisa, mas de formas e intensidade diferentes. É incrível, basta ler os comentários. Mas o que me deixa feliz é saber que, de alguma forma, naquele dia, por conta de um texto escrito por mim, alguém passou a enxergar a vida de uma forma mais bonita. 

B: Qual o conselho que você dá para quem deseja se jogar no mundo da literatura?
E: Leitura. Muita leitura. E escrever, claro. Escrever todo dia. Pensou, escreveu. Exercitar a escrita, entender como funciona o seu ritmo. Mostrar, não ter vergonha. Tem muita gente boa se escondendo por medo da critica.  Ah! As criticas. Tem elas também. Deixe que falem. É natural, principalmente se as coisas passarem a acontecer pra você. Vão aparecer pessoas pra atacar o seu trabalho, mas encare como um desafio. Repare se essa critica tem fundamento e busque melhorar. Se for só uma critica por frustração, deixa pra lá. Segue o caminho.

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