Publicado em 28/11/2018 às 17h40.

Mais Médicos: cubanas que se casaram ficam sem emprego

Uma das profissionais apareceu em um vídeo que acabou viral na internet, após a saída ter causado comoção de uma idosa, que chorou com a despedida

Juliana Almirante
Foto: Karina Zambrana/Ministério da Saúde
Foto: Karina Zambrana/Ministério da Saúde

 

Três médicas cubanas que tiveram que deixar os postos de trabalho na cidade de Barreiras, oeste do estado, com a saída do país caribenho do programa Mais Médicos, e não retornaram à Cuba porque acabaram se casando com brasileiros, acabaram ficando sem empregos. Preocupada com a situação, a comunidade se mobiliza para que os profissionais tenham condições de continuar no País.

Uma das profissionais apareceu em um vídeo que acabou viral na internet, já que a saída da médica causou comoção de uma idosa, que chorou com a despedida. A publicação gerou mais de seis mil compartilhamentos no Facebook. Ao bahia.ba, a cubana Aracely Lopes disse que se casou há dois anos e atuou na cidade durante cinco anos, com o total de 20 anos de formada.

O Ministério da Saúde abriu um edital para substituir cubanos, mas admitiu apenas que brasileiros se candidatassem, o que deixou a Aracely e os colegas cubanos sem emprego. O segundo edital, que deve admitir estrangeiros, ainda será publicado e vai exigir que eles façam o exame de revalidação do programa, “Revalida”, que levanta polêmica pela periodicidade e pela baixa aprovação dos inscritos.

“Ficamos sem trabalho, aguardando o Revalida. Estamos em uma desigualdade em relação aos brasileiros. O novo presidente falou pela televisão que era inútil o dinheiro que pagavam para nós e que não achava justo que nós ficássemos aqui sem nossa família, que era uma tortura. Mas agora como vamos ficar sem trabalho para manter nossa família? É difícil também”, reclama a médica, que prefere não entrar na questão política. Aracely tem um filho que é cuidado pela mãe em Cuba.

Ela fica triste por não poder continuar o trabalho na comunidade, que é reconhecido pela população. “Foi muito bom receber o carinho e poder ajudar essas pessoas. É a maior satisfação do nosso trabalho e sabemos que foi um bom trabalho, porque quando você sai, você percebe como as pessoas tratam você com carinho. A vontade deles é de que você fique, fazendo a tarefa que você fazia antes”, afirmou.

Aracely quer seguir trabalhando como médica na região legalmente e afirma que não quer pedir asilo de Cuba, sem poder retornar ao país caribenho. Sendo assim, quer poder ir e voltar livremente. A cidade de Barreiras tinha oito médicos do país caribenho, o que deixou oito postos de saúde do município sem médicos. De acordo com a prefeitura, os profissionais já foram substituídos e devem assumir as vagas a partir da próxima semana. Enquanto isso, a população que precisa de médico é encaminhada para os postos mais próximos.

Saída de cubanos – A saída de Cuba do programa ocorreu no último dia 14, quando o país alegou declarações ‘ameaçadoras’ do presidente eleito Jair Bolsonaro. Na Bahia, 846 profissionais cubanos tiveram que deixar os postos de trabalho e já começam a ser substituídos.

A Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) não soube informar quantos já deixaram o país e quantos permaneceram devido a uniões matrimoniais. Em Salvador, dois cubanos que atuavam pelo programa devem continuara na cidade devido a casamento e decisão judicial.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que deve apurar as condições do programa Mais Médicos, já conseguiu o total de assinaturas para criação, com adesão de parte da bancada baiana.

Temas: cubanas , emprego