Publicado em 21/02/2017 às 19h40.

Deputado colhe assinaturas para instalar CPI do Ernesto Simões Filho

Alan Sanches disse ter recebido reclamações de médicos do centro cirúrgico do hospital e alfinetou Fábio Vilas Boas: “Se fosse no hospital do secretário, será que ele ia permitir o fechamento?”

Fernando Valverde / Evilasio Junior
Foto: Josemar Pereira/ Ag. Haack/ bahia.ba
Foto: Josemar Pereira/ Ag. Haack/ bahia.ba

 

O deputado estadual Alan Sanches (DEM) recolheu 16 das 21 assinaturas necessárias para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) para investigar o fechamento do centro cirúrgico do Hospital Ernesto Simões Filho, gerido pelo governo do Estado, em Salvador.

Segundo o parlamentar, o requerimento foi baseado em uma denúncia dos próprios médicos que trabalham no complexo de saúde. De acordo com os relatos, o espaço encontra-se em situação precária e não oferece a mínima condição para a realização de procedimentos cirúrgicos, o que implicaria em risco para profissionais e pacientes.

“É um absurdo os médicos precisarem tomar a decisão de não operar por falta de condições mínimas de funcionamento. Essa decisão tinha que ter sido tomada pela Sesab, e tinha que ter sido feito um remanejamento das salas do centro cirúrgico ou reformada metade e a outra metade funcionava. Mas o descaso foi tão grande que chegou nesse momento que tem que fechar todo o centro cirúrgico”, criticou o democrata, em contato com o bahia.ba.

Ainda conforme Sanches, o centro cirúrgico do hospital foi fechado pelos próprios médicos, após ser constatado um alto nível de infecções e aumento no número de mortes, menos de dez meses após reforma no local.

“O problema está no desgoverno que se instalou em nosso Estado, que fere o direito à saúde das pessoas menos favorecidas. O que mais será necessário acontecer para que o governo cumpra seu papel e custeie a saúde da população? O fechamento de seu centro cirúrgico, às vésperas do maior carnaval de rua do planeta, nos faz pensar o quanto caótica se encontra a Saúde em nosso Estado e quão ainda ficará”, provocou.

O deputado diz que os profissionais já procuraram a Secretaria de Saúde do Estado, mas ainda não obtiveram resposta. Ele cobra uma posição diretamente do titular da pasta, Fábio Vilas Boas. “Se fosse no hospital do secretário, será que ele ia permitir o fechamento do centro cirúrgico dele? Levando a prejuízos incalculáveis financeiramente? Tenho certeza que não. No caso do Hospital Geral Ernesto Simões Filho, o prejuízo é para nossa população”, disse.