Publicado em 08/02/2019 às 20h00.

Shoppings perdem cerca de R$ 10 milhões por domingo sem funcionamento

Abrasce lamentou impasse entre lojistas e comerciários após Justiça baiana manter proibição de funcionamento de lojas por falta de convenção coletiva

Rayllanna Lima
Foto: Divulgação/Shopping Bela Vista
Foto: Divulgação/Shopping Bela Vista

 

O prejuízo que os centros de compras da capital baiana sofrem por cada domingo ou feriado sem funcionamento é de R$ 10 milhões, de acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Em entrevista ao bahia.ba, o coordenador regional da entidade lamentou o impasse entre os lojistas e comerciários, que se arrasta desde o ano passado. Por indefinição da nova convenção coletiva, a 18ª Vara do Trabalho de Salvador emitiu nova liminar proibindo a abertura dos estabelecimentos.

A decisão passa por cima inclusive da Lei nº 9.439/19, sancionada nesta sexta-feira (8) pelo prefeito ACM Neto, que autoriza o funcionamento do comércio em geral aos domingos e feriados.

“Está realmente um desentendimento terrível. Enquanto isso, todos sofrem. A cidade está com muitos turistas e o shopping é o terceiro destino na Bahia. O primeiro é a praia, o segundo é o Centro Histórico. Só em perdedor nessa história. Perde o empregado, que não ganha comissão; os lojistas porque não faturam; o governo que não tem arrecadação; e a sociedade sem opção de lazer. A cada domingo a gente perde R$ 10 milhões em vendas”, disse.

Diálogo para assinar convenção não avança

Todo o impasse gira em torno da falta de assinatura de uma nova Convenção Coletiva de Trabalho baseada na legislação federal. Segundo o presidente do Sindilojas (Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia), Paulo Motta, o termo só não foi assinado ainda devido a delonga do Sindicato dos Comerciários em apresentar a pauta de reivindicações.

“Estamos vivendo uma situação muito difícil, de insegurança jurídica. Tem o decreto do prefeito, mas o corpo da lei fala sobre ter convenções, por isso a determinação da Justiça. A coisa não está caminhando com tranquilidade, estamos reféns dos comerciários. Eles faltaram a última reunião que eles mesmo marcaram. Estamos aguardando que se manifestem. Quando a pauta for apresentada, será distribuída para as empresas e então marcaremos as assembleias para avaliar”, explicou.

A reunião citada por Paulo Motta estava marcada para quarta última, na sede do Sindilojas, no Comércio. Ao bahia.ba, o presidente do Sindicato dos Comerciários, Jaelson Dourado, esclareceu o motivo da ausência. “Tivemos que nos reunir com a diretoria para unificar as posições. Estamos preparando a pauta para 2019 e estaremos encaminhando na semana que vem”, disse.