Publicado em 12/01/2018 às 20h00.

Após 30 anos, tartarugas marinhas voltam a desovar na praia de Itapuã

A Bahia recebe e gera 1/3 dos ninhos e filhotes do País. Cada ninho possui em média 120 ovos, que demora até 60 dias para nascer

Rayllanna Lima
Foto: Projeto Tamar
Foto: Projeto Tamar

 

Após 30 anos, tartarugas marinhas voltaram a desovar em praias urbanas de Salvador, como em Itapuã, onde 250 ninhos das espécies cabeçuda, oliva, pente e verde estão dispostos em cercados. Antes, todas as desovas eram retiradas pelo projeto Tamar e levadas para a praia de Busca Vida, em Lauro de Freitas.

Em entrevista ao bahia.ba, a bióloga Nathalia Berchieri explicou que os ninhos eram realocados por se tratar de uma área de muito uso de praia e “naquela época a população ainda não tinha a consciência de proteger esses animais”.

“Fortalecemos nossas atividades de educação ambiental nas praias estando mais presentes com solturas de filhotes, exposição e participação em eventos esportivos em prol ao meio ambiente. Esse trabalho de deixar os ninhos nas praias urbanas hoje é inédito no País e no mundo”, pontuou.

A Bahia recebe e gera 1/3 dos ninhos e filhotes de todo o Brasil. A área de conservação de tartarugas marinhas vai de Salvador até a divisa com Sergipe. O Tamar atua com quatro bases de apoio, localizadas em Arembepe, Praia do Forte, Costa do Sauípe e Sítio do Conde. O monitoramento é diário, até o final da temporada reprodutiva que acontece de setembro a março.

O biólogos do projeto identificam e cercam as áreas onde criam seus ninhos para que a população comece a respeitar a marcação e o espaço escolhido pelas mães-tartarugas.

“Tartarugas marinhas são patrimônio da humanidade e é dever de toda sociedade viver em harmonia e ajudar a proteger a natureza. Caso encontrem ninhos ou animais, vivos ou mortos, encalhados na praia, liguem para a gente através dos números 98127 0038 e 99979 0392”, pediu.