Publicado em 06/09/2018 às 19h03.

‘Estou intuindo que vai dar Bolsonaro e João Henrique’

Sem êxito na tentativa de se eleger vereador em 2016, João Henrique disse em entrevista ao bahia.ba que vai se eleger governador da Bahia com ajuda de Jair Bolsonaro

Matheus Morais / Romulo Faro
Foto: Jessica Galvão/ bahia.ba
Foto: Jessica Galvão/ bahia.ba

 

Embora não tenha conseguido se eleger vereador de Salvador em 2016, o ex-prefeito João Henrique (PRTB) tem confiança de que vencerá a disputa pelo governo da Bahia em outubro próximo. Em entrevista ao bahia.ba, ele fez diversas referências ao candidato a presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), a quem atribui parte de ‘sua vitória’.

“Não estou mais sentindo rejeição nas ruas. Todas as pessoas de todas classes sociais deixaram de me chamar de prefeito e passaram a me chamar de governador. Eu estou intuindo que vai dar Bolsonaro e João Henrique”, diz o ex-prefeito.

O candidato a governador fala ainda sobre suas propostas para saúde, educação e segurança. Confira abaixo a entrevista:

Como conquistar o eleitor diante de tanto desinteresse por política e da desconfiança quase generalizada com os políticos?

O momento nacional não é um momento favorável à política nem aos políticos. O trabalho há de ser muito mais difícil do que aconteceu nas outras eleições na história do Brasil. Há uma decepção justificável, que ocorreu por causa desses desmandos na política, corrupção generalizada, impunidade generalizada, e isso levou as pessoas a quererem votar nulo ou branco nessas próximas eleições. Entretanto, o estereótipo que a população desenhou em sua cabeça está se encaixando no perfil e nas propostas de um candidato a presidente da República que é o Jair Bolsonaro. Eu estou percebendo, intuindo nas ruas, com muita facilidade, que o nome de Bolsonaro está caindo como uma luva neste momento do Brasil. Acho até que ele ganha no primeiro turno. O voto no Bolsonaro é por mais segurança pública, mais emprego, por um freio de arrumação na casa, tudo isso levou o Brasil a uma descrença. Muita gente indo morar fora do Brasil. Eu mesmo tenho um filho que foi morar fora e não quer voltar. Neste momento Bolsonaro representa a decepção e a esperança. A decepção com o Brasil que chegou aqui e a esperança com um Brasil que pode começar a partir daqui. E isso facilita nossa caminhada. É necessário uma parceria. O nosso general Mourão é o vice de Bolsonaro. Por mais que o pessoal do DEM e do PSDB queira colar em Bolsonaro, está claro que o candidato deles é o Geraldo Alckmin. Estou percebendo uma forma sorrateira deles se aproximarem do Jair Bolsonaro, do DEM e do PSDB da Bahia, mas não foi a toa que nós colocamos o general Mourão como vice, estamos atentos. A nossa coligação é na majoritária e na proporcional. Como eles estão percebendo que está difícil, eles estão se aproximando do Bolsonaro. Isso nos foi passado pelo próprio pessoal do Bolsonaro. Eles estão tentando contato com o Bolsonaro e eu não duvido nada que queiram se aproximar da minha candidatura também. Bolsonaro é o candidato de João Henrique e João Henrique é o candidato de Bolsonaro.

Foto: Jessica Galvão/ bahia.ba
Foto: Jessica Galvão/ bahia.ba

 

Se for eleito, qual seu primeiro ato como governador? Qual é a prioridade número um para a Bahia?

Eu colocaria duas prioridades, porque as ações de um governante têm que ser em longo prazo. Eu fico triste e irritado quando vejo um governo que só toma atitudes pensando nos próximos quatro anos. Eu fico indignado. O cara não pensa em larga escala. Onde estão os Juscelinos, os Getúlios Vargas, os Ulysses Guimarães, os Brizolas? Não existe mais uma geração de políticos estadistas. Eu ainda peguei essa geração de Brizola, de Ulysses, que plantavam para 40 anos. Meu pai, que fez o que fez em Feira de Santana na década de 1960… Eles pensavam no futuro. Hoje não. Os políticos não pensam no futuro. Os políticos só pensam em comprar votos e nos próximos quatro anos se reeleger, ficando cada vez mais ricos. Onde está o interesse público? A gente pensou que esse Brasil que a gente queria viria com o Lula, mas depois veio Dilma e desarrumou a economia e juntou com os problemas das pedaladas, muita corrupção. Espero que o Bolsonaro aproveite algumas boas sementes que o Lula plantou, que o Fernando Henrique Cardoso plantou. O Brasil precisa de medidas de choque. Eu não preciso mais me firmar individualmente, estou numa idade que não preciso mais disso. Eu derrotei todos os barões da política da Bahia, de Salvador. As medidas de longo prazo são importantes, mas uma das nossas prioridades é a fila de regulação da saúde pública. Vamos fazer um concurso público imediato para os médicos e as equipes de regulação, porque eles vão ficar imunes à pressões políticas. Eu quero criar uma carreira de Estado logo. Vamos criar carreiras novas no estado chamadas de médicos da regulação, enfermeiras da regulação, que serão concursados. Paralelamente a isso vamos implantar nos hospitais do estado a cota de leitos para o SUS e implantar o programa de desospitalização no estado. A fila tem que andar, os critérios políticos não podem passar na frente dos pedidos de saúde. O tratamento vai continuar em casa, isso é desospitalização. O tratamento seguirá em casa com o governo bancando os remédios. Os pacientes terão tratamento em casa, recebendo médicos, enfermeiras, assim a fila vai andar mais rapidamente.

Como resolver os problemas nas áreas de saúde, segurança e educação?

Saúde – Uma das soluções é resolver o problema da regulação que eu já falei. Existem alguns remédios de tratamento continuado, que as pessoas tomam, que são muito caros e eu estou me comprometendo em reduzir o ICMS, o máximo que a gente puder. Vamos conversar com os auditores fiscais e reduzir essa alíquota do ICMS. O Estado fornece alguns, mas outros não, principalmente os remédios para os idosos. Por conta dessa redução do ICMS, vamos exigir que o farmacêutico, o varejista, cobre a medicação mais barata.

Segurança – Quero dizer que só as figuras do Bolsonaro e do general Mourão já irão nos dar essa sensação de tranquilidade. Eu creio que só a presença deles já vai impor uma certa autoridade sob o crime organizado. Isso vai agir no psicológico deles, porque eles vão ver que ali tem dois homens formados no exército que não têm medo de bandido. Vai se inaugurar no Brasil uma nova fase, os bandidos vão perceber que a gente não está para brincadeira. Depois virão as medidas de choque que ambos irão tomar, juntos com os governadores dos estados. Na educação, se fossem investidos há 40 anos, como o Brizola queria, os Ciepes, os Brizolões, hoje não teríamos essa marginalidade, a criminalidade.

Educação – O que a Rede Globo queria era esse Brasil ignorante, semialfabetizado. O que nos resta é cumprir as 20 metas do programa Todos para a Educação, qualificação dos professores, aumento de salários. O Brasil e a Bahia não cumpriram as metas do PPE. Já era para a gente ter investido 7% do PIB brasileiro em educação, só investimos 5,6%. Hoje é a gente cumprir as notas do PPE. Todas as notas do Brasil e da Bahia estão abaixo das notas estabelecidas pelo IDEB. Tem que ter gestões democráticas nas escolas, temos que ter planos de carreiras para os profissionais de educação. Eu defendo o retorno da disciplina ‘Educação Moral e Cívica’.

Como combater a seca?

Aí eu me lembro de meu pai. Meu pai foi secretário de Recursos Hídricos, na sequência foi governador da Bahia, e teve a oportunidade de implantar e inaugurar alguns projetos de combate à seca. Tem um que foi prometido pelo governo do PT e não foi cumprido. Apesar da boa vontade do governador, me parece que não houve recursos, que é o Canal do Sertão. O Canal do Sertão passa pelo semiárido. 70% do território geográfico da Bahia está no semiárido. O Canal do Sertão vai levar barragens, dar vida aos açudes e levar sistemas simplificados de águas da Embasa, além dos poços artesianos da Cerb. Eu reconheço que iniciativas pontuais foram feitas, mas temos que fazer as ligações sistêmicas. Meu pai perfurou e inaugurou 5 mil poços artesianos, que acabam com os carros-pipa, que servem mais aos interesses dos coronéis do sertão. Eles utilizam o carro-pipa como troca de votos. Metade da população da Bahia vive com o drama da seca.

Lula vai conseguir disputar as eleições?

Acho muito difícil. Porque todos os processos têm que cumprir os ritos processuais. Provavelmente eles não permitirão que o Lula dispute essas eleições.

Foto: Jessica Galvão/ bahia.ba
Foto: Jessica Galvão/ bahia.ba

 

Como reverter o alto índice de rejeição à sua candidatura? O senhor não conseguiu se eleger vereador de Salvador em 2016…

Eu sou uma pessoa de muita fé, de muita convicção religiosa. Acredito que talvez aquele momento da eleição de vereador em 2016 não fosse o momento para ganhar a eleição. Nessa campanha ninguém fala mais de inelegibilidade de João Henrique. O que eu estou sentindo nas ruas não é o que dizem as pesquisas. Eu já tive rejeição de mais de 50%. A última rejeição minha deu 29%. Bolsonaro, que vai ser presidente, tem 37%. Alckmin e Ciro Gomes têm mais de 60% de rejeição. O que é 29% perto de 60% de um candidato do PSDB a presidente? É um 29% em linha decrescente. Se eu já tive até 80%, hoje só tenho 29%. Não estou mais sentindo rejeição nas ruas. Todas as pessoas de todas classes sociais deixaram de me chamar de prefeito e passaram a me chamar de governador. Eu estou intuindo que vai dar Bolsonaro e João Henrique!

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