Publicado em 28/08/2017 às 06h00.

‘Não há espaço para outro líder’, diz Otto Filho sobre Nilo no PSD

Presidente da Desenbahia confirma pré-candidatura a deputado federal, descarta integrar majoritária e fala dos imbróglios com taxistas e Hospital Espanhol

Evilasio Junior / Rodrigo Daniel Silva / Clara Rellstab
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

 

Presidente da Desenbahia, administrador de empresas e graduado em Política e Estratégia, Otto Alencar Filho confirmou que sairá candidato a deputado federal pelo PSD nas eleições de 2018.

Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, o primogênito do senador Otto Alencar (PSD) descartou a possibilidade de ser indicado à chapa majoritária do governador Rui Costa (PT), na posição de vice ou para o Senado. “De jeito nenhum é um desejo meu”, cravou.

Com a retirada de seu nome na disputa, Ottinho – que garantiu ser boato o papo de que se incomoda com o apelido – comentou ainda as rusgas entre o petista e o presidente da Assembleia Legislativa, Ângelo Coronel (PSD), e a possibilidade de a sigla lançar um nome de fora à disputa, como o do deputado estadual Marcelo Nilo (PSL).

“Eu não vejo muito a entrada de outro líder no PSD no momento – o que não quer dizer que isso não possa acontecer. Mas, hoje, eu acho difícil trazer uma pessoa de fora”, desconversou.

A questão do endividamento dos taxistas no financiamento da Desenbahia também virou pauta da conversa. “Acho que a inadimplência não passa de 5%, o que, para uma carteira como essa, não é nada de absurdo”, diz Otto. Segundo ele, a nova cobrança de seguros pode ter acarretado a situação, assim como a concorrência trazida pelo Uber e serviços similares.

Sobre a situação do Hospital Espanhol, o presidente da Desenbahia contou que um financiamento de R$ 53 milhões foi oferecido à unidade e que agora a agência de fomento deseja a declaração a falência da unidade. “A gente tem uma parte da hipoteca e estamos lutando na Justiça para solicitar a possibilidade de recuperar esse financiamento”, declarou.

De acordo com Otto Filho, além do débito com o Estado, o hospital ainda tem dívidas com a Justiça Trabalhista, com impostos estaduais e federais e com a Caixa Econômica.

Confira a entrevista na íntegra:

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
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bahia.ba – Segundo o seu pai, o senhor vai ser candidato a deputado federal nas próximas eleições. Então, quer dizer que vai abandonar o governo. Isso vai acontecer já na próxima reforma administrativa ou vai esperar o próximo ano, até o período de desincompatibilização?

Otto Alencar Filho – Eu acredito que, como eu ainda sou pré-candidato a deputado federal, isso ainda tem que ser batido o martelo com o partido. Eu devo ficar na Desenbahia até o período de abril. Aí, pouco antes de abril, que essa decisão das pré-candidaturas deve estar sendo tomada, se elas serão viabilizadas ou não, e se daqueles candidatos que também já estão no poder vão para reeleição ou não…

.ba – O senhor falou que depende do partido, mas quem comanda o partido na Bahia é o senador Otto Alencar. Então não vai ter dificuldade nenhuma de viabilizar a sua candidatura, correto?

OAF – Não é bem assim. Obviamente que a sugestão e o aconselhamento do senador têm muita força dentro do partido, mas ele próprio – até pelo perfil bastante democrático – vai ouvir as bases antes de tomar qualquer decisão. Porque o que importa não é o interesse dele ou o meu, na verdade, é o interesse do partido. Às vezes o partido vê de outra forma, então tem que ser avaliado dentro da visão do grupo. O que é melhor para o grupo? O que é melhor para o PSD? O que é melhor para o grupo do governador Rui Costa? O interesse é que a gente ganhe as eleições, e não simplesmente que minha pré-candidatura seja uma candidatura federal futuramente vitoriosa. E tem outras coisas que envolvem a questão política e a nossa intenção é justamente essa visão de futuro.

.ba – A reforma política que é discutida agora na Câmara tem o modelo de distritão, mas o atual é o proporcional. Qual desses sistemas favorece a sua candidatura?

OAF – Eu não vejo favorecimento diretamente nessa questão de distritão ou distritão misto. Eu acredito muito em uma reforma em que o eleitor possa escolher e votar livremente naquele candidato que ele achar interessante. Eu, por exemplo, sou contra a obrigatoriedade do voto – acho que não deveria existir isso. Acho que aquele que deve representar o seu estado ou município deve ser aquele mais votado.

Então, independentemente da reforma que está sendo feita hoje – que eu acho que é uma reforma muito limitada –, acho que têm outros aspectos tão importantes quanto, como a forma de você votar, por exemplo. Mas, apesar disso, em minha opinião, é uma boa reforma. Só que ela tem que, primeiro, dar liberdade para que o eleitor vote se quiser ou não; segundo, aquele que for eleito tem que ser aquele que for mais votado; e, terceiro, que a gente possa discutir o financiamento de campanha.

Eu não sei se a melhor forma é o financiamento de pessoa física, mas também não acho que o financiamento privado, sem limitações, seja algo interessante. Acho que é uma questão que você tem que discutir bastante. Hoje, por exemplo, em um momento como esse de crise política e econômica, você está disponibilizando um recurso de base de R$ 3,6 bilhões para financiar campanha pública. Não é a melhor opção. Mas, infelizmente, hoje você também não tem como pegar financiamento de iniciativa privada, só através de pessoa física – mas isso também dificilmente acontece, a realidade é que é muito diferente disso. Não sei se existirá, futuramente, a possibilidade de discutir isso de novo, do financiamento de campanha via iniciativa privada.  Talvez você retirando a possibilidade de empresas que fazem serviços públicos poderem financiar e ter um limite de financiamento para cada um… Acredito que isso deve ser melhor discutido.

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
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.ba – De volta ao assunto da composição da chapa: aliados de Rui têm ventilado a possibilidade de o senhor compor a chapa majoritária, na posição de vice ou, de repente, para o Senado. O senador Otto Alencar, por sua vez, já descartou a possibilidade e cravou que o senhor seria candidato a deputado federal. O senhor também descarta a possibilidade de ser um vice de Rui Costa agora em 2018? É um desejo do senhor compor uma chapa majoritária?

OAF – De jeito nenhum é um desejo meu. Na verdade, ate a minha pré-candidatura a federal acabou ocorrendo de forma meio que natural. Fui para a Desenbahia apenas para fazer um trabalho técnico e a minha intenção era a de voltar para a iniciativa privada – que é onde eu pertenço. Só que aconteceram várias coisas ao longo desse processo, entre elas a saída de Zé Carlos Araújo do PSD para o PR. E o espaço que ele abriu era justamente onde o senador Otto tem mais influência, que é a região da Chapada Diamantina. Então, os prefeitos e deputados estaduais que faziam dobradinha com Zé Carlos Araújo resolveram querer me lançar – o que era natural, já que me conheciam da Desenbahia e lá a gente tem uma relação muito direta, eu sou uma pessoa muito disponível. Acabou acontecendo. Essa questão de candidatura a vice ou Senado é especulação. O que está posto no momento é a minha candidatura a deputado federal.

.ba – Então o senhor descarta completamente?

OAF – Eu acredito que sim. Da minha parte e da parte do senador não há essa intenção.

.ba – É quase unânime dentro dos partidos de base que, pelo tamanho, quantidade de prefeituras e um senador, o PSD teria um lugar garantido na chapa – ou no Senado ou para vice. Hoje, com o descarte do nome do senhor, o nome que aparenta ser mais provável é o de Ângelo Coronel. Por outro lado, o presidente da Assembleia tem feito um enfrentamento muito forte ao governador, com críticas contundentes ao pagamento de emendas, por exemplo. Pelo perfil de Rui, parece improvável que ele acate Coronel na chapa. Isso tem sido discutido internamente? Colocar Coronel para fazer esse enfrentamento para que, de repente, o PSD lance um nome de fora como o de Marcelo Nilo?

OAF – Eu não vejo muito como enfrentamento. Coronel tem um perfil de expor as opiniões dele. E é natural que dentro do grupo haja opiniões divergentes. É uma questão de diálogo interno. Eu acredito também que o governador Rui Costa, que é uma pessoa de diálogo aberto, não veja isso como um impedimento da indicação, ou de Coronel ou de outro integrante do PSD. Eu acredito muito que essa questão do diálogo, da discussão de ideias, é importante para o partido. Agora que Ângelo Coronel é presidente da Assembleia Legislativa, ele representa também os outros deputados estudais – tanto os da base quanto os da oposição. Então ele tem algumas demandas que são dos deputados como um todo. E eu não vejo isso muito como enfrentamento. É da política você discutir essas ideias, mesmo que elas não sejam tão idênticas com as da sigla. É normal, né? Até mesmo dentro de casa você tem opiniões diferentes com sua esposa, com seu filho… É algo que a gente tem que aprender a conviver.

“Eu não vejo muito como enfrentamento. Coronel tem um perfil de expor as opiniões dele. […] Eu acredito também que o governador Rui Costa, que é uma pessoa de diálogo aberto, não veja isso como um impedimento da indicação.”

.ba – Mas uma possível entrada de Marcelo Nilo ou Walter Pinheiro tem sido tratada internamente?

OAF – Não.

.ba – Essa reaproximação de Marcelo Nilo com o senador Otto Alencar não tem a ver com a possibilidade de apoiar a sua candidatura a deputado federal e abrir caminho para ele no Senado?

OAF – Não, de forma alguma não. Na verdade, a gente nunca ficou longe de Marcelo Nilo. O PSD tomou a posição de ter candidato próprio na eleição da Assembleia…

.ba – Mas houve uma rusga ali…

OAF – Na verdade, o que acontece é que, quando o PSD revolveu ter candidatura própria, naquele momento, houve oposição política. O que não quer dizer que você se torna inimigo da pessoa porque está concorrendo com ela. É natural que, por exemplo, naquele momento, como oposição, a gente tenha se distanciado. Mas isso de forma alguma distancia a gente, porque nós somos do mesmo grupo político: o grupo que vai apoiar o governador Rui Costa para a reeleição. A priori, o PSD tem esse objetivo de apoiar o governador e também os outros partidos do grupo. A gente quer fazer um trabalho voltado para as necessidades da população, para que, em 2018, a gente possa estar credenciado a ganhar as eleições.

.ba – Pensando no xadrez político, é coerente a análise de que tudo isso faz parte de um mesmo pacote? A pressão de Coronel para abrir espaço para o PSD, o senhor candidato a deputado e Marcelo Nilo entrando no partido para ocupar uma vaga na chapa como vice ou senador?

OAF – Eu não vejo muito a entrada de outro líder no PSD no momento – o que não quer dizer que isso não possa acontecer. Mas, hoje, eu acho difícil trazer uma pessoa de fora do PSD para compor a chapa em 2018. Eu acho isso difícil porque, como o próprio senador falou, nós temos uma série de lideranças na sigla que têm legitimidade para compor a chapa. Não sendo eu ou Coronel, existem outras pessoas que podem compor essa chapa.

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

 

.ba – Muitos taxistas têm reclamado que não têm conseguido pagar o financiamento com a Desenbahia. Como está a questão? Por que o senhor acha que o fato tem crescido?

OAF – Atualmente, a linha de financiamento para o táxi é uma das mais importantes que nós temos, é uma carteira de cunho social. Os recursos vêm do Fundese [Fundo de Desenvolvimento Social e Econômico], do governo do Estado, é totalmente separado da carteira da Desenbahia. A gente, agora, está tendo que cobrar pelo seguro – que antigamente não era cobrado. Mas isso foi uma obrigatoriedade da lei, do TCE [Tribunal de Contas do Estado]. Mas eu acredito muito que essa questão dos taxistas tenha muito a ver com a concorrência e a crise econômica. Hoje, os taxistas têm uma concorrência, como Uber e similares, e tem também a questão da economia. Como está, eu acho que impacta bastante – e não só os taxistas como qualquer outra categoria.

.ba – Quais são os números? Quantos devem? Qual o valor?

OAF – A gente não tem uma ideia de quanto é que a carteira, como um todo, deve. A gente tem por associações, porque, individualmente, a gente não pode informar, já que tem a questão do sigilo bancário. A gente não pode definir exatamente por taxista, mas podemos ter uma ideia. Eu acho que a inadimplência não passa de 5%, o que, para uma carteira como essa, não é nada de absurdo.

.ba – Como é que está a questão do Hospital Espanhol? A Desenbahia financiou cerca de R$ 60 milhões para o hospital…

OAF – Foi um financiamento de R$ 53 milhões para a recuperação do Hospital Espanhol. Foi feito um projeto de lei e a gente financiou esse dinheiro dentro de um programa de reestruturação. Infelizmente, a gente acredita que, por conta da gestão, o projeto não foi à frente e a Desenbahia entrou na Justiça para recuperar esse financiamento. Nós temos uma parte da hipoteca e estamos lutando na Justiça para solicitar a possibilidade de recuperar esse financiamento e a possibilidade de a Justiça decretar a falência do Hospital Espanhol. É normal a demora em que a Justiça avalie adequadamente o problema do hospital, porque você envolve uma série de interessados: a Justiça Trabalhista, os débitos do Hospital Espanhol – não só trabalhistas, mas também de impostos estaduais e federais – as dívidas com os bancos… Então, realmente, não é um problema fácil de resolver. A Desenbahia, obrigatoriamente, tem que continuar lutando na Justiça para isso e o nosso objetivo é conseguir isso via a decretação da falência da unidade.

“Nós temos uma parte da hipoteca e estamos lutando na Justiça para solicitar a possibilidade de recuperar esse financiamento [de R$ 53 milhões] e a possibilidade de a Justiça decretar a falência do Hospital Espanhol.”

.ba – E a possibilidade de o hospital se tornar um “Hospital do Servidor”?

OAF – Isso não está certo. Eu acredito muito que a solução do Hospital Espanhol venha via leilão. Como eu falei, esses R$ 53 milhões hoje estão na casa dos R$ 80 milhões – isso levando em conta os juros. Também tem um debito trabalhista que cresceu bastante… Dizem que está em torno de R$ 180 milhões. Fora os outros débitos com a caixa, com impostos…

.ba – Mas o governo pretende arrematar?

OAF – Eu não sei se existe o interesse de arrematar via leilão. Mas eu tenho certeza absoluta de que isso vai vir de uma avaliação adequada da PGE [Procuradoria-Geral do Estado]. Particularmente, eu acho que, se fosse possível, a gente poderia estar disponibilizando o recurso do Fundese para adquirir o imóvel e fazer uma concessão… Mas, até o momento, não existe nada certo nesse aspecto. A gente participa de algumas reuniões no Estado, mas o que é certo é aguardar o leilão. Eu acredito que, dentro dessa perspectiva, para o Estado, o melhor seria que uma empresa do setor de saúde – que tivesse condições de fazer a gestão do hospital –, adquirisse o bem. Porque tem o limitador do decreto que define que aquele imóvel só pode ser utilizado como hospital. Eu acredito muito na possibilidade de aquisição daquele imóvel via uma empresa privada que tivesse condição de levar o projeto à frente, junto ao governo do Estado.

Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba
Foto: Izis Moacyr/ bahia.ba

 

.ba – Vários analistas têm falado que a pauta vencedora de 2018 é a da renovação da política. Tanto que o próprio PSDB estuda lançar o nome do prefeito de São Paulo, João Doria. O senhor também seria uma renovação e isso o credenciaria a uma chapa majoritária? Como o senhor avalia essa renovação sendo que ACM Neto vem do feudo dos Magalhães e, além dele, temos Alexandre Aleluia, o próprio Doria, Fábio Souto, Duda Sanches, Marcelle Moraes, todos parentes de políticos. Essa renovação é da política ou dos feudos políticos?

OAF – Outro dia a gente teve uma discussão do assunto, acho que com [o advogado eleitoralista, Ademir] Ismerim. Ele sugeriu que talvez fosse interessante criar uma lei que não permitisse que o filho do político pudesse ser político. Eu não acredito que essa seja uma lei muito democrática. Quando você define algum julgamento sobre um filho de político, você está prejulgando. Ter a liberdade de ascender a um cargo público é um direito de qualquer cidadão. A outra questão é que eu acredito que renovação venha, não pela idade, mas pelo comprometimento que o político tem com a política: um olhar voltado para a população mais carente, a responsabilidade com o dinheiro público, ter ética e comprometimento… Isso independe muito de ser filho de político ou não, ou de você ser jovem ou não. Isso tem muito mais a ver com a capacidade da pessoa de trabalhar e com o comprometimento.

Eu acredito muito que a política tem que ser feita pensando no interesse maior da comunidade. Quando a pessoa pensa mais em seus interesses particulares, já começa errado na política. Você, primeiro, tem que ter uma experiência na iniciativa privada, ou no setor público, como um concursado, mas antes de entrar na política, que você tenha alguma experiência. Eu passei muito tempo longe da política até pela experiência que meu pai teve na política. Ele fez uma carreira como médico antes de ser convidado a ingressar na carreira política. E eu sempre quis ter também uma carreira paralela à política, mesmo sendo filho de político. Eu procurei criar uma vida separada da política. Passei 15 anos trabalhando em iniciativa privada, buscando meu lugar ao Sol – que não fosse ligado à política. E mesmo trabalhando no setor privado eu entrava como filho de Otto, e saía como Otto Filho. Porque eu me dedicava, eu tinha comprometimento, eu tive a oportunidade de crescer e cresci. E depois fui convidado a trabalhar na Desenbahia porque tinha experiência na área financeira. Eu acredito muito que deve ser assim – não estou dizendo que todos devem fazer assim, mas é muito melhor você entrar na política com certa experiência. O trabalho e a experiência preparam a pessoa para um cargo. Eu acredito muito que deve ser assim.

Na questão da majoritária que acredito no que o senador fala. Você tem que ter voto, densidade eleitoral, tem que ter mais experiência…

.ba – Mas os votos de seu pai não se transferem diretamente para o senhor?

OAF – Eu acho que não é diretamente dessa forma. Se eu não tivesse atuando bem na Desenbahia, ou nos outros lugares que atuei, talvez eu não tivesse reconhecimento. Se eu estou tendo, beleza. Mas eu acho que ainda existe um caminho para que eu possa conseguir cargos maiores. Eu, por exemplo, não tenho uma experiência legislativa. Seria bom que eu tivesse antes de pensar em qualquer coisa. Da parte de gestão eu conheço, da área legislativa não, isso é importante para um político.

“Outro dia a gente teve uma discussão do assunto [feudo político de famílias], acho que com [o advogado eleitoralista, Ademir] Ismerim. Ele sugeriu que talvez fosse interessante criar uma lei que não permitisse que o filho do político pudesse ser político. Eu não acredito que essa seja uma lei muito democrática. Quando você define algum julgamento sobre um filho de político, você está prejulgando.”

.ba – Antes de ser senador, seu pai foi deputado estadual, presidente da Assembleia, secretário de Estado, governador, conselheiro do Tribunal de Contas, vice-governador… E você já vai direto para federal. Não é antecipar etapas?

OAF – Pois é… Ele foi muita coisa antes. Ele foi deputado estadual – duas vezes o mais votado – presidente da Assembleia, secretário de Saúde, vice-governador, governador, conselheiro do Tribunal de Contas. Quer queira, quer não, é um cara que tem uma vasta experiência o senador Otto Alencar. Para você se eleger a qualquer cargo público você tem que ter experiência e voto (risos). No meu caso, ainda sou pré-candidato. É uma tentativa.

.ba – E tem mais alguém da família Alencar que pretende seguir esse caminho?

OAF – Não sei, a gente não conversa muito sobre esse assunto (risos).

.ba – E como deputado, se eleito, o senhor mira mais ser um Fábio Souto, que foi um coadjuvante Câmara e está na Assembleia, ou um Luís Eduardo Magalhães, considerado um grande líder?

OAF – Nenhum dos dois. Eu gostaria muito de, se Deus quiser, trilhar a carreira do senador Otto Alencar. Não digo chegando ao Senado, mas eu gostaria de trilhar a carreira dele como homem de bem, que fez muito pela Bahia, que construiu muitos hospitais, estradas e que tem serviço prestado. Um homem que depois de 30 anos de trabalho não tem um processo nas costas. Independentemente do quê que eu vá ser no futuro, se serei deputado federal ou não, desejo que eu possa trilhar uma carreira com o comprometimento e com a legitimidade que ele tem. Não é sobre onde você vai chegar, mas o caminho que você percorre.

.ba – Há um boato de bastidor de que o senhor se incomoda em ser chamado de Ottinho. Qual vai ser o seu nome de campanha?

OAF – Acho que devo utilizar o nome Otto Filho, ou Otto Alencar Filho. Mas isso nunca me incomodou, não é um problema (risos).

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