Publicado em 25/07/2018 às 15h45.

Lago subterrâneo é descoberto em Marte

Reservattório de cerca de 20 quilometros de diâmetro representa o primeiro corpo estável de água líquida já encontrado em Marte

Reuters
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Cientistas usando um instrumento de radar em uma espaçonave em órbita descobriram o que disseram parecer ser um enorme lago coberto de sal sob gelo na planície polar sul de Marte, um corpo de água que afirmaram, nesta quarta-feira, ser um possível habitat para vida microbiana. O reservatório que detectaram —com cerca de 20 quilômetros de diâmetro, com a forma de um triângulo arredondado e localizado a cerca de 1,5 quilômetros abaixo da superfície do gelo— representa o primeiro corpo estável de água líquida já encontrado em Marte.

A possibilidade de vida fora da Terra é uma das questões mais importantes da ciência em todos os tempos, e as novas descobertas oferecem evidências tentadoras, embora não sejam provas. A água é considerada um ingrediente fundamental para a vida.

Os pesquisadores disseram que pode levar anos para verificar se algo está realmente vivendo neste corpo de água que se assemelha a um lago subglacial na Terra, talvez com uma missão futura de perfuração através do gelo para testar a água.

“Esse é o lugar em Marte onde você tem algo que mais se assemelha a um habitat, um lugar onde poderia subsistir vida”, disse o cientista planetário Roberto Orosei, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, que liderou a pesquisa publicada na revista Science.

“Esse tipo de ambiente não é exatamente o seu ideal de férias, ou um lugar onde os peixes poderiam nadar”, acrescentou Orosei. “Mas há organismos terrestres que podem sobreviver e prosperar, de fato, em ambientes semelhantes. Existem microorganismos na Terra que são capazes de sobreviver até mesmo no gelo”.

A detecção foi feita usando dados coletados entre maio de 2012 e dezembro de 2015 por um instrumento a bordo da espaçonave Mars Express, da Agência Espacial Europeia, que transmite pulsos de radar, que penetram na superfície marciana e nas calotas polares. “Isso nos levou muitos anos de análise de dados e dificuldades para encontrar um bom método para garantir que o que estávamos observando fosse inequivocamente água líquida”, disse o coautor do estudo Enrico Flamini, cientista-chefe da Agência Espacial Italiana durante a pesquisa.

O perfil de radar do local encontrado lembra o dos lagos subglaciais sob lençóis de gelo da Antártida e da Groenlândia.