Publicado em 12/04/2017 às 14h19.

ACM Neto teria recebido caixa 2; prefeito diz estar ‘tranquilo’

Dois delatores da Odebrecht relataram repasses "por meio de vantagens a pretexto de contribuição eleitoral não contabilizada" à campanha do democrata em 2012

Rodrigo Aguiar
Foto: Josemar Pereira/ Ag. Haack/ bahia.ba
Foto: Josemar Pereira/ Ag. Haack/ bahia.ba

 

O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), teve a sua campanha abastecida por recursos de caixa 2, segundo depoimentos de dois delatores da Odebrecht: André Vital Pessoa de Melo e Benedicto Barbosa da Silva Júnior.

Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin encaminhou ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) o pedido de investigação contra o gestor da capital baiana (confira a petição 6632 aqui).

“Segundo o Ministério Público, narram os colaboradores a ocorrência, no contexto das eleições do ano de 2012, de repasses por meio de vantagens a pretexto de contribuição eleitoral não contabilizada, destinadas a Antônio Carlos Magalhães Neto, então candidato a Prefeito do Município de Salvador/BA”, diz trecho da decisão de Fachin, assinada no último dia 4 de abril.

Em outra petição, encaminhada à Procuradoria da República na Bahia, Fachin menciona novamente Vital, que relatou irregularidades durante o processo licitatório das obras de requalificação da orla da Barra, executadas em 2013.

Pagamentos “via bônus” – Em março do ano passado, Neto apareceu – ao lado do radialista Mário Kertész e do deputado federal petista Nelson Pelegrino – como destinatário de pagamentos “a serem efetuados via bônus” pela Odebrecht, conforme e-mail apreendido pela Polícia Federal.

No documento, Neto, Pelegrino e Kertész são associados justamente ao nome de Vital, um dos delatores que motivaram o pedido de investigação contra o prefeito. E Barbosa, o outro delator citado por Fachin, aparece como um dos destinatários do correio eletrônico.

Outro lado – Por meio de nota, o prefeito disse estar “tranquilo” e à espera de mais informações. “Nós ainda não temos conhecimento sobre o conteúdo do que existe ou não existe que envolva o nosso nome. Apenas verificamos uma petição, um despacho do ministro Fachin encaminhando para a Justiça Federal. Eu espero que, o mais rápido possível, possamos ter acesso a tudo”, afirmou.

Neto declarou ainda que sua relação com a Odebrecht “respeita o meu desempenho como homem público, transparente, correto, defendendo o interesse público acima de qualquer outro”.

Há duas semanas, o prefeito também adotou o discurso da “tranquilidade” ao comentar a notícia publicada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, de que estaria nas delações da Odebrecht. Na ocasião, o democrata disse que se tratava “apenas de uma nota de jornal”.

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